quinta-feira, abril 25

CULTURA: Chá Literário e Feira Pan-Amazônica do Livro.



             
Juraci Siqueira, Benny Franklin, Octavio Pessoa e Renato Gusmão, entre  Lícia Bittencourt e Geni Begot, no encerramento  do "I Chá Literário", da Escola Dr. Otávio Meira, de Benevides/PA

         
No sábado passado, dia 20 de abril, foi realizado o “I Chá Literário”, da Escola Dr. Otavio Meira, no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém.

Decidido durante a Semana Pedagógica, realizada no mês de março, o evento é uma iniciativa da nova diretoria e coordenação da Escola, que tem à frente a professora Lícia Bittencourt. Com o “Chá Literário” busca-se  resgatar o trabalho tradicionalmente feito pela a professora de Português, poeta e ativista cultural, Geni Begot Granhen, que nos últimos anos não vinha ocorrendo. A atual  direção da Escola, conhecendo o envolvimento de Geni com o mundo literário paraense, inclusive no Instituto Cultural do Extremo Norte e também, com instituições literárias de âmbito nacional, estimulou-a a retomar as atividades culturais da Escola Dr. Otavio Meira.

Geni optou por ampliar a iniciativa. Em vez de centralizar o foco na sua produção e nas suas atividades literárias, optou por fazer um evento coletivo, o “Chá Literário”. Uma atividade extraclasse, voltado para a ampliação da visão de mundo dos estudantes da Escola, por meio dos conhecimentos da Literatura, especialmente da Literatura  regional contemporânea.

Para colaborar com Geni, Antonio Juraci Siqueira, Benny Franklin, Octavio Pessoa e Renato Gusmão estivemos na Escola Dr. Otavio Meira, no último sábado, falando sobre Literatura, com destaque para a produção literária atual e conversamos com os estudantes sobre o processo de criação literária.

Pela interatividade dos estudantes, com os escritores/poetas/ativistas culturais, num sábado chuvoso, entrando pela noite, o evento foi um sucesso. Altamente positiva foi também a opinião dos professores e dirigente da Escola, sobre o “Chá Literário” que, para justificar o nome, terminou com um chá, servido com os acompanhamentos de estilo.

          No que depende da professora Geni, haverá sim, outros “Chás Literários”, na Escola “Dr. Otavio Meira”. Ela pretende também, resgatar a “Feira de Talentos”, que já foi realizada na Escola, revelando talentos, e que ultimamente não vem acontecendo. Tudo está na ordem, diz Geni, do comprometimento de um  número maior de professores, para que as atividades culturais aconteçam e sejam cada vez mais coletivas.

          Da parte dos poetas/escritores/ativistas culturais que colaboramos com a realização “I Chá Literário” da Escola Dr. Otávio Meira, fica o compromisso de colaborar com outros “Chás Literários”, tanto da Escola Dr. Otavio Meira, quanto de outras Escolas que venham a realizar eventos dessa natureza. Sempre que convidados, estaremos presentes, assim como estimularemos a participação de outros autores.

          Na minha conversa com os estudantes, após abordar a importância de se valorizar os usos e costumes, os “dizeres e fazeres” de uma comunidade, de um estado ou de um país, no processo de afirmação  de um povo, enfatizei a valorização de nossa cultura regional e local, estimulando todos a conhecerem as obras clássicas da Literatura Paraense e também, a produção contemporânea.


          Convidei todos a prestigiarem a XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, que será inaugurada no próximo dia 26 (sexta-feira), no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, com vasta programação cultural, e os estimulei a visitarem especialmente, o estande do autor paraense. 

          


         Recomendei aos estudantes e continuo recomendando a todos, a prestigiarem também, o lançamento do livro “O Guindaste Amarelo”, do imortal da Academia Paraense de Letras, Roberto Carvalho de Faro, que ocorrerá durante a XVII Feira Paraense Pan-Amazônica do Livro, no estande da Academia Paraense de Letras, no domingo, dia 28, a partir das 10 horas da manhã.


          “O Guindaste Amarelo”, com prefácio de Daniel Leite é uma obra que nenhum amazônida, nativo ou por adoção, pode deixar de ler. 

Autografando um exemplar do "Causos Amazônicos", para Lícia Bittencourt, diretora da Escola "Dr. Otavio Meira" 

segunda-feira, abril 8

51+10= Uma Ótima Ideia


Célia e Renato Gusmão, eu e Ana Celeste


Amigos,

          Neste ano, completo a idade da ótima ideia. Penso assim: se 51 é uma boa ideia, 51+10 é uma ótima ideia.
E concordo plenamente com Rubem Alves, ao dizer que a gente não faz anos. Não. A gente na verdade, a cada ano, desfaz um ano a mais dos tantos outros que compõem a nossa Vida. Como uma laranja que, a cada gomo que você chupa, ficam os restantes, até o último ser consumido.
Assim, anuncio solenemente que hoje, dia 8 de abril de 2013, estou desfazendo 61 anos.
Por isso e também porque minha esposa, Ana Celeste é próxima de mim até na data de aniversário, ela é do dia 7 de abril (como o meu aniversário é depois do dela, ela diz que eu a persigo), ontem reunimos familiares e amigos para festejarmos os anos que estamos desfazendo.
Na reunião, externamos nossa amizade e o nosso amor àqueles que nos são caros. Já dizia Vinícius de Moraes:
 “A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.  
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro
 O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre”.
          Aliás, com esse texto do poetinha, saudei os presentes, dizendo da nossa satisfação em recebê-los em nossa casa para, juntos celebrarmos a Vida.  
          E o melhor de tudo: o congraçamento foi regado à Poesia. Assim, além do alimento para o corpo, nossa alma também foi alimentada. Os companheiros do Instituto Cultural Extremo Norte deliciaram os presentes com poesias próprias e outras da antologia poética brasileira. Agradeço de público, aos parceiros Renato Gusmão, Daniel Leite, Benny Franklin e Alfred Moraes, pelo brilho que deram ao nosso aniversário. Ausente, por motivos profissionais, o presidente emérito do Extremo Norte, Rui do Carmo, interpretei dele, o poema “Louco”, como eu já havia feito, no “Corujão da Poesia”, no Rio de Janeiro:

Quando lúcido,
Trabalhava como um doido,
Pouco sorria.

Quando lúcido,
Narciso ao espelho
Queria um dia com 48 horas.

Quando lúcido,
O céu não tinha estrelas,
As noites eram todas iguais.

Quando lúcido,
Fazia amigos em balcão
De negociação de interesses.

Quando lúcido,
Comprava quase tudo que queria,
E sempre não tinha nada.

Hoje louco,
O trabalho já não importa.
O alimento? É a vida.

Hoje louco,
Tenho todo o tempo do mundo
Para fazer, ha ha ha ha... mas não faço.

Hoje louco
Declamo poesias à lua
E conheço cada fase sua.

Hoje louco,
Colho flores,
Perfumo o ar.

Hoje Louco,
Vivo a sorrir e a cantar!!!
VIVA! VIVA! VIVA! A Loucura!!!

          E eu sempre acrescento: Viva! Viva! Viva a Poesia!!!!

       Outros presentes também participaram do verdadeiro sarau e disseram poesias, inclusive o prezadíssimo amigo, Artur Piedade, que é coronel pleno da Polícia Militar.
          Brindei também, os amigos e familiares, com este poema que tem tudo a ver com meu momento de vida, do menestrel Juca Chaves,

SENTIR-SE  JOVEM
Sentir-se jovem é sentir o gosto
de envelhecer ao lado da  mulher.
Curtir ruga por ruga de seu rosto
que a idade sem vaidade lhe  trouxer

O corpo  transformar-se em escultura
o Tempo apaixonado é um escultor
e a fêmea  oculta na mulher madura
explode em sensuais formas de  amor

E a fêmea, esta  escultura,
já mulher madura
explode em sensuais formas de  amor

Ser jovem cinqüentão não é  preciso
provar que emagrecer rejuvenesce
pois a melhor ginástica é o  sorriso
e quem sorri de amor nunca envelhece

Amar ou desamar sem sentir  culpa
desafiando as leis do coração
não faça da velhice uma desculpa
e  nem da juventude profissão

Idade não é culpa, velhice  não é desculpa
nem mesmo a juventude é profissão

Fica mais velho
quem  tem medo de ser velho
roubando sonhos de alguma adolescente
dizer que ainda  "dá duas", que é potente
mentir para si próprio e para o  espelho

A idade é uma verdade, não  ilude
quem dividiu a vida com prazer.
Velho é se drogar de  juventude,
ser jovem é saber envelhecer.

Velho é quem se  ilude
que a idade é juventude.
Ser jovem é saber envelhecer!


Em pé, violonista Cristóvão, sentados da esquerda para a direita, Juraci Siqueira, Octavio Pessoa, Benny Franklin,Daniel Leite, Renato e Célia Gusmão, Dilma e Alfred Moraes.  




         



sexta-feira, abril 5

SEXO, CHAMPANHE E TCHAU

Com o livro texto da peça, ao lado de Ana Cecília Mamede, Celeste e Mônica Montone, da esquerda para a direita

         

          Na minha recente estada no Rio de Janeiro, fui a algumas a peças de teatro. Uma delas, “Sexo, Champanhe e Tchau”, de Mônica Montone, despertou minha atenção, particularmente pela forma inovadora e inteligente de se tratar um assunto recorrente em peças teatrais, as crises das mulheres em busca da emancipação pessoal e profissional. 
          Sem cair no questionamento piegas dos relacionamentos afetivos, Mônica, que é psicóloga, desenvolve seu texto numa linguagem poética e bem humorada. Na singeleza do cenário, utilizando-se competentemente da comunicação verbal e gestual, são evidenciadas as obsessões causadas pelos vínculos que não se resolvem, as dificuldades subjetivas da mulher em busca da afirmação, a luta pela adaptação às responsabilidades da vida adulta, o medo do fracasso ante os desafios impostos pela sociedade.  
          É sutil o nome da personagem encarnada por Mônica na peça, Ela, que contracena com Jezebel, uma escritora emocionalmente imatura, que dá conselhos ao público no programa de que participa e nunca consegue concluir o livro que pretende escrever. A personagem Jezebel é desenvolvida com muita propriedade por Ana Cecília Mamede. A personagem Ela seria, na verdade, o inconsciente de Jezebel? O fato é que Jezebel é provocada, por Ela, a “cair na real”. E, no final da peça, uma virada interessantíssima na personagem Ela. Ela seria ela mesma?
          “Sexo, Champanhe e Tchau” é uma produção de poucos recursos cênicos. No palco, apenas bolotas de papel espalhadas pelo chão e duas cadeiras que assumem diversas funções, ao longo da peça. A trilha sonora é precisa e magistral a direção de Juliana Betti.  
          Assim, “Sexo, Champanhe e Tchau” não é uma história de amor, como enfatiza Mônica Montone, dizendo que, se fosse, “não teria virado peça e os personagens estariam juntos... ou não”.
Mônica é a autora do texto “Ser ou não ser de ninguém, eis a questão da geração tribalista”, em que criticou o hábito de sua geração de beijar qualquer pessoa, em baladas, e que circulou na Internet, como se fosse do Arnaldo Jabor.
Nascida em Campinas/SP, mas radicada no Rio de Janeiro, Mônica participou e ainda frequenta diversos recitais de poesia na capital carioca. No seu poema “Tenho Pena”, afirmou “ter pena das mulheres que não gozam” e chocou algumas pessoas ao declarar não querer ter filho, na sua crônica “Filho É Para Quem Pode”, publicada na Revista do Globo, o que a levou a falar sobre o tema, nos programas Sem Censura, Fantástico e Happy Hour.
          “Mulher de Minutos”, Ibis Libris, 2003, primeiro livro de Mônica, foi elogiado por Ivan Junqueira, então presidente da Academia Brasileira de Letras, por Affonso Romano de Sant’Anna e Marco Luchesi, dentre outros. Seus poemas fazem parte de diversas antologias poéticas e seu blog, Fina Flor, dedicado exclusivamente à literatura, é um dos mais visitados da Internet.
          Com “Sexo, Champanhe e Tchau”, Mônica estréia como dramaturga. Antes mesmo da montagem, o texto da peça já participava de ciclos de leituras dramatizadas, como os realizados nas unidades do SESC do Rio e do Festival Satyrianas de São Paulo. A obra sempre gerou entusiasmo das plateias, formada em grande parte por jovens, levando a Editora Oito e Meio a publicar livro com o texto da peça. No fim de março passado, encerrou-se a temporada vitoriosa, no SESC Casa da Gávea, do Rio. Por ora, o elenco “dá um tempo”, merecido diga-se, ante o sucesso de público e de crítica, preparando-se para percorrer outros palcos, pelo Brasil a fora.






domingo, março 24

CULTURA PARAENSE FORA DO EIXO


Viviane Menna Barreto explica o projeto e o programa


Lançado, no sábado passado, o projeto Barco Fora do Eixo, com a presença de artistas e intelectuais de Belém. O Barco Fora do Eixo é um veículo catalizador que, percorrendo as águas da Amazônia, visa o intercâmbio de informações e busca fomentar as ações que já se realizam em cada localidade. Esse projeto faz parte do Programa “Ligando os Pontos”, que objetiva fazer das comunidades ribeirinhas, pontos ativos de conexão, troca e intercâmbio de saberes, enfim, proporcionar condições para que as comunidades sejam efetivamente, protagonistas do local em que se situam, cada localidade integrando uma grande rede de cultura e formação.  

Zezinho Viana, do Grupo Sancari
O “Ligando os Pontos” é uma realização da Casa Fora do Eixo Amazônia, em parceria com o Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP e com o Serviço Federal de Processamento de Dados- Serpro.



O Circuito Fora do Eixo:

         A Casa Fora do Eixo Amazônia, coordenada por Michelle Andrews, é o ponto de articulação, formação e sustentabilidade, na Região Norte, do Circuito Fora do Eixo, que é uma rede de trabalhos, concebida fora do eixo Rio/São Paulo, fruto da  criatividade de produtores culturais das regiões centro-oeste (Cuiabá-MT e Uberlândia-MG), norte (Rio Branco-AC) e sul (Londrina-PR), no final de 2005, quando estabeleceram parceria objetivando a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologia de produção e o escoamento de produtos, originando o que foi chamado de Circuito Fora do Eixo.

          No curto prazo, o Circuito Fora do Eixo cresceu vertiginosamente. A rápida ampliação do circuito foi facilitada pelo avanço tecnológico, que proporciona a todas as pessoas, possibilidade de acesso à informação, estimula relações de mercado favoráveis às pequenas iniciativas do setor musical, aos miniempreendimentos, especialmente os mais cooperativos e, por consequência, impõe desafios à indústria fonográfica. Festivais proliferaram em toda a rede, evidenciando a validade da produção em escala autossustentável, com base no contato direto entre produtores de diferentes Estados, por meio de uma rede de informações, que estimula a união de pequenos em prol de grandes ações. 

           Todos os Estados das regiões norte, centro-oeste, sudeste e sul já estão ligados ao Circuito Fora do Eixo, que já existe em 25 dos 27 Estados brasileiros, espraiando-se para outros países da América Latina. Por exemplo, no Grito Rock América do Sul, realizado em 2010, além das 70 cidades brasileiras presentes, participaram também, 4 cidades da Argentina, da Bolívia e do Uruguai.

           Passo definitivo, na afirmação do circuito, foi o II Congresso Fora do Eixo, realizado em Rio Branco, Acre, em setembro de 2009. Na ocasião foi discutida e aprovada a Carta de Princípios do Circuito Fora do Eixo, que o definiu como uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho, constituída por coletivos de cultura espalhados por todo o Brasil, pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo. E também, da divulgação, da formação e intercâmbio entre redes sociais, do respeito à diversidade, à pluralidade e as identidades culturais. Além disso, o fortalecimento dos sujeitos, a busca da autonomia quanto às formas de gestão e participação em processos socioculturais e o estímulo à autoralidade, à criatividade, à inovação e à renovação. E ainda, a democratização quanto ao uso e compartilhamento de tecnologias livres, aplicadas às expressões culturais e à sustentabilidade pautada no uso de tecnologias sociais.

         Outro fato definitivo, para a afirmação do circuito, foi a implantação do Portal Fora do Eixo, por meio do que o circuito passou a ocupar espaços melhor estruturados na web, facilitando o acesso do público ao grande banco com informações de todo o país.

         A organização política do Circuito Fora do Eixo comporta entidades de três categorias. Na categoria 1, situam-se os Pontos Fora do Eixo, que são organizações sem fins lucrativos com laboratórios integrados oficialmente à rede. As Casas Fora do Eixo são residências culturais que possuem todos os aplicativos avançados instalados em sua plataforma. Também na categoria 1, situam-se os Parceiros, pessoas e organizações, sem e com fins lucrativos, que tem relações de parceria com os coletivos da rede. Na categoria 2 estão os Colegiados Regionais, que são os Conselhos Gestores de Redes locais, estaduais e regionais. Nesse nível também se situam, as Frentes e Simulacros, constituídas pelas redes temáticas artísticas e socioculturais e também, as Casas Regionais -  residências culturais que possuem todos os aplicativos avançados instalados em sua plataforma e são responsáveis pela gestão das regionais. Finalmente, na Categoria 3, situa-se o PAN - Ponto de Articulação Nacional,  formado por moradores de casas, membros de colegiados regionais e gestores de frentes e simulacros e a Agência de Cooperação Internacional, Conselho responsável pela gestão das relações internacionais.



         O Circuito Fora do Eixo está presente em Belém, há mais de cinco anos e, desde cinco meses atrás, o ponto fora do eixo de Belém tornou-se a Casa Fora do Eixo Amazônia. Situada na Rua Aristides Lobo, 292 (entre Padre Prudêncio e 1º. de Março), no bairro da Campina, funciona 24 horas por dia, como sede, moradia e hospedaria. Já realizou diversos outros projetos, destacando-se o Circuito Amazônico de Festivais Independentes, o Grito Rock, A Semana do Audiovisual – SEDA, e o evento Cenários Possíveis à MIVA (Mostra Internacional de Videodança na Amazônia)


Casa Fora do Eixo Amazônia, em reunião.

         Saiba mais sobre o Circuito Fora do Eixo, acessando http://foradoeixo.org.br/

O Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP:

      
            Dirigido pela professora Viviane Menna Barreto, o Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP é o agente provocador do programa “Ligando os Pontos”. Com o programa, a Instituição de Ensino coloca em prática seu compromisso de formar cidadãos conscientes e profissionais qualificados às competências exigidas pelo atual mercado de trabalho e cumpre sua responsabilidade social, por meio da integração das comunidades em que atua com seus alunos e corpo docente, buscando estimular a produção de conhecimento, a geração e troca de ideias e promover o senso de cidadania e autonomia da comunidade.       


        Viviane, que é casada com um paraense que morava em São Paulo, viaja pelos rios paraenses, desde 1999. Inicialmente, ela buscava, como artista visual, encontrar cores e visualidades amazônicas, para sua pintura, o que a levou a acompanhar por 12 anos, o projeto  IFNOPAP, da UFPA, que pode ser compreendido como projeto campus flutuante. Por ele,  anualmente, pessoas das mais variadas formações embarcam em um navio que se desloca ao longo da bacia amazônica por cerca de uma semana. Durante a viagem sucedem-se eventos científicos e culturais, que se desdobram em determinados pontos de desembarque, nos quais há interação com as populações ribeirinhas.

            Formada em Comunicação, Viviane tornou-se, em 2005, mestra em Comunicação e Semiótica, pela PUC/SP, com a dissertação “Mapa Pictográfico da Cultura Ribeirinha da Amazônia Paraense: Tradições e Mídias”, que tem como carta de itinerário o ciclo de festas populares dos caboclos ribeirinhos da Amazônia paraense e propõe a criação de um novo conjunto de imagens sobre a Amazônia e, através da divulgação nos meios de comunicação, a inserção dessas paisagens, no imaginário do resto do Brasil. O diferencial da dissertação são as duas vias que confluem para o mesmo ponto, saindo da artista e pesquisadora e seguindo infinitamente, enquanto representação plástica, construída através de uma grande viagem, pelas comunidades caboclas.

            A partir do universo conceitual de Jerusa Pires Ferreira, orientadora de sua tese de mestrado, Viviane, fundamentada em autores do porte de Ana Maria de Morais Beluzzo, Darcy Ribeiro, João de Jesus Paes Loureiro, Bakhtin e Marlyse Meyer, ampliou o universo do festeiro, retirando-o do localismo e redimensionando-o na universalidade. Sem pensar teoricamente com aparelhos estáticos, mas sim, de tal forma, que a teoria propicie a deslocação do olhar através da própria obra pictórica de Viviane, encarada como veículo de comunicação entre esses dois mundos. Assim, em sua tese, a pesquisadora discutiu a possibilidade de criação e difusão de redes imagéticas, através de projetos artísticos midiatizados que mostrem o imaginário das minorias. A partir da análise da mudança dos papéis sociais dos festeiros, Viviane exemplifica processos de atualização de uma tradição, por meio do carnaval de Juaba, em Cametá, e do Boi de Máscara, de São Caetano de Odivelas. As conclusões mostram como a comunidade festeira cria um território encantado e como o artista-viajante, midiatizando sua voz, amplia seu alcance.

            Após a defesa de sua dissertação de mestrado, Viviane paraensou de vez. Passou a morar em Belém, continuou suas expedições fluviais e decidiu também, aproximar as três filhas, dos costumes da região do marido, Nelson Vilhena, experiente em montagem de bienais e outras mostras, que acompanha a família, pesquisando e montando as exposições da esposa. "Meu sogro também se envolveu e está patrocinando meu projeto. Comprou um barco, no qual estou montando um ateliê.", diz ela.

           Em 2008, entrou para a FAP Estácio, onde leciona várias disciplinas, como cultura e teorias da comunicação. Já foi coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda e hoje coordena o Núcleo de Criação e Relações Externas, o que lhe possibilita oportunidade para criar vários projetos. Nessa atividade, tem trabalhado com universitários, temas relativos a diversidade cultural, estimulando-os a conhecer e amar a Amazonia e a criar narrativas fotográficas, textuais e visuais sobre a cultura amazônica.

        Para Viviane, o programa “Ligando os Pontos” se propõe a fazer conexões entre realidades e costumes das localidades, em função de um mapeamento fluvial, das atividades que acontecem nas comunidades, desse “verdadeiro emaranhado de caminhos e vias que cortam as florestas, formando um grande mosaico de estradas fluviais que fazem da Amazônia uma grande plataforma de experiências e ressignificações pois, na beira das “estradas d’água”, existem diversas cidades e comunidades repletas de ações que revelam a riqueza do Brasil profundo”.

            Exemplo disso é o projeto de aproximação com as comunidades remanescentes dos quilombos Santa Maria, de Itacoã-Miri, e Guajará-Miri, no município do Acará, situadas no estuário do rio Pará, no vale do rio Guamá. Nesse ponto, ressalta a pesquisadora, os quilombos não devem ser definidos por fatores biológicos ou raciais, uma vez que eles não eram formados  apenas por negros descendentes de escravos, mas também, por índios, mestiços e brancos, que constituíam coletividades com história baseada numa cultura própria, transmitida e adaptada a cada geração. Os membros dessas comunidades se identificam entre si, como pertencentes a um mesmo grupo que compartilha elementos e ações culturais, num território comum a todos.

            Outro exemplo é a etapa Cametá-Juaba do projeto de conexões e cartografias amazônicas, que tem toda uma programação a ser cumprida, neste ano e em 2014. No próximo mês de julho, está previsto o Festival Juabense de Cultura, com exposição itinerante de máscaras do Cordão Última Hora – Carnaval das águas, lançamento do documentário “Águas Amazônicas”, exposição fotográfica e pictórica, oficinas “Gestão de Coletivos Culturais”, “Técnicas Musicais para Instrumentos de Sopro”, “Iniciação ao Teatro”, “Coreografia”, “Cobertura Colaborativa e Mídias Livres” e “Inclusão Digital”. 

 O SERPRO e seu Programa de Inclusão Digital:

        A operacionalização do suporte de informática, do Programa “Ligando Os Pontos”, é feito pelo Serpro, por meio do seu Programa de Inclusão Digital- PSID, que é coordenado no Pará, por José Ricardo Macedo de Carvalho. 

           Por meio desse Programa, o SERPRO busca promover a inclusão digital e social das comunidades excluídas do universo das Tecnologias da Informação e Comunicação- TIC.

            O Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO, maior empresa de TIC da América Latina, utiliza sua expertise tecnológica e seu compromisso social nesse projeto de uso intensivo da tecnologia da informação, para ampliar a cidadania e combater a pobreza, visando garantir a inserção do indivíduo na sociedade da informação e o fortalecimento do desenvolvimento local.
Implantado em 2003, o PSID é uma das ações amparadas pela política de responsabilidade social e cidadania da empresa, em sintonia com o Programa Brasileiro de Inclusão Digital, do Governo Federal, que se concentra em dois eixos principais. Primeiro, a utilização efetiva do software livre, viabilizando seu uso e apropriação das novas tecnologias pela sociedade. Segundo, o atendimento das necessidades das comunidades na formulação de políticas públicas, na criação de conhecimentos, na elaboração de conteúdos apropriados e no fortalecimento das capacidades das pessoas e das redes comunitárias.

           Dentre as ações desenvolvidas pela coordenadoria de inclusão digital do SERPRO, destaca-se a montagem de telecentros comunitários, o que proporciona à várias localidades do Brasil, o acesso ao universo tecnológico e ao mundo da informação.

         É no exercício dessas ações que se situa o papel do SERPRO, na realização do Programa “Ligando os Pontos”, em parceria com a Casa Fora do Eixo Amazônia e o Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP, de que o Barco Fora do eixo é um dos projetos. 








            

sexta-feira, fevereiro 22

URBANOSEMCAUSA. Urbano sem causa? Não. Urbanos em causa!




                Nesta prolongada estada carioca, tenho convivido com pessoas interessantíssimas. Poetas, escritores, autores teatrais, cantores, enfim, amantes da palavra escrita, falada ou cantada. Gente como Flávia Côrtes, Márcia Mendes, Marisa Vieira, Maria do Carmo Bonfim,Vânia Moraes, Eduardo Tornaghi, Manoel Herculano, Márcio Rufino, Naldo Velho, Mozart Carvalho, Sérgio Gerônimo e tantos outros. Também tenho participado de saraus, tenho ido ao teatro, ao cinema e, acima de tudo tenho andado pela maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e a olhado, com visão mais contemplativa. Vivências gratificantes e necessárias, para quem em breve, vai “virar uma página da vida”, aposentando-se do serviço público, e que pretende dedicar-se exclusivamente à comunicação- minha origem (na juventude, fui locutor de rádio), e à literatura.
                

No sábado passado, pela primeira vez entrei no Museu de Arte Contemporânea, de Niterói/RJ. Há tempos, eu queria entrar nele. Só o conhecia por fora e ficava encantado com a sinuosidade das linhas de Niemayer, deliberadamente compondo com as suaves curvas dos morros do Rio de Janeiro.
                




Lucília Dowslley

      
 E, nada melhor do que unir o útil ao agradável. Minha presença no MAC foi para prestigiar e participar do programa “Um Brinde à Poesia”, idealizado pela poeta maior, Lucília Dowslley, que o conduz com simplicidade e competência. É um sarau realizado de 15 em 15 dias, aos sábados, no MAC. Programa que também é realizado, noutros dias, em outros espaços do Rio de Janeiro.
               



    

                 A programação foi extensa e diversificada. Li a crônica “Uma Procissão ‘Duca’”, do meu livro “Causos Amazônicos” e, penso, a leitura agradou ao público, que gargalhou em diversos momentos, tendo entrado portanto, no clima hilário da maioria de minhas crônicas. No final, a poeta paraense Vânia Moraes, radicada do Rio de Janeiro, me cumprimentou e disse que retornou a Belém, ao ouvir a expressão “Égua, parente!”, na entonação precisa, dita pelo "papudinho profissional",  HG, personagem da crônica.



                Diversos poetas, homens e mulheres das mais diversas idades, sucederam-se ao microfone. Todos, sem exceção, “disseram a que vieram”, ou, mais precisamente, disseram o que foram fazer, naquele evento de Poesia, que também é permeado por música de qualidade. Ausência sentida foi a da poeta paraense, Wanda Monteiro que, por motivos familiares, não pode comparecer, naquele sábado, ao Brinde à Poesia. Mas já falei com ela, por telefone e, antes do meu retorno a Belém, vamos nos encontrar, para tomar um drink poético.

Naldo Velho
     Uma apresentação em particular, prendeu minha atenção, por seu caráter questionador da nossa realidade e por “mexer” com o nosso comodismo. Trata-se do “URBANOSEMCAUSAa”, que pode ser lido “Urbano sem Causa”, mas me coloco ao lado dos que leem “Urbanos em Causa”.
     Nessaa obra de Mozart Carvalho e Sérgio Gerônimo, o dia a dia do homem e da mulher, nos centros urbanos, é questionado. Nas palavras de Naldo Velho, prefaciador do livro, o leitor encontra, em URBANOSEMCAUSA, “momentos de extrema crueldade, miscigenados e contrastados a um lirismo implícito envolto numa certa nostalgia de quem pede socorro e anseia por mais ar para respirar, por mais harmonia para viver, por mais suavidade para poder semear e colher no tempo certo uma realidade melhor, com condições mais dignas para aqueles que hoje vivem anestesiados pela velocidade inconsequente dos nossos tempos”. Para Naldo, escritor, músico e artista plástico, muito mais do que qualquer modismo ou regra estabelecida pelo bom comportamento literário, deve-se esperar de um livro de poemas, a coragem de se entregar aos desafios estéticos, pois o poeta nada mais é do que um artesão das palavras e, nos dias de hoje, mais do que nunca, necessita do mergulho sem preconceitos, em conteúdos que sejam inovadores. É a busca quase que obsessiva por novas abordagens e, principalmente, da honestidade de quem não se aprisiona a tribos de pensamentos ideológicos, religiosos, ou mesmo filosóficos, pois só assim, ele, Naldo, entende a arte: "um mergulho na imensidão em busca de sementes que possam frutificar em nós, palavras ‘fazendeiras’ de crescimento e compreensão”. Opinião que assino embaixo.

        E é o que fazem, em URBANOSEMCAUSA, Mozart Carvalho e Sérgio Gerônimo. Sem falsos pudores, explodem conceitos, mazelas, hipocrisias e incoerências. Tudo isso como se nos dissessem da necessidade de "se parar com tolas discussões aprisionadas a ideologias falidas ou a conservadorismos mofados, posto que, já provaram não ser solução para coisa alguma, e que já é hora de começarmos a discutir o caos de cada dia, com o coração desarmado e sem idéias preconcebidas", observa Naldo.

        
                Mozart Carvalho, poeta carioca, ensaísta, ilustrador, tradutor, atual vice-presidente da Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro – APPERJ, membro do PEN Club do Brasil, da União Brasileira dos Escritores- UBE/RJ e da ACLAL (Portugal), membro do Conselho Editorial da Oficina Editores, é professor de Língua Portuguesa, Produção Textual/Literatura/Inglês/Literaturas Americana e Inglesa,  especialista em Língua Latina, membro do Grupo de Estudos de Línguas Clássicase Orientais (LECO), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ. Publicou dois livros infantis, “O Cervo e o Lago” e “A Raposa e a Cegonha”, que foi roteirizado para teatro. 
                



   Sérgio Gerônimo, psicólogo pós-graduado em Psicossomática Contemporânea, poeta carioca, cronista e ensaísta, editor-chefe da Oficina Editores, é fundador e atual presidente da APPERJ, membro do PEN Clube do Brasil, da UBE/RJ, da Academia Brasileira de Poesia, do SEERJ e da ACLAL. Publicou em poesia, “Profanas &  Afins”, “Outras Profanas”, “PANínsula”, “BelaBun”, “Código de Barras”, “Conversa Proibida”, “Coxas de Cetim” e “Enfim Afins”, os dois últimos em e-book.  Tem poemas publicados e vertidos em inglês, espanhol, francês, italiano e russo. Coordena o evento poético no Rio de Janeiro, “Te encontro na APPERJ” e o Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro. Participante ativo do circuito de poesia contemporânea.


     Lógico que comprei um exemplar do "URBANOSEMCAUSA" e, na rápida conversa que tivemos, após o evento, falei a Mozart e Sérgio sobre o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", evento da Amazônia, que juntamente com Benny Franklin, Daniel Leite, Jorge Andrade, Juraci Siqueira e Roberto Carvalho de Faro, realizamos em Belém e o faremos novamente, este ano, no dia 28 de setembro. Convidei-os, como tenho convidado outros poetas a irem conhecer a Amazônia e disse da satisfação de recebê-los em Belém. De repente, fruto também dessas conversas, eles realizam o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", evento do Rio de Janeiro. [mais informações sobre o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", em postagens anteriores, neste Blog] 


           Transcrevo a seguir, um poemas que bem exemplifica o conteúdo do URBANOSEMCAUSA:

CORRE!

O carro passa - ônibus lotado
as vias liquefazem os asfaltos
um rio na lombardi segue
fluxo urbano
os andaimes nas esquinas
remodelam a paisagem
viadutos, túneis, pontes
constantes sons de poeira
violentam os poros
o mar de óleo desce as encostas
as florestas olham, pasmam,
perfuram as águas e sofrem
das pedras o trilho
do aço as plataformas
concretas, desumanas
o metrô corre, o carro corre
o metrô corre, a fome corre
o metrô corre, a solidão corre...
o metrô corre e o BRT para...
a ambulância geme enrubece
tudo fora do ponto
desatentas e confusas
as criaturas escapam no tempo,
nas ruas, nas avenidas envelhecidas
no cruzamento temporário
apenas um grito
Só - CORRO!
e ninguém escuta.

                 



 Com Maria do Carmo Bonfim, Mozart, Sérgio e Flávia Côrtes.