terça-feira, outubro 4

ESTAVA ESCRITO...




Nada acontece por acaso. Para Carl Gustav Yung fatos comumente atribuídos ao acaso se explicam pela lei da sincronicidade universal e pelo inconsciente coletivo. No curso das pesquisas sobre os aviões Catalina, para a futura edição de obras sobre a saga desses aviões, vivi uma situação que parece se explicar por motivos imponderáveis.

Fizera eu uma postagem na página “Amigos de Parintins”, do Facebook, pedindo a colaboração dos meus conterrâneos e amigos no sentido de me enviarem fotos, textos, informações que pudessem ter, inclusive sobre acidentes com aqueles aviões que surgiram como equipamentos de guerra, tiveram atuação expressiva durante a II Guerra Mundial, tanto na Europa quanto na costa brasileira e ao fim do grande conflito realizaram no Brasil missões militares em tempos de paz de grande importância para a integração da Amazônia, sendo assim “Asas de Guerra e de Paz”. A utilização dos Catalinas pela aviação civil no transporte de passageiros e carga, especialmente na linha aérea orientada pela calha do rio Amazonas, evidenciaram o importante papel social e econômico desses hidroaviões anfíbios para os ribeirinhos amazônicos. Eles eram assim as  “Asas de um rio”.

Diversos conterrâneos e amigos acorreram ao meu pedido, inclusive May Freitas, para mim, então, ilustre desconhecido. May foi além do que eu esperava. Deu-me elementos, enviou fotos, polemizou comigo, enfim, colaborou decisivamente para o enriquecimento do trabalho.

A conversa virtual entre nós se acentuou e derivou para outros temas. Em dado momento May sugeriu que nos conhecíamos e fez perguntas sobre pessoas da minha família, o que no início me deixou “encucado”. Quando eu soube seu nome completo, Maycílvio (assim mesmo com “y” e “c”), minhas memórias mais recônditas foram sendo resgatadas. Era eu um curuminzinho sendo alfabetizado na escola particular das irmãs Freitas, na Travessa Rio Branco, da Parintins da minha infância. Recordei minha professora, Dona Nilia Freitas, na cabeceira daquela longa mesa e nós alunos, no entorno com nossos cadernos, lápis, borracha e cartilhas, atentos às explicações ou sendo sabatinados na tabuada em que nós aprendíamos as quatro operações fundamentais.

Um turbilhão de imagens passou pela minha mente. E dentro daquele cenário, a figura daquele jovem  sempre prestativo e atencioso, ajudando as tias que o criavam, nas mais diversas tarefas da casa e da escola. Era o Maycílvio. Maycílvio Freitas que na vida adulta adotou o apelido pelo qual sempre foi tratado, Maí, grafado May. Interessante. Logo no início de nossas conversas virtuais eu lia o nome dele com a pronúncia em inglês (Mei) e pensava ser uma mulher. Sim. Meu amigo virtual era aquele jovem que circulava pela casa/escola sempre de forma simpática com todos os alunos.

Nossa origem comum nos levou à lembrança de “paradas” hilárias, outras nem tanto e a outros assuntos, especialmente da Parintins do passado e lamentamos a descaracterização histórica que nossa cidade vem sofrendo. 

       Abordamos a despersonalização do “Caracol”. O caracol era  uma estrutura junto à rampa que ligava o antigo trapiche do porto à área urbana de Parintins, com estilo de época do final do século dezenove. Era revestido por pedras pretas que abrigavam em seu interior figuras em formato de caracóis feitos por pedras brancas incrustadas nas pedras pretas. Esse verdadeiro monumento foi destruído e substituído por uma estrutura fria e sem vida.

Questionamos também o desaparecimento da balaustrada, outra estrutura de época que marcava nossa cidade. Balaustrada porque formada por balaústres, colunetas com base e capitel espaçadas entre si, sustentando uma espécie de parapeito. Hoje não tenho dúvida de que a Balaustrada, por seu significado na simbologia maçônica, era um marco da passagem de maçons à frente da municipalidade de Parintins, que deixaram obras de bom gosto para a posteridade. Intenção essa prejudicada. As últimas gerações e as futuras só terão notícia do que um dia tivemos aquele monumento histórico, localizado num ponto estratégico da cidade, à margem do rio Amazonas. Dali se contemplava o por do sol mais bonito do mundo. Na Balaustrada e no Caracol muitos namoros começaram, floresceram e certamente muitos ali terminaram. Eram lugares de “muitas emoções”, como diz o Roberto.

Comentamos também as alterações na Praça do Cristo Redentor totalmente descaracterizada, o fim do Cine Brasil e o abandono do Palácio Cordovil, sede da Prefeitura Municipal por tantos anos, que homenageia o fundador da cidade, José Pedro da Silva Cordovil. Esse Palácio deveria ser transformado num Museu Municipal para ali se preservar os ícones e valores da ilha  Tupinambarana, onde Parintins é situada,  e de sítios das redondezas.

Nossos diálogos virtuais foram além do saudosismo conservador e vulgar que se opõe ao progresso. Este é inevitável. O equívoco reside quando em nome do progresso se apagam marcos culturais de uma sociedade. Muitas vezes simplesmente destruídos e substituídos por obras de estética questionável, quase sempre construções de valor astronômico e de duração efêmera, o que coloca em xeque a idoneidade dos “realizadores”, que "engordam" seus caixas de campanha com os recursos  públicos destinados a essas obras. 

Nossas conversas na verdade, foram cheias de juventude pois ser jovem é “ter abertura para o novo na mesma medida do respeito pelo que é imutável”, o que é cultural, como diz  Artur da Távola que na crônica “Ser Jovem”. O que deveria ser imutável por registrar épocas da História de um povo é solenemente desprezado pelos ditos homens públicos.

O mesmo se dá com os nomes dos logradouros públicos que são trocados com a complacência dos ditos representantes do povo nas câmaras municipais para homenagear “figuras” do momento e sufocar o nome de personalidades e datas importantes para uma população. Tema esse muito bem explicado pelo cientista político José Murilo de Carvalho, no livro “A Formação das Almas: O Imaginário da República no Brasil”.

Evidenciadas afinidades de pensamento entre o May Freitas e eu foi inevitável o desejo recíproco de uma conversa "ao vivo e a cores" logo que possível. Coloquei-o a par da minha ideia de lançar, ainda no ano passado, o meu livro de crônicas “Causos Amazônicos”, 2ª. Edição em Manaus e em Parintins. Ele não só aquiesceu ao projeto como teve papel crucial para o lançamento do livro em Manaus, por sua amizade com o dono da Livraria Valer, onde o livro foi lançado no dia 5 de junho de 2015. Agora, por uma dessas ironias da vida, o May não pode comparecer ao lançamento em Manaus, o que era propósito dele e expectativa minha. Ele sofreu um infarto do miocárdio na madrugada daquele dia.




Recuperado do susto, graças a Deus, May entrou em contato comigo e garantiu-me que estaria em Parintins em julho seguinte, para prestigiar-me no lançamento em nossa terra natal. E cumpriu. Ele foi o primeiro convidado a chegar à ao local do evento, o que permitiu uma longa e prazerosa conversa.

Foi um “questionamento de afins”, nas palavras do mestre  Artur da Távola na crônica “Afinidade o sentimento que resiste ao tempo e ao depois”. O cronista afirma e eu concordo plenamente com a ideia de que, quando há afinidade não importa o tempo que passou. Quando os afins se encontram é como se o tempo não houvesse passado. O vínculo continua como se interrupção não tivesse ocorrido.

May e eu remexemos o baú de saudades. Fatos e pessoas de Parintins, algumas ainda vivas e outras já noutro plano de vida foram lembradas.  Ficamos tão à vontade que May me falou sobre familiares dele, muitos dos quais eu não cheguei a conhecer.

Órfão dos pais Antonio Prazeres de Freitas, conhecido como Antonio Presépio, e Iracema de Barros Freitas, May foi criado pelas tias conhecidas como as irmãs Freitas, todas ligadas ao magistério nas singelas escolas particulares da época em nossa cidade natal. Anna Gertrudes de Freitas, a famosa professora Annita Freitas, conhecida por sua rispidez mas que foi responsável pela educação de muitos cidadãos e cidadãs que dignificaram e dignificam nossa cidade. Anna Rita de Freitas (Annicota) gêmea de Annita e que cedo faleceu. Honorina Nília de Freitas, a Dona Nilia, minha professora. Luce Orion de Freitas, que além de tudo cantava no coral da então igreja matriz de Parintins, dedicada a Nossa Senhora do Carmo, hoje sede da paróquia do Sagrado coração de Jesus, em razão da construção da Catedral de Parintins, onde a Mãe do Carmo passou a ser homenageada.

May se emociona quando fala da tia Annita Freitas, em quem ele e o irmão mais velho, Yano, viam a figura da mãe que cedo partiu desta vida. A Professora Anita Freitas foi nome de Escola Pública em Parintins e depois “cassada”, tendo a Escola outro nome, se é que ainda existe. Ele lembra também com saudade do seu tio José Maria Alberto de Freitas, oficial de Marinha Mercante que morava no Rio de Janeiro. O tio Zé Maria era casado com Dora Goes, irmã do Sr. Raul que virou personagem de uma das crônicas contidas em meu livro Causos Amazônicos. Zé maria e Dora tiveram uma filha chamada Moema e criaram a irmã de May de nome Yara, que vive hoje no Rio de Janeiro.

Nossos reencontro e aprofundamento da amizade foram tão significativos que, no almoço do Círio do ano passado May esteve presente em minha casa. Evento que completará um ano no próximo domingo e certamente será lembrado.
  
À direita, May Freitas no almoço do Círio de Nazaré de 2015, em minha casa


É isso aí. Afinal, felizes são as pessoas que sabem construir vínculos. Melhor ainda é se saber "regar” amizades. O efeito disso é imponderável e vale mais do que qualquer riqueza material.


(editado em função de postagem no Facebook de 31 de outubro de 2015 sob o título MEU REENCONTRO COM MAY FREITAS). 

quinta-feira, setembro 15

O Contestado Amazonas X Pará, “Prato Cheio” para acadêmicos




          Poucos sabem que já houve uma Zona do Contestado entre o  Amazonas e Pará. Isto significa dizer que havia uma zona reclamada por ambos os Estados como parte integrante de seu território. A ignorância, no verdadeiro sentido da palavra, desconhecimento, acerca desse assunto e outros da mesma natureza se acentua especialmente entre pessoas de gerações mais recentes.

Mapa do Amazonas

Como nativo de Parintins, Amazonas, nascido em 1952, eu tenho na memória as conversas que ouvia na minha infância, entre meus familiares e amigos de meu falecido pai, Octacílio José Pessoa Ferreira, sobre assuntos “lá do contestado”.

          Essa Zona Contestada era na região do baixo rio Nhamundá que serve de limite entre Pará e Amazonas. O baixo rio Nhamundá é uma região de  muitos paranás, igarapés e muitos lagos, como o lago do Nhamundá, Aduacá, Cutipanã, Uruá, Curiá, Xixiá, Aminaru, Siriberu e tantos outros. A Zona Contestada centrava-se no lago do Aduacá, com suas particularidades de Aduacá de Cima, Aduacá do Meio e Aduacá de Baixo e ainda o lago do Cutipanã, onde meu pai começou sua vida de comerciante, antes de mudar-se com a família para Parintins, polo de influência da região.

Mapa do Pará

Tomei conhecimento de uma particularidade interessante a respeito da solução do Contestado Amazonense/Paraense. Foi num bate-papo de varar madrugada com meu primo Hermes Pessoa, médico veterinário radicado em Parintins e um estudioso de temáticas amazônicas. A disputa entre Amazonas e Pará teria se resolvido por dois irmãos da família Pessoa.
          Oriundos de Sobral, no Ceará, eram eles Sérgio e Inácio Pessoa. O primeiro muito cedo migrou para o Amazonas e se tornou um dos mais influentes políticos naquele Estado. Foi vereador, deputado, prefeito de Manaus, presidente da Junta Comercial, provedor da Santa Casa de Misericórdia e presidente do Banco do Amazonas. Hoje é nome de rua na capital amazonense.
Sobre Inácio Pessoa pouco se sabe. O que é certo é que cumprindo a saga dos nordestinos migrou para o Pará onde também fez carreira política. A informação que se tem, sem comprovação dos fatos, é que na solução do contestado as discussões foram conduzidas por Sérgio Pessoa zelando pelos interesses do Amazonas e Inácio Pessoa defendendo o estado do Pará.
 O conhecimento dessa possível realidade histórica envolvendo dois irmãos da família Pessoa de pelo menos três gerações antes da minha, não me fez orgulhoso. Só acentuou minha curiosidade acerca dos meandros das discussões e dos fatores que induziram a solução da questão.
Quando se pesquisa o assunto “Contestado” na Internet, encontram-se diversas matérias sobre o contestado mais famoso do Brasil, o que envolveu o Paraná e Santa Catarina. E uma ou outra menção a contestados do sul e sudeste. Nada existe acerca de contestados de outras regiões, como o que envolveu Amazonas e Pará.
Tomando a atuação desses meus dois parentes distantes apenas como um possível lance pitoresco da História, acho que o Contestado entre Pará e Amazonas é assunto que merece ser estudado em profundidade, constituindo-se num “prato cheio” para produção de tese acadêmica.

Fica a sugestão para pesquisadores da área de Sociologia, História ou Geografia da Amazônia.

(editado a partir da postagem no Facebook, de 6 de agosto de 2015, sob o título“Solução entre Pessoas)


quarta-feira, julho 6

“CAUSOS AMAZÔNICOS” CHEGA AO PERU MUITO BEM ACOMPANHADO



     

          O "Causos Amazônicos" 2a. Edição Será apresentado na Feira de Livros que ocorrerá durante o V Colóquio Internacional de Literaturas Amazónicas/CILA, em Lima/Peru, de 14 a 16 deste mês de julho.

          O CILA visa incrementar a literatura produzida na Pan-Amazônia e foi realizado pela primeira vez há cinco anos, em Lima, capital do Peru. A partir da segunda versão passou a homenagear um escritor relevante das letras amazônicas. O homenageado deste ano é Juan Rodríguez Pérez, um escritor que criou um universo próprio ambientado no alto Hualga, região de San Martin e nos setores mais degradados da cidade de Lima. É um escritor nato de estética pessoal cujo universo literário é um dos mais ricos da literatura peruana contemporânea.

          No Colóquio, o Professor da UFPA, Pós Doutor, poeta e escritor Benilton Cruz comunicará uma pesquisa sobre Mário Faustino. Mais precisamente as vozes dos romanceros no poema de Faustino, O Romance, inserido no livro o Homem e sua Hora, de 1955. Nesse poema há muitos traços da musicalidade dos romances em versos da bela tradição ibérica dos romanceros (Espanha) romanceiros (Portugal), pequenos poemas narrativos em versos, rimados e metrificados cujo conteúdo gira em torno do amor e sua natureza trágica, diz Benilton.
          

Na Feira de Livros do V CILA, o intelectual paraense apresentará seu novo livro “Espólios para uma Poética- Lusitanias Modernistas em Mário de Andrade”, recém-lançado pela Paco Editorial de São Paulo, e o “Causos Amazônicos”, 2ª. Edição, de minha autoria, editado pela Paka-Tatu, de Belém do Pará, que lá ficarão disponíveis para venda.




           Em Espólios para uma Poética- Lusitanias Modernistas em Mário de Andrade” Benilton comprova que por detrás do experimento modernista existe a legitimação do português como língua de prestígio, rememorada da época de expansão do longo século XVI, - língua essa que não vem sozinha em seu destino de desbravar a continentalidade brasileira - ela recupera e acende o veio cultural lusitano que vai se somar ao conjunto das outras tradições da multiculturalidade brasileira.

          

            



Como fez no Café Santa Cruz, de Coimbra, Portugal, em novembro do ano passado, Benilton apresentará ao público do V CILA, o Causos Amazônicos, de que ele enfatiza “essa linguagem utilizada por Octavio, ainda muito impregnada dos primeiros colonizadores portugueses que foram conquistadores, navegadores, gente de coragem na travessia ao Novo Mundo, e isso com certeza a língua portuguesa não esquece”. Refere-se Benilton a termos do homem simples da Amazônia que eu uso até por ser um deles, “ilharga” por exemplo, que na sua singeleza  remete à linguagem dos navegantes e colonizadores.



A apresentação por Benilton da obra e do autor do livro “Causos Amazônicos” naquele tradicional espaço onde se reúne a fina flor da intelectualidade portuguesa facilitou sobremaneira minha comunicação com o público após a apresentação e também, nos diálogos posteriores. 
  
Benilton e eu poderemos estar juntos na próxima edição do CILA e, como ele diz e eu concordo plenamente “agora vamos conquistar literalmente a literatura Pan-Amazônica”.


sábado, julho 2

ESSAS MULHERES MARAVILHOSAS


(Artigo publicado originalmente no Facebook , 21 de maio de 2016)

          Interessante. O recém-empossado presidente da República escolhe um ministério exclusivamente masculino e reduz o status da Cultura na esfera federal, que deixou de ser um Ministério e passou a ser uma Secretaria dentro do ressuscitado MEC- Ministério da Educação e Cultura, um péssimo exemplo para os Estados e Municípios. Enquanto isso mulheres de diferentes faixas etárias dão show, marcam gols nos mais diversos campos do conhecimento, inclusive na Cultura. Três exemplos contemporâneos, com gente da Amazônia. 

Marília Emmi
          
       A professora, socióloga especializada em imigração internacional para a Amazônia, Marília Emmi, que teve sua primeira incursão na ficção, o conto “Letizia”, selecionado para integrar a Antología de contos escritos por mulheres sobre imigração italiana, foi convidada a estar presente no lançamento da Antologia, durante a Bienal do Livro de São Paulo, de 25 de agosto a 4 de setembro e, ainda este ano estará em Roma para o lançamento italiano da Antologia.
         



Geni Begot
          A pedagoga, professora, poeta, escritora e agitadora cultural Geni Begot realiza o “Chá Cultural” da Escola Otávio Meira, da cidade de Benevides, do Estado do Pará, é homenageada pelos seus pares, pelos alunos e servidores da Escola e com sua iniciativa, realizada pela terceira vez, homenageia poetas e escritores, proporciona oportunidade aos alunos exercerem sua criatividade, na música, na poesia, na dança, na encenação de poesias e crônicas. Um espetáculo emocionante. Um marco na história da Escola Otávio Meira, da Cultura e da Educação, no Estado do Pará. Tudo é possível ser feito quando se tem Amor pelo que se faz.
          A engenheira de alimentos Luciana Centeno tem seus méritos reconhecidos por sua competência profissional e sua dedicação ao magistério e ao empreendedorismo, o que lhe rendeu o carinhoso título de Girl Power (garota poderosa) pelo programa “Empreendedorismo, curta essa ideia”/ Universitec, da Universidade Federal do Pará. Luciana, aos 26 anos tornou-se PHD em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Cornell University/EUA. Isso sem ter vínculo com a UFPA, onde formou-se Engenheira de Alimentos aos 21 anos, e sem bolsa do CNPQ. Sua pós-graduação em Universidade americana “de ponta” deveu-se ao currículo que Luciana montou ao longo de sua graduação, buscando conhecer o lado prático da profissão, durante os períodos de férias. Na Cornell fundou o Chocotec e após fundar o Clube de Empreendedorismo da UFPA, tornou-se professora do Curso de Gastronomia da UNAMA- Universidade da Amazônia e, no ano passado realizou seu grande sonho. Após a vitória de seu projeto no Prêmio Samuel Benchimol de Empreendedorismo Sustentável, convidou a colega Camila Travassos Bastos, doutora em Engenharia de Alimentos pela UFPA para criarem a NAYAH Sabores da Amazônia, Delícias da Natureza, empresa que tem como princípios a responsabilidade com o desenvolvimento sustentável e a extração consciente de matérias-primas amazônicas. E mantém intensa parceria com os produtores artesanais do chocolate feito com cacau da Amazônia.

Luciana Ferreira Centeno
          Afinal, quem está na contramão da História? Essas mulheres maravilhosas ou o presidente da República e seu governo?

terça-feira, dezembro 15

BOAS PERSPECTIVAS PARA INTERCÂMBIO ENTRE BELÉM E CIDADES PORTUGUESAS


           
Óbidos, Vila Litrária situada dentro de uma fortaleza medieval.

       A recente decisão da UNESCO,  Organização das Nações Unidas para a Educação , Ciência e Cultura, de reconhecer Belém como “Cidade Criativa de Gastronomia” e Óbidos, de Portugal como “Cidade Criativa de Literatura” somada às vivências na recente estada em terras lusitanas para lançar meu livro “Causos Amazônicos” levam-me a acreditar que estão criadas condições para maior aproximação entre Belém e o próprio estado do Pará com cidades portuguesas.  

      Com as “Redes de Cidades Criativas” a UNESCO estimula o desenvolvimento social, econômico e cultural de cidades dos países desenvolvidos e em desenvolvimento comprometidas com a criatividade. O que vai ao encontro do objetivo daquela agência internacional de incentivar a diversidade cultural e o desenvolvimento sustentável e socialmente justo. E cidades contempladas tem sua projeção internacional significativamente ampliada.  
  
Belém foi reconhecida em razão da criatividade comprovada no seu empreendedorismo gastronômico.  O reconhecimento de Óbidos se deu em face de um projeto que valoriza seu patrimônio cultural e programas e atividades voltados para o livro e a literatura.  Estive nessa Vila Portuguesa, sede de um município de aproximadamente  2.200 habitantes, situada dentro de um forte medieval, no distrito de Leiria, no Centro de Portugal.


Em Óbidos fui recebido pela Vereadora da Cultura, Celeste Afonso que me colocou a par de detalhes do FÓLIO, Festival Internacional de Literatura de Óbidos,  realizado entre 15 e 25 de outubro deste ano, com a temática “a literatura nos países de expressão portuguesa”. O suceesso desse evento foi determinante para o reconhecimento de Óbidos como Cidade Criativa de Literatura”. O FÓLIO é a materialização de um projeto que visa o envolvimento de pessoas e patrimônio num processo em que a literatura funciona como alavanca de desenvolvimento econômico e social num território criativo. Ficou evidente a  importância da presença de autores paraenses na edição do FÓLIO de 2016, em fase de preparação. Assunto esse que já vem sendo tratado em Belém pelo amigo poeta e escritor Cláudio Cardoso, missionário da Literatura brasileira produzida na Amazônia, a quem hipoteco integral apoio.

Abro aqui um parêntese para explicar a expressão Vereadora da Cultura. Sendo Portugal um país parlamentarista, o Poder prevalente é o Legislativo, o parlamento, que na esfera mais próxima do cidadão é representado pelos Concelhos (com “ce” mesmo) Municipais, em que cada Vereador é responsável por uma das áreas da administração pública.


Percorri com Celeste Afonso as livrarias da Vila Literária de Óbidos, projeto que alia o Município e uma empresa do ramo específico da Literatura, a Livraria Ler Devagar, no sentido da reconstrução e expansão das possibilidades de reabilitação urbana e desenvolvimento econômico.  É indescritível a sensação de se ver livros convivendo com frutas em caixotes num mercado municipal, com  garrafas de vinho numa adega, em perfeita harmonia. E mais ainda, uma Igreja transformada em Livraria, a  Igreja de Santiago que não mais funciona como templo religioso. A pia que um dia foi batismal hoje está cheia de livros. Uma metáfora, a meu ver, do necessário “batismo cultural” do homem para ele tornar-se efetivamente um cidadão. 
  
Celeste Afonso falou-me também sobre o Festival Internacional do Chocolate de Óbidos, outro exemplo da criatividade de uma cidade que não tendo indústria chocolateira realiza um Festival Internacional de Chocolate há treze anos. Feito na primavera, a esse Festival comparecem chocolaterias de diversos países e nele são realizadas atividades lúdicas com chocolate, envolvendo o público visitante e a população local. Contou a Vereadora que o secretário de agricultura do estado do Pará, Hildegardo da Silva Nunes, esteve em Óbidos este ano e sinalizou a presença da  indústria chocolateira do Pará nas próximas edições do Festival Internacional do Chocolate de Óbidos.




          Iniciativa elogiável porque o Theobroma Cacao, nome científico do fruto da família Malvaceae é originário da bacia amazônica. Os exploradores portugueses desde sua chegada à Amazônia coletaram o cacau entre as “drogas do sertão” e o cultivaram principalmente nos sítios da calha do rio Amazonas e seus afluentes, no período que ficou conhecido como Ciclo do Cacau.  No século XVIII, sementes de cacau foram levadas e plantadas na região do Recôncavo Baiano, passando a Bahia a dominar a industrialização básica do chocolate, que é a transformação da amêndoa do cacau na pasta básica do chocolate. Considero crucial a verticalização da indústria cacaueira na Amazônia, desde a etapa inicial  até a final,  a transformação da pasta básica do chocolate nos produtos acabados. E também, que o chocolate produzido na Amazônia seja presente em todos os eventos mundiais do produto.


     Foi com muita satisfação que autografei um exemplar do livro “Causos Amazônicos”2ª. Edição para a vereadora Celeste Afonso. Autografei mais exemplares e outros ficaram consignados nas diversas livrarias da Vila Literária de Óbidos.
   
Noutras cidades portuguesas vivi experiências semelhantes à de Óbidos.  Porto, por exemplo, onde o lançamento do livro se deu durante um jantar da Unicepe- Cooperativa Livreira dos Estudantes do Porto. Alí se reúnem os associados da Unicepe para degustar um típico jantar lusitano, trocar idéias com o autor convidado, adquirir suas obras e participar de  saraus que avançam noite a dentro.

         Em Aveiro, o Vereador da Cultura Miguel Capão Filipe me deu as boas vindas e o lançamento foi no Chá das 5 do tradicional Hotel Moliceiro. O Chá das 5 do Moliceiro, idealizado pela proprietária do hotel, Sra. Cristina Durães, uma apaixonada pela Cultura, estimula a realização de saraus e o eventos culturais. Parte da programação foi transmitida ao vivo pela Rádio Terra Nova FM, a quem concedi entrevista. 


      Em tour pela cidade,  estive na “Rua de Belém do Pará, Cidade Irmã”. Já sabia dessa geminação entre Aveiro  e Belém do Pará , mas eu não tinha idéia do interesse dos aveirenses na efetivação desse  vínculo e do quanto o casario da Cidade Velha de Belém lembra o casario da cidade lusitana. Não tivesse Antonio Lemos, Intendente de Belém no início do século passado, aterrado os diversos igarapés que entrecortavam a capital paraense, maior seria a semelhança de Belém com Aveiro e suas Rias, onde os barcos moliceiros transportam hoje os turistas mas noutros tempos coletavam o moliço, algas que havia nas rias e que serviam de adubo orgânico para a agricultura.   




As Rias de Aveiro são canais que resultam do recuo do mar com a formação de cordões litorais que a partir do século XVI formaram uma laguna, um dos mais importantes e belos acidentes geográficos da costa portuguesa. Para o amigo professor Benilton Cruz, que fez seu Pós-Doutorado na Universidade de Aveiro, essa é "Uma das mais belas cidades. E seus habitantes chamam de ‘Ria’ aos canais de Aveiro, uma palavra no feminino, pronúncia que encanta". 


Benilton fez minha apresentação em Coimbra, onde hoje realiza estudos, após a conclusão de seu pós-Doutoramento. A  apresentação foi no Café Santa Cruz, onde se reúnem a intelectualidade, os alunos e professores da mais famosa Universidade de Portugal, para degustar um bom vinho ou um gostoso café, assistir a saraus, ouvir os tradicionais fados e “jogar conversa fora” com os visitantes. Benilton enfatizou aspectos do meu estilo e termos que emprego em minhas crônicas que eram usados pelos navegadores lusitanos e que foram incorporados e mantidos pelo homem simples da Amazônia, que resgato e registro nos Causos Amazônicos.  

Em todos os lugares onde estive, inclusive Estarreja, às proximidades de Aveiro, foi unânime o interesse das pessoas num intercâmbio mais próximo e frequente com a nossa cultura. Em minhas falas eu sempre enfatizei a importância do contato com a Literatura brasileira de expressão Amazônica, até por que o projeto de país que o Reino de Portugal tinha para as terras brasileiras era aqui no Norte, com a capital em Belém. E a antiga Província do Grão Pará e Rio Negro foi a última unidade brasileira a quebrar seus vínculos com a Coroa Portuguesa, sendo muito evidente na cultura, na arquitetura de Belém e nas nossas tradições a presença da cultura lusitana. 

   A iniciativa da UNESCO de reconhecer Belém como “Cidade Criativa de Gastronomia” e  Óbidos de Portugal como “Cidade Criativa de Literatura” somada ao interesse de Aveiro em incrementar o contato com sua Cidade Irmã, Belém do Pará, são fatores definitivos para a retomada e incremento dessa aproximação. Tudo depende, penso eu, da mobilização dos setores interessados, os intelectuais, escritores e poetas, da sensibilidade dos Poderes Públicos e do apoio da iniciativa privada. Instrumentos há. É uma questão sabermos utilizá-los.


Brinde com Ana Lúcia Araújo no Restuarante Passaporte, em Coimbra




segunda-feira, agosto 17

CÂNCER E SUPERAÇÃO




          Há cinco anos um grande amigo meu, daquele tipo que está mais pra irmão do que pra amigo, o desembargador federal do trabalho José de Alencar escreveu em seu blog o primoroso artigo “VENCENDO O CÂNCER”. Nele Alencar fala sobre o índice da incidência da doença, os exames que sinalizam e os que confirmam a existência do câncer de próstata, reflete sobre o preconceito machista ante o toque retal, desmistifica esse toque e evidencia a necessidade desse exame no tratamento do câncer de próstata em seu estado inicial.

      Foi na postagem de 3 de setembro de 2010 do Blog do Alencar. Onde ele narra a experiência que viveu no tratamento cirúrgico do câncer de próstata, confessando que foi submetido dias antes à extração radical daquela glândula do corpo masculino. Ele descreve desde as as medidas pré-operatórias, o tratamento no hospital e em casa, registra a importância da fisioterapia no pós-operatório e o fator crucial do apoio que recebeu dos familiares e conclui dizendo que o câncer o colocou “cara a cara com a finitude da vida, da qual passei a ter, reconheço, outra compreensão, outra visão. Valorizo cada instante, por mais simples e singelo que seja. Como faziam os antigos, carpe diem...”.

          Ele agradece a seu médico urologista, Dr. Júlio Bernardes e a todos os médicos e paramédicos que o assistiram, acrescentando que se um dia fosse escrever suas memórias, o capítulo referente a 2010 teria certamente por título “O Ano do Câncer” e conclui dizendo “Resolvi tornar pública esta experiência para ajudar os homens que tinham dúvidas sobre o toque retal. Alguns são salvos pelo gongo, outros pelo toque retal...foi o meu caso. E pode ser o seu, meu caro amigo”.

          Hoje meu amigo-irmão Alencar vive uma vida tranquila como qualquer homem. “Tira de letra” os momentos difíceis que qualquer um de nós tem na vida e como de seu feitio, encara desafios pouco comuns. Voltou recentemente de uma longa viagem em sua potente Harley Davidson, que começou em Manaus, atravessou o norte da América do Sul, a América Central, a América do Norte e chegou ao círculo polar ártico.   

          Em http://blogdoalencar.blogspot.com.br/2010/09/vencendo-o-cancer.html, você lê todo o artigo do Alencar e o câncer. Vale a pena ler.

        Parafraseando o Alencar, “Por que todo esse lero?”

        Porque este amigo de vocês, nesta terça-feira, dia 18 de agosto de 2015, vai encarar o mesmo desafio que o Alencar enfrentou na terça-feira, dia 17 de agosto de 2010, uma cirurgia radical de próstata.

    Passei por todas as etapas prévias descritas pelo Alencar, submetendo-me a todos os exames necessários. Pra minha felicidade como o foi para o Alencar, meu câncer está em sua fase inicial e localizado unicamente na próstata. Assim, tanto quanto se deu com ele, tenho certeza de que será apenas mais um desafio que superarei com a mesma firmeza e determinação que superei o trauma do acidente sofrido no Uruguai, no início deste ano, quando tive implantada em meu fêmur direito uma haste de titânio e hoje me desloco como se não tivesse sofrido o acidente.

          Quando eu estava acamado em razão do acidente no Uurguai, me via sempre no depois da cirurgia, realizando minhas metas para 2015. Uma técnica de que tomei conhecimento ao ler sobre Viktor Frankl e a Logoterapia, linha psicanalítica desenvolvida por Frankel que se fundamenta na busca do sentido da vida. É a chamada Terceira Escola Psicanalítica de Viena. A Primeira é a de Freud, que se fundamenta na busca do prazer. A Segunda a de Adler que visa o alcance do Poder. Para Frankel o importante é o homem saber por que ele está neste mundo, qual a sua missão na passagem por esta vida. Quando alcança esse estágio, tudo faz sentido em sua Vida. O interessante é que Frankl sofreu os horrores do holocausto e teve oportunidade de aferir em si próprio e em seus parceiros de infortúnio a validade de suas conclusões. Ele narra que a pergunta que se fazia era "qual o sentido de eu estar vivendo isso?" em vez de se lamentar das condições sub-humanas que presenciou e vivenciou. Terminada a guerra, ele migrou para os Estados|Unidos, onde se radicou e desenvolveu seus estudos e onde sua linha psicanalítica floresceu.

    Muitas das metas que eu visualizava realizadas, naquele momento complicado da minha vida, já estão concretizadas. Mas há outros objetivos ainda por materializar. Eu tenho certeza de que isso vai acontecer. Em primeiro lugar pela absoluta crença em Deus, especialmente após a superação de momentos difíceis por que passei. Some-se a isso a plena confiança, na competência, na ética, no humanismo cristão de meu médico, Dr. Júlio Bernardes e sua equipe e também, na vibração positiva e nas orações dos amigos e amigas.

         Quero sim após a experiência da cirurgia prostática, continuar valorizando  “cada instante, por mais simples e singelo que seja”, como narra Alencar em seu artigo, também concorrer para a superação do preconceito contra o toque retal ainda presente nos machistas empedernidos que talvez não tenham muita convicção de sua masculinidade, como diz o Alencar, e também enfatizar a importância de cada um e cada uma ter bem nítidos seus objetivos de Vida e, mesmo nos momentos difíceis, aliás  principalmente neles, nunca perder de vista o que os move nesta existência.

          Minha cirurgia será como eu disse, nesta terça-feira, dia 18 de agosto. Ficarei hospitalizado por cinco dias e depois mais trinta dias em repouso em casa. Voltarei ao convívio inclusive virtual com vocês, depois desse período (ou quem sabe, antes rsrs).

Mais sobre Logoterapia:

http://www.osentidodavida.com.br/a_logoterapia_e_o_sentido_da_vida.html

terça-feira, julho 21

SANTO DE CASA FAZ MILAGRE SIM. “Causos Amazônicos” 2ª. Edição em Parintins.

Vereador Nelson Campos preside a Sessão. O presidente da Câmara dos Vereadores  Everaldo Batista  (blazer preto) representa o Prefeito de Parintins Carlos Alexandre Ferreira da Silva. 

       
       
        A lógica do adágio popular “Santo de casa não faz milagre” foi revertida no lançamento do livro “Causos Amazônicos” 2ª. Edição em minha terra natal, Parintins, Amazonas. Realizado no plenário da Câmara dos Vereadores, o evento foi prestigiado por populares e autoridades e os oitenta exemplares enviados para o lançamento foram vendidos.


No programa do comunicador Enéas Gonçalves
      Atribuo o sucesso do evento ao trabalho de marketing realizado antes do lançamento, mediante consulta a amigos, familiares  e formadores de opinião do local, sobre a visão deles quanto ao lançamento do livro em Parintins. Ante o retorno positivo a mobilização foi acentuada. O evento ocorreu em local adequado em termos de espaço e climatização, numa cidade conhecida por sua temperatura elevada. No pós-venda  agradeci pelos meios de comunicação, aos conterrâneos que prestigiaram o lançamento e os estimulei a me enviarem argumentos para textos futuros, pois Parintins é um celeiro de temas e personagens para obras literárias, como eu disse ao primo Hermes Pessoa em batepapo de varar madrugada, no Botequim da Ilha. 


No "Papo Legal", do amigo Marcos Tavares
               Chegado à cidade no dia 5 de julho, desde então em paralelo com o prestígio aos eventos da festa da padroeira, Nossa Senhora do Carmo (6 a 16 de julho) e os eventos em família, visitei todas as emissoras de rádio e televisão, bem como fui entrevistado pelos jornais impressos e eletrônicos locais, enfim fiz o papel de “Camelô da própria obra”, como diz o amigo escritor Paulo M. Nunes. Assim, no dia 13 de julho quando se deu o lançamento, estava criado todo um “clima” favorável. Muita gente querendo conhecer a totalidade da obra, vez que uma ou outra crônica já havia sido lida ou comentada nos programas de rádio e TV.

 
Narcizo Picanço
  Fui saudado pelo Presidente da Academia Parintinense de Letras, Narcizo Picanço, que enfatizou o orgulho da Academia em falar sobre um parintinense que nos seus escritos, fala de sua terra e de sua gente e destacou a crônica “Te manda porre, lá vem o chato”, cheia de passagens engraçadas mas verdadeiras, disse o imortal. Saudação que se deu após a abertura da sessão pelo vereador Nelson Campos, no exercício da Presidência da Casa. O presidente da Câmara dos Vereadores Everaldo Batista representou no ato o prefeito de Parintins, Carlos Alexandre Ferreira da Silva, ausente da cidade naquela data.

        
D. Giuliano Frigeni 

       O bispo diocesano de Parintins, Dom Giuliano Frigeni agradeceu minha iniciativa de doar a receita arrecadada no lançamento do “Causos Amazônicos” 2ª. Edição à Escola de Áudio Comunicação “Padre Paulo Manna”, que é voltada para os deficientes auditivos, hoje acolhendo portadores de necessidades especiais de toda ordem, que é mantida pela Diocese de Parintins e foi criada por inspiração do primeiro bispo, Dom Arcângelo Cerqua.

          
       Em minha fala agradeci a todos que concorreram para que o lançamento acontecesse e disse da imensa satisfação de retornar à minha terra tantos anos após dela ter-me ausentado para levar, com a minha literatura, um pouco do que absorvi ao longo dessa ausência e também, a profunda emoção de poder ajudar uma Instituição que tem função social tão importante. Citei Leon Tolstoi que diz “Se queres ser universal começa pintando tua aldeia”. Mesmo não tendo sido esta a minha pretensão quando comecei a escrever, percebo que realizo literatura brasileira de expressão amazônica em que temas universais como as realizações e frustrações humanas, o pitoresco, as crendices e valores e os sentimentos do homem simples da Amazônia estão presentes, tudo isso “com humor e enternecimento com a comédia humana” como afirmou o professor Oswaldo Coimbra, em seu comentário na primeira edição do “Causos Amazônicos”. 


Educadora Eleonora Jacaína Martins

 Gratificante foi a homenagem a mim prestada na Escola “Padre Paulo Manna”, na visita em que concretizei a doação, passando o valor arrecadado às mãos da diretora em exercício, professora Eleonora Jacaúna Martins, vez que a titular Maria Zilda estava em Manaus cuidando da saúde dela. No encerramento da homenagem fui brindado por professores e alunos com um belo e expressivo quadro pintado pelo menor autista João Marcos Vieira Machado, que vai decorar meu escritório de trabalho para o resto de minha vida.


Compartilho a homenagem com minha companheira de sempre Ana Celeste

          

       Ainda no lançamento do livro, esteve presente o amigo dos velhos tempos Valdir da Fonseca Dias, filho e sucessor do Sr. Enéas Dias, meu padrinho de Crisma, que foi por anos e anos dono da Livraria Andorinha, em Parintins. O Pescada, esse é o apelido do Valdir desde sempre, enfatizou em conversa comigo “este livro é de uma leitura e compreensão fácil e cai com certeza na aceitação das pessoas do povo”. Vislumbramos naquele momento possibilidade de negociação.


 
Despachando os livros de Manaus para Parintins
  No dia seguinte levei à casa do Pescada minuta de um contrato de venda de obra literária e o firmamos debaixo do caramanchão da casa do hoje comerciante aposentado que continua vendendo bons livros, segundo ele, por apego ao ramo de negócio e pela longa experiência na seleção de títulos. De passagem por Manaus retirei parte dos exemplares que se encontravam em estoque na Livraria Valer, da capital amazonense onde lancei o livro no mês de junho, e os enviei para Parintins. 

         
         Assim, minha terra natal tem a partir de agora um vendedor representante, que colocará o “Causos Amazônicos” 2a. Edição e minhas obras futuras, em Parintins e outras praças de sua zona de influência.

Sessão de Autógrafos no hall do plenário