domingo, julho 15

“CAUSOS AMAZÔNICOS”. Sobre o lançamento e como comprar.



              “Planta uma árvore, tem um filho e escreve um livro, para seres um homem completo”, diz um adágio popular. Pra mim, só a morte nos completa. Mas, após ter plantado muitas árvores e ter tido um casal de filhos, foi indescritível o que senti no lançamento do meu primeiro livro, o “Causos Amazonicos”.

 Escrever um livro é comparável à gestação de um filho, acredito. Mesmo quando se trata de uma coletânea de crônicas, pois não basta apenas compilá-las. A edição é um processo cheio de tensão, angústia e transpiração. E, por maior que seja o cuidado, alguma falha sempre é possível. E raramente não acontece.



       


Ver o livro pronto é como ver o filho recém-nascido. E o lançamento é alguma coisa parecida com a festa de batizado ou, sei lá, a apresentação da criança aos parentes e amigos. Há quem veja na noite de autógrafos uma demonstração de vaidade. Eu penso diferente. Toda realização deve ser festejada. 





Por isso, no dia 21 de junho passado, quando foi lançado o “Causos Amazônicos”, eu estava realmente muito contente. Compareceram amigos que há tempos eu não via. Parentes prestigiaram o evento, como o meu primo José Maria Pessoa e sua filha, Artemiza, que vieram  de Parintins, minha terra natal, especialmente para a noite de autógrafos. Como diz o Roberto, “são tantas as emoções”. É gratificante você sentir as pessoas compartilhando de sua felicidade. E eu agradeço a todos que compareceram.




Setenta e dois exemplares foram vendidos naquela noite e, a esta altura, quase duas centenas já foram vendidos, somando-se as vendas de livrarias de Belém e os adquiridos diretamente de mim, por amigos de Belém ou de outras cidades. Há casos como o do amigo Artur Piedade, aqui de Belém e o do companheiro, Eliseu Mendes Barbosa, do Rio de Janeiro, que, após o primeiro exemplar, adquiriram mais dez exemplares, para brindar os amigos.



Até o momento, o “Causos Amazônicos” é encontrado, em Belém, na livraria da editora Paka-Tatu (Travessa 14 de Março, entre Diogo Moia e Oliveira Belo), na  livraria da Fox Vídeo da Rua Dr. Moraes (entre Avenida Conselheiro Furtado e Rua dos Mundurucus), na livraria Ná Figueiredo, do mezanino da Estação das Docas e, brevemente, nas livrarias Newstime. O preço em Belém é R$ 25,00

Cuido agora, da distribuição para outras capitais. Enquanto isso não acontece, pedidos podem ser feitos diretamente ao autor, pelo e-mail octaviopessoa8@gmail.com , informando o endereço de entrega e comprovando o depósito, na conta 175.187-5, Agência 4451-2, do Banco do Brasil, do valor de R$ 30,00. Preço válido para qualquer lugar do Brasil.



quinta-feira, maio 31

“Causos Amazônicos” será lançado no dia 21 de junho.



           Definido. O lançamento do livro de crônicas, de minha autoria, “Causos Amazônicos” será lançado na quinta-feira, dia 21 de junho. O horário e o local serão os mesmos que estavam previstos inicialmente, para o dia 26 de abril: a partir da 19 horas, na livraria da Fox Vídeo, da Dr. Moraes.
            O lançamento não se deu naquela data, em razão do acidente doméstico que sofri, no dia 16 de abril, com fratura do tornozelo direito. A mais recente radiografia revela que o osso fraturado, fíbula (antigo perônio), já está 100% consolidado, tendo meu médico ortopedista, Dr. Hilmar Tadeu, autorizado a realização de fisioterapia digamos, hard, ou seja, em pé. Antes eram exercícios feitos no meu pé, comigo deitado ou sentado na cama, pelo competente fisioterapeuta Hugo Figueiras, que “já disse a que veio”.
            Como tenho certeza de que, no decorrer do mês de junho estarei me locomovendo, retomei as estratégias de  lançamento do livro, articulando com meu editor, Armando Alves Filho, diretor da Paka-Tatu e com a Deborah Eluan, da Fox Vídeo. Ficou assegurada a data de 21 de junho, para a noite de autógrafos.
O “Causos Amazônicos”, além da recomendação da professora Amarilis Tupiassu, inserida em postagem anterior, contém também, na orelha direita, as opiniões do falecido professor Meirevaldo Paiva e do professor Oswaldo Coimbra:



“Surpreso estou eu com suas belíssimas crônicas sobre o cotidiano de Parintins ou de Belém. Gostei demais das primeiras que eu li e acredito que as outras estejam no mesmo nível de observação e de estudo das pessoas e do mundo.”
        Meirevaldo Paiva (in memoriam)

“Não sou crítico literário, mas o acúmulo de experiência em lidar com a produção de textos - meus e dos alunos das faculdades onde lecionei - me permite identificar várias qualidades nos seus textos. Eles são claros, escritos numa linguagem correta, dotados de humor - uma qualidade rara - e, sobretudo, expressam certo enternecimento com a ‘comédia humana’, o que certamente distingue quem é verdadeiramente um escritor.”

Oswaldo Coimbra

Nas ilustrações, você vê a capa do livro com a as informações do lançamento e a foto da contracapa, que contém o resumo de minha biografia.

            Aguardo por você, na Fox da Dr. Moraes, no dia 21 de junho.

            Octavio Pessoa            


sexta-feira, maio 11

O DIA DAS MÃES: Drumond, eu e Santo Agostinho.



       O “Dia das Mães” é uma data que mexe com qualquer um de nós. Os que ainda  tem  mãe viva e também os que ganharam um anjo junto ao Senhor, na figura da mãe, que passou para o outro lado da Vida. Este é o meu caso.

     Pesquisando uma poesia, para homenagear as Mães, encontrei esta de Carlos Drumond de Andrade: 


MÃE, para sempre: 

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.



          Li e reli diversas vezes e lembrei-me da mensagem que escrevi  e li aos presentes na Celebração da Esperança, no sétimo dia após a subida de minha mãe. Começo o texto, citando Drumond e encerro com um texto de Santo Agostinho, super adequado para fechar meu  texto, em que coloco exatamente o que penso da vida e da morte e ainda, deixo expresso quem foi a minha mãe, para mim e para todos seus filhos e filhas. Veja a mensagem:

Parentes e amigos,

O poeta Carlos Drummond de Andrade, num belíssimo poema sobre a lembrança daqueles a quem amava, imaginava-se num salão onde um banquete reunia todos os que já haviam partido e lhe eram próximos. Todos apenas esperavam por ele, inclusive sua filha única e muito amada, que ele descreve como “seu verso mais perfeito senão o único”

Penso ser da natureza deste mundo que nossos versos mais perfeitos também tenham que partir. Assim devemos encarar a Páscoa, a passagem da vida terrena para a Vida Eterna, ocorrida há sete dias atrás com a nossa querida mãe, YOLANDA PAULAIN FERREIRA- um grão de trigo que cumpriu a missão das Sagradas Escrituras, assim colocadas por João, capítulo 12, versículo 24 “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muitos frutos”.

Estas palavras de Jesus são mais eloquentes  que qualquer tratado. Revelam o segredo da vida. Não existe alegria de Jesus que não seja fruto de uma dor abraçada. Não há ressurreição sem morte. Jesus fala de si mesmo e explica o significado da sua existência. São palavras que dão sentido à nossa vida, ao nosso sofrimento, à morte quando chega, como chegou para a mamãe. 

A fraternidade universal pela qual desejamos viver, a paz, a unidade que queremos construir ao nosso redor é um vago sonho, uma ilusão, se não estivermos dispostos a percorrer o mesmo caminho traçado pelo Mestre.

E a mamãe teve uma vida frutuosa. Ela não foi só um grão. Morreu e se transformou numa árvore generosa que deu muitos frutos. O mais lindo de todos, a nossa família. Que sempre esteve ao lado dela, celebrando a Vida, até o fim. Ela será sempre exemplo para todos nós, seus descendentes e todos os que privaram de sua convivência. Sua ausência será sentida, mas sua memória permanecerá em todos nós que fomos tocados por aquela vida tão simples, tão linda, tão honrada, tão digna.

Caríssimos, precisamos seguir acreditando e esperando que Deus, Aquele que nos contém, nos anima e nos protege, que Ele opere o milagre do tempo, transformando nossa dor em saudade. E, como o poeta, acreditemos na existência daquele salão, onde cedo ou tarde, nos reuniremos mais uma vez com aqueles que amamos. Pois o Amor, esta força fundamental, nos permite transcender o tempo e o espaço.

Concluindo, tenhamos certeza de que, lá de onde a mamãe está, ela, sorrindo, confirma estas palavras de Santo Agostinho: 
             
“A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
Falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Orem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora de seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho....
Você que aí ficou, siga em frente,
Linda e bela, como sempre foi, A VIDA CONTINUA.”


sábado, abril 28

Todo Mundo. Sempre.


      Tive a grata satisfação de receber ontem, do meu amigo Roberto Carvalho de Faro, imortal da Academia Paraense de Letras e revisor de texto do meu livro "Causos Amazônicos", o e-mail que segue adiante, por meio de que ele me brinda com uma poesia feita quando vivia uma situação semelhante à em que eu estou agora. Valeu demais para mim. Obrigado, Roberto. Compartilho  agora, com você, leitor:


Meu caro Octavio,
Lendo o seu blog, no qual você se refere à parada forçada que teve que fazer, por conta do acidente doméstico, que o imobilizou temporariamente, lembrei-me de que anos atrás passei também por uma parada forçada, em razão de doença, precisando interromper minhas atividades profissionais e ficar em casa por vários dias.
Esses dias "parados", convalescendo, serviram-me para refletir sobre a vida. E foi assim que saiu o texto poético que vai em anexo.
Espero que lhe sirva de consolo.
Cuide-se e recupere-se logo.
abraços
Roberto.



Todo Mundo. Sempre


Sempre, não.
Exagero, parece.
Nada é tão sempre.
Mania essa de envolver todos, tudo.
“Todo mundo está de acordo”.
“É sempre assim”.
É muita gente para concordar, acho.
Eternamente? Sempre? Impossível.
Já uma discordância: não me incluo.
E tantas vezes agi diferente.
Fujo do sempre.
Então agora falo:
Observei gestos, atitudes.
Incongruentes muitos, muitas.
Plural mesmo a criatura.
Um, não se repete.
É vário cada vez.
Mas a água do rio é a mesma?
Mudando, mudando.
Só parece que é.
Então?
O antigo já viu isso, lá na Grécia.
Hoje parei, pensei.
Um pouco de doença,
 de só mal estar, atou-me em casa.
Vi o que não via.
As ruas, os compromissos, o relógio, cegaram-me.
E hoje vi.
Bastante um descanso no pátio.
Cacaueiro, cuieira, aceroleira.
Bambu, também.
Dois dias de descuido, e mudaram.
Folhas novas que não tinham.
Velhas que caíram.
O cacau mais de vez.
A cuia, casca mais dura.
Acerolas, só as verdes.
Vermelhas, no chão, caídas.
O bambu, duas hastes mais baixas, arriadas.
A natureza, no silêncio, mudando.
Onde estava que não vi?
Certo que lidando no sobreviver.
E precisava? me pergunto.
Tudo não está na ordem natural?
O passarinho planta, ajunta em celeiro?
O lírio.
Quem veste o lírio do campo?
Por que então eu, plantando, colhendo,
tecendo vestes?
E ocupado, o descuido em derredor.
Meu próprio quintal
 sem meu olho, mudando.
E eu, nem.
O que era de ver, não vi.
E dentro, debaixo da pele que não vejo?
Milhões de células desapareceram.
Máquina em desgaste.
O corpo não encorpa, fenece, dia pós dia.
Doença já não cura toda. Fica resto.
Nem que pouquinho, fica.
Remédio é lenitivo.
Efeito diminui, já não cura.
No pátio, cadeira de balanço.
Balanço do viver.
Que fiz, que não fiz?
Que devia, que não devia?
Saldo: positivo, negativo?
Quem julga?
Há juiz?
Entra a crença.
Cada um com sua fé ou sem ela.
Houve existência, bagagem de coisas.
Quem aproveita, se o dono vai?
Tudo em vão, perda de tempo?
A questão é essa.
Respostas somem.
Perguntas sobram.
Inquietação de monte.

Viver,
 invenção de quem?

Doença serve.
É exercício de questionar.
Periódicos balancetes para balanço final.
Saúde não condiz com avaliações sérias,
com inventários profundos.

Agora, sim.
Concordo.
“Todo mundo” passará por esta porta.
E “sempre”.



quinta-feira, abril 26

O VALOR DO INESPERADO

         
         Uma data que seria importante para você por um determinado fato que acabou não se realizando, pode tornar-se ainda mais especial para você?  Pode sim. Tudo depende de como encaramos o inesperado e do que fazemos com as paradas “forçadas” a que somos submetidos.

         Por exemplo, o dia de hoje, 26 de abril de 2012, quinta-feira, seria especial para mim, pois nele ocorreria o lançamento do meu primeiro livro de crônicas. Desde que ele ficou pronto, de comum acordo com o meu editor, Armando Alves Filho, “batemos o martelo” quanto à oportunidade dessa data, para o “Causos Amazônicos” vir a público. Interessante. Antes, eu havia cogitado de lançá-lo no dia 12 de abril. Particularidades do processo de edição me levaram a sugerir o dia 26. 

       Haveria mais tempo para fazer o marketing e adotar os procedimentos para o lançamento. Quem já passou pela experiência de escrever e editar um livro sabe o quanto é gratificante ver-se o fruto de sua inspiração e transpiração realizar-se. Na sexta-feira, dia 13 de abril, vi pela primeira vez o meu livro pronto e acabado. A emoção só é comparável ao nascimento de um filho. Pra mim, o “Causos Amazônicos” é o meu terceiro filho. Ali mesmo na Editora Paka-Tatu, fiz um pré-lançamento, ofertando ao meu editor e à sua esposa, Sandra, o primeiro exemplar do livro que foi retirado da caixa. 

         O fim de semana que se seguiu foi de muito contentamento. Oferta de exemplares às pessoas mais próximas, a começar pela minha esposa e também para as pessoas que nos auxiliam em nossa casa. Presenteei também, com um exemplar do livro, meu revisor de textos, o caboclo que nem eu, Roberto Carvalho de Faro (de Faro é uma homenagem à sua terra natal, Faro, no Oeste do Pará) e imortal da Academia Paraense de Letras. 

         Na segunda-feira, dia 16 de abril, eu estava “elétrico”. Começaria então, o “corpo a corpo”, a ação de marketing mais incisiva, visando o lançamento do livro. Com alguns exemplares dele e com alguns brindes remanescentes do meu aniversário de 60 anos que ocorreu no dia 8 de abril, meu plano era visitar emissoras de TV, a começar pela TV Cultura, onde já estava pautada minha participação no programa “Sem Censura Pará”, para um dos dias subsequentes. Visitaria também, os jornais diários e algumas emissoras de rádio. Atividade prazerosa para mim, que já fui locutor de rádio. 

         Eu descia, com livros e brindes numa caixa, a escada de acesso ao meu escritório doméstico, que eu subo e desço não sei quantas vezes por dia. Chegando ao final, “o chão me faltou”. Tudo indica que “baipassei” o último degrau. Fui violentamente ao chão, com estrago enorme sobre meus pés: torção no tornozelo esquerdo e fratura no direito. Resultado: até hoje e, pelo menos até a próxima segunda-feira, estou com o pé direito imobilizado, deslocando-me, somente para ir ao banheiro, com o auxílio de muletas. Segundo o médico, passada essa etapa da imobilização, virá a fase da bota ortopédica e de fisioterapia por não sei quanto tempo. 

        Passada a fase de providências médicas, vem a “queda da ficha”. Inevitável certa revolta, nos primeiros momentos – por que agora? Não haveria outra hora para isso acontecer? Logo agora, quando estou diante da realização de um sonho acalentado por tanto tempo? E os outros projetos que me exigem plenas condições de saúde para realizá-los? – Tudo isso machuca. É uma dor emocional. Depois vem a reflexão. Meu Deus! Tudo poderia ser pior. E se o impacto tivesse repercutido sobre a minha coluna? E se eu tivesse batido minha cabeça no degrau da escada? Não. Eu não posso me revoltar. Eu só tenho a agradecer pelo não ocorrido. E como já risquei de meu dicionário, há algum tempo a palavra coincidência, como yunguiano assumido, creio no inconsciente coletivo e na sincronicidade universal, convenço-me de que foi melhor que as coisas acontecessem como elas aconteceram. 

      Essas paradas forçadas servem também, para valorizarmos mais ainda, o que temos à nossa volta. Feliz é quem tem pessoas ao seu lado. Especialmente quando, qual uma criança, você depende da ajuda de alguém, para as necessidades mais simples da vida. E os amigos que te visitam? Um verdadeiro presente de Deus. É tão gratificante você receber pessoas nessas horas. E aí você reflete sobre a importância da sua presença junto aos seus, não só nos momentos difíceis, mas também e principalmente nos momentos de celebração de Vida. E também, dedicar algum tempo de sua vida a quem não tem ninguém, os que mais precisam. Começarei por uma pessoa que, por motivos diversos, optou por não mais sair de casa e vive praticamente só. Antes, minha intenção era mandar-lhe um exemplar do meu livro. Agora, decidi. Assim que puder, vou visitá-lo e entregar-lhe pessoalmente. Tenho certeza. Ele se sentirá muito bem. E eu muito melhor. 

      Realmente. Hoje seria um dia muito importante para mim, em razão do lançamento de meu livro, que não vai acontecer. Mas esse dia está sendo e ficará marcado para mim, porque nele, eu tive uma vontade irrefreável de escrever, coisa que eu tanto gosto de fazer, mas que estava temporariamente adormecida. E se assim é, nada melhor do que compartilhar com todos a minha experiência nesses dias de “parada forçada” e de profunda reflexão. O lançamento do livro? Fica pra mais adiante. Tenho certeza: será muito melhor. 

                                                                                     Octavio Pessoa

sábado, abril 14

CRÔNICA DOS SESSENTA



     Tudo pode render uma crônica. Como os momentos em que você, eu e minha família celebramos a VIDA, nesta noite.
    Comemoramos minha chegada aos 60 e a Celeste aos ... anos. Foi inevitável o contágio com a nossa felicidade e a de nossos filhos, Rodrigo Octavio e Luciana, que também compartilhou sua alegria pelo noivado com o Alex, que para nós já é da família.
     Constato, aos 60 anos, que os personagens desta crônica - os parentes e amigos – são o meu maior patrimônio. Um presente de DEUS.
     E este momento é de virada de página, literalmente. Mais uma década se tenta. Novos desafios. Quero todos ao meu lado.
    A primeira realização já se aproxima: o lançamento do meu livro “Causos Amazônicos”. Na quinta-feira, dia 26 de abril, a partir das 19 h, na Fox Vídeo, da Dr. Moraes. Espero por você!
                                                                         Octavio Pessoa.
                                                                         Belém/PA, 7/8 de abril de 2012


     
(Os presentes na comemoração dos meus 60 anos e os ... anos da Celeste, receberam de brinde uma miniatura de um carimbozeiro ou curimbozeiro, figura típica da cultura paraense. É o tocador de atabaque, um instrumento de percussão, nas rodadas de carimbó, dança típica paraense. O brinde foi confeccionado pelo artesão Jeferson.

Idealisticamente, o curimbozeiro chegou num regatão, barco que faz comércio de porto em porto, na Amazônia. A miniatura de regatão foi um presente do meu amigo Leonel Chaves, arteeducador).





domingo, fevereiro 12

O GRILEIRO VENCERÁ? - Lúcio Flávio Pinto

Solidarizo-me com o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que mais uma vez é injustiçado pela justiça brasileira.
Sugiro a meus leitores que o apoiem nesse momento particularmente difícil de sua vida profissional (forma de colaborar pelo http://www.lucioflaviopinto.com.br/?page_id=71) e com muita honra e devidamente autorizado, insiro neste Blog este texto do Lúcio:


O GRILEIRO VENCERÁ?

Como já é do conhecimento público, em 1999 escrevi uma matéria no meu Jornal Pessoal denunciando a grilagem de terras praticada pelo empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, com sede em Curitiba, no Paraná. Embora nascido em Óbidos, no Pará, Cecílio se estabeleceu 40 anos antes no Paraná. Fez fortuna com o uso de métodos truculentos. Nada era obstáculo para a sua vontade.

Sem qualquer inibição, ele recorreu a vários ardis para se apropriar de quase cinco milhões de hectares de terras no rico vale do rio Xingu, no Pará, onde ainda subsiste a maior floresta nativa do Estado, na margem direita do rio Amazonas, além de minérios e outros recursos naturais. Onde também está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, para ser a maior do país e a terceira do mundo.

Os 5 milhões de hectares já constituem território bastante para abrigar um país, mas a ambição podia levar o empresário a se apossar de área ainda maior, de 7 milhões de hectares, o equivalente a 8% de todo o Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira. Se fosse um Estado, a “Ceciliolândia” seria o 21º maior do Brasil.

Em 1996, na condição de cidadão, atendi a um chamado do advogado Carlos Lamarão Corrêa, diretor do Departamento Jurídico do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), e o ajudei a preparar uma ação de anulação e cancelamento dos registros das terras usurpadas por C. R. Almeida, com a cumplicidade da titular do cartório de registro de imóveis de Altamira e a ajuda de advogados inescrupulosos. A ação foi recebida pelo juiz da comarca, Torquato de Alencar, e feita a averbação da advertência de que aquelas terras não podiam ser comercializadas, por estarem sub-judice, passíveis de nulidade.

Os herdeiros do grileiro podem continuar na posse e no usufruto da pilhagem, apesar da decisão, porque a grilagem recebeu decisão favorável dos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Cabral Duarte, do Tribunal de Justiça do Estado. Deve-se salientar que essas foram as únicas decisões favoráveis ao grileiro nas instâncias oficiais, que reformaram a deliberação do juiz de Altamira.

Com o acúmulo de informações sobre o estelionato fundiário, os órgãos públicos ligados à questão foram se manifestando e tomando iniciativas para evitar que o golpe se consumasse. A Polícia Federal comprovou a fraude e só não prendeu o empresário porque ele já tinha mais de 70 anos. O próprio poder judiciário estadual, que perdeu a jurisdição sobre o caso, deslocado para a competência da justiça federal, a partir daí, impulsionado pelo Ministério Público Federal, tomando rumo contrário ao pretendido pelo grileiro, interveio no cartório Moreira, de Altamira, e demitiu todos os serventuários que ali trabalhavam, inclusive a escrivã titular, Eugênia de Freitas, por justa causa.

Carlos Lamarão, um repórter da revista Veja (que chegou a ser mantido em cárcere privado pelo empresário e ameaçado fisicamente) e o vereador Eduardo Modesto, de Altamira, processados na comarca de São Paulo por Cecílio Almeida, foram absolvidos pela justiça paulistana. O juiz observou que essas pessoas, ao invés de serem punidas, mereciam era homenagens por estarem defendendo o patrimônio público, ameaçado de passar ilicitamente para as mãos de um particular.

De toda história, eu acabei sendo o único punido. A ação do empreiteiro contra mim, como as demais, foi proposta no foro de São Paulo. Seus advogados sabiam muito bem que a sede da ação era Belém, onde o Jornal Pessoal circula. Eles queriam deslocar a causa por saberem das minhas dificuldades para manter um representante na capital paulista. A juíza que recebeu o processo, a meu pedido, desaforou a ação para Belém, como tinha que ser. Hoje, revendo o que passei nestes 11 anos de jurisdição da justiça do Pará, tenho que lamentar a mala suerte de não ter ficado mesmo em São Paulo, com todas as dificuldades que tivesse para acompanhar a tramitação do feito.

A justiça de São Paulo foi muito mais atenta à defesa da verdade e da integridade de um bem público ameaçada por um autêntico “pirata fundiário”, do que a justiça do Pará, formada por homens públicos, que deviam zelar pela integridade do patrimônio do Estado contra os aventureiros inescrupulosos e vorazes. Esta expressão, “pirata fundiário”, C. R. Almeida considerou ofensiva à sua dignidade moral e as duas instâncias da justiça paraense sacramentaram como crime, passível de indenização, conforme pediu o controverso empreiteiro.

Mesmo tendo provado tudo que afirmei na primeira matéria e nas que a seguiram, diante da gravidade do tema, fui condenado, graças a outro ardil, montado para que um juiz substituto, em interinidade de fim de semana, pela ausência circunstancial da titular da 1ª vara cível de Belém, sem as condições processuais para sentenciar uma ação de 400 páginas, me condenasse a pagar ao grileiro indenização de 8 mil reais (em valores de então, a serem dramaticamente majorados até a execução da sentença), por ofensa moral.

A sentença foi confirmada pelo tribunal, embora a ação tenha sido abandonada desde que Cecílio do Rego Almeida morreu, em agosto de 2008; mesmo que seus sucessores ou herdeiros não se tenham habilitado; mesmo que o advogado, que continuou a atuar nos autos, não dispusesse de um novo contrato para legalizar sua função; mesmo que o tribunal, várias vezes alertado por mim sobre a deserção, tenha ignorado minhas petições; mesmo que, obrigado a extinguir a minha punibilidade, arquivando o processo, haja finalmente aberto prazo para a habilitação da parte ativa, que ganhou novo prazo depois de perder o primeiro; mesmo que a relatora, confrontada com a argüição da sua suspeição, que suscitei, diante de sua gravosa parcialidade, tenha simplesmente dado um “embargo de gaveta” ao pedido, que lhe incumbia responder de imediato, aceitando-o ou o rejeitando, suspendendo o processo e afastando-se da causa; mesmo que tudo que aleguei ou requeri tenha sido negado, para, ao final, a condenação ser confirmada, num escabroso crime político perpetrado pela maioria dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará que atuaram no meu caso, certamente inconformados com críticas e denúncias que tenho feito sobre o TJE nos últimos anos, nenhuma delas desmentida, a maioria delas também completamente ignorada pelos magistrados citados nos artigos. Ao invés de cumprir as obrigações de sua função pública, eles preferem apostar na omissão e na desmemoria da população. E no acerto de contas com o jornalista incômodo.

Depois de enfrentar todas as dificuldades possíveis, meus recursos finalmente subiram a Brasília em dezembro do ano passado. O recurso especial seguiu para o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, graças ao agravo de instrumento que impetrei (o Tribunal do Pará rejeitou o primeiro agravo; sobre o segundo já nada mais podia fazer).

Mas o presidente do STJ, em despacho deste dia 7, disponibilizado no dia 10 e a ser publicado no Diário da Justiça do dia 13, negou seguimento ao recurso especial. Alegou erros formais na formação do agravo: “falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante do pagamento das custas do recurso especial e do porte de retorno e remessa dos autos”.

Recentemente, a justiça brasileira impôs novas regras para o recebimento de agravos, exigindo dos recorrentes muita atenção na formação do instrumento, tantos são os documentos cobrados e as suas características. Podem funcionar como uma armadilha fatal, quando não são atendidas as normas formais do preparo.

A falta de todos os documentos apontada pelo presidente do STJ me causou enorme surpresa. Participei pessoalmente da reunião dos documentos e do pagamento das despesas necessárias, junto com minha advogada, que é também minha prima e atua na questão gratuitamente (ou pró-bono, como preferem os profissionais). Não tenho dinheiro para sustentar uma representação desse porte. Muito menos para arcar com a indenização que me foi imputada, mais uma, na sucessão de processos abertos contra mim pelos que, sendo poderosos, pretendem me calar, por incomodá-los ou prejudicar seus interesses, frequentemente alimentados pelo saque ao patrimônio público.

Desde 1992 já fui processado 33 vezes. Nenhum dos autores dessas ações teve interesse em me mandar uma carta, no exercício de seu legítimo direito de defesa. O Jornal Pessoal publica todas as cartas que lhe são enviadas, mesmo as ofensivas, na íntegra. Também não publicaram matérias contestando as minhas ou, por qualquer via, estabelecendo um debate público, por serem públicos todos os temas por mim abordados. Foram diretamente à justiça, certos de contarem com a cumplicidade daquele tipo de toga que a valente ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, disse esconderem bandidos, para me atar a essa rocha de suplícios, que, às vezes, me faz sentir no papel de um Prometeu amazônico.

Não por coincidência, fui processado pelos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Duarte, o primeiro tendo como seu advogado um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, à frente de uma das mais conceituadas bancas jurídicas do Distrito Federal. O ex-ministro José Eduardo Alckmin, que também advogava para a C. R. Almeida, veio a Belém para participar de uma audiência que durou cinco minutos. Mas impressionou pela sua presença.

O madeireiro Wandeir dos Reis Costa também me processou. Ele funcionou como fiel depositário de milhares de árvores extraídas ilegalmente da Terra do Meio, que o Ibama apreendeu em Altamira. Embora se declarasse pobre, ele se ofereceu para serrar, embalar e estocar a madeira enquanto não fosse decidido o seu destino. Destino, aliás, antecipado pelo extravio de toras mantidas em confinamento no próprio rio Xingu. Uma sórdida história de mais um ato de pirataria aos recursos naturais da Amazônia, bem disfarçado.

Apesar de todas essas ações e do martírio que elas criaram na minha vida nestes últimos 20 anos, mantenho meu compromisso com a verdade, com o interesse público e com uma melhor sorte para a querida Amazônia, onde nasci. Não gostaria que meus filhos e netos (e todos os filhos e netos do Brasil) se deparassem com espetáculos tão degradantes, como ver milhares de toras de madeira de lei, incluindo o mogno, ameaçado de ser extinto nas florestas nativas amazônicas, nas quais era abundante, sendo arrastadas em jangadas pelos rios por piratas fundiários, como o extinto Cecílio do Rego Almeida. Depois de ter sofrido todo tipo de violência, inclusive a agressão física, sei o que me espera. Mas não desistirei de fazer aquilo que me compete: jornalismo. Algo que os poderes, sobretudo o judiciário do Pará, querem ver extinto, se não puder ser domesticado conforme os interesses dos donos da voz pública.

Vamos tentar examinar o processo e recorrer, sabendo das nossas dificuldades para funcionar na justiça superior de Brasília, onde, como regra, minhas causas sempre foram vencedoras até aqui, mesmo sem representação legal junto aos tribunais do Distrito Federal.

Decidi escrever esta nota não para pressionar alguém nem para extrapolar dos meus direitos. Decisão judicial cumpre-se ou dela se recorre. Se tantos erros formais foram realmente cometidos no preparo do agravo, o que me surpreendeu e chocou, paciência: vou pagar por um erro que impedirá o julgador de apreciar todo meu extenso e profundo direito, demonstrado à exaustão nas centenas de páginas dos autos do processo. Terei que ir atrás da solidariedade dos meus leitores e dos que me apoiam para enfrentar mais um momento difícil na minha carreira de jornalista, com quase meio século de duração. Espero contar com a atenção das pessoas que ainda não desistiram de se empenhar por um país decente.

Belém (PA), 11 de fevereiro de 2012

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal

quinta-feira, janeiro 19

QUERO MORRER COMO UM PÁSSARO

No retorno de uma longa viagem de fim de ano, soube que o Murico, o mais excêntrico das figuras pitorescas descritas na primeira crônica deste livro, morreu durante a minha ausência. O projeto de edição deste livro já estava em curso, revisão de texto já feita, mas resolvi escrever mais esta crônica, uma homenagem a uma figura marcante, que deixou muita saudade. E um bônus para você, leitor.

A notícia da morte do Murico me deixou consternado. Eu e minha família aprendemos a prezar aquele singelo ser humano, que optou por viver na rua. Sim, há muito tomei conhecimento de que a vida que ele levava era uma opção. O Moysés, este era o seu nome, tinha uma família pobre, porém razoavelmente estruturada, que lhe proporcionou rudimentos de educação. Mas, na adolescência, ele teria se envolvido com drogas e todas as situações daí decorrentes. Ele amargou alguns anos de prisão, onde teria sido vítima de violência de toda ordem, inclusive da parte de policiais. Teve a felicidade de não sucumbir aos maus tratos e de sair daquele “inferno”, porém com seqüelas que marcaram o resto de sua vida. Egresso da prisão, a convivência em família foi inviável. Qualquer lugar fixo, ele teria dito à mãe, era uma cadeia, e que ele preferia viver e morrer como os pássaros. Voando por todos os lugares e morrendo onde e quando Deus quisesse.

Aí eu entendi porque o Murico, nos seus momentos de maior euforia, saia cantando pelas ruas do bairro, integralmente, a música “Pavão Misterioso” do Ednardo:
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...

A inteligência e a sensibilidade do Murico eram indiscutíveis. Diversas vezes o vi, lendo os fragmentos de jornais que ele encontrava pela rua e quase sempre fazia comentários com juízo de valor sobre a notícia, ainda que defasada.

Refeito do impacto da morte do Moysés, busquei saber em que circunstâncias ela se deu. Fim de tarde de dezembro em Belém. Chovia torrencialmente, o Murico, cheio da “canicilina”, como quase sempre, pediu ao dono de uma baiúca uma “beira”, para se proteger do temporal. Recostou-se num canto, colocou-se numa posição fetal e com os cabelos e a barba longos, projetados sobre o corpo esquálido, entrou em sono profundo.

As horas se passaram e chamou atenção do baiuqueiro o fato do Murico não reagir aos respingos da chuva que caiam sobre o corpo dele. Logo ele que não era chegado a água. Foi inútil chamar pelo Murico.

Eu imagino a chegada do Murico lá no céu. Com aquele sorriso de criança, cantando a música de sua livre adaptação, quando queria ganhar um bom prato:
Mamãe, mamãe, mamãe eu quero.
Mamãe eu quero
Mamãe eu quero brocar
Traga o bandeco
Traga o bandeco
Traga o bandeco pro Murico não chorar.
Toma Muriquinho do meu coração
Toma esse ranguinho e não chores mais não.

O paraíso deve estar mais festivo, com a chegada daquele anjo que nas suas provações em sua passagem pela terra, optou por viver como os pássaros. Que andou por onde a vida o levou e morreu onde e como Deus quis.

Com essa crônica dedicada ao Murico, eu homenageio também, todos os homens e mulheres de rua. Aqueles que, quando muito, merecem registro apenas na página policial dos jornais da grande imprensa.

quinta-feira, janeiro 12

O MELHOR PRESENTE PARA BELÉM.

12 de Janeiro- aniversário de Belém do Pará. Pela segunda vez consecutiva, por motivo de férias, encontro-me fora dessa cidade. Se a distância me faz saudoso, o distanciamento me permite refletir quanto a qual seria melhor presente para Belém. Onde me encontro, Rio de Janeiro, fatos lamentáveis ocorridos no ano passado, nesta mesma época, se repetem, e me ajudam a refletir sobre Belém.

Ontem, uma equipe de jornalismo de uma emissora de TV, realizando um “o povo fala”, nas ruas cariocas, abordou-me com a questão da pauta do dia “Em sua opinião, quem é o maior responsável pelas tragédias das cidades em decorrência das chuvas? As autoridades ou as pessoas que insistem em morar nos lugares de risco?”. Conhecedor da premência do tempo em TV, procurei organizar os pensamentos e responder mais ou menos o seguinte: “Se considerarmos que muitas pessoas não tem onde morar, seu retorno para as áreas de risco não é uma opção de vida, mas a única alternativa. Como as causas, o excesso de chuvas, são previsíveis, a falta de ação preventiva e os desvios de recursos públicos, faz dos poderes públicos os responsáveis pelas conseqüências das tragédias”. Não sei se minha resposta foi para o ar. Provavelmente não.

O episódio me fez lembrar Belém. Para felicidade nossa, morros não existem na topografia de nossa cidade, afastando a possibilidade de deslizamentos, nas grandes chuvas. Mas existem as baixadas, as extensas áreas de Belém situadas a baixo do nível do mar que, nas grandes chuvas e especialmente quando simultâneas com as marés altas, levam muito sofrimento aos menos favorecidos que, também sem opção, moram nesses locais, em habitação precária que vão se espalhando caoticamente. Somam-se à questão natural das baixadas, a ausência de políticas públicas voltadas para a educação do povo, no sentido da forma mais adequada da destinação do lixo. Essa ausência faz com que o lixo concorra para acentuar a tragédia, impedindo o adequado escoamento das águas. Os recursos públicos que poderiam ser destinados a programas educacionais dessa natureza são empregados, por exemplo, em programas demagógicos nos veículos de comunicação, apregoando obras de validade questionável, a maioria das vezes mentirosas, com custos aumentados artificialmente.

As grandes chuvas, que se iniciam agora, no começo do ano, e se acentuam ao longo de todo o primeiro semestre, evidenciam outro aspecto que torna a vida em Belém, uma tortura: o nosso trânsito. O que decorre da ausência de adequação da infraestrutura de tráfego, ao aumento da frota de veículos que percorrem a nossa cidade. A estrutura viária de Belém ainda é, de maneira geral, a mesma deixada por Antonio Lemos, no início do século passado. A frota de veículos aumentou exponencialmente, nesse meio tempo. Os estudos para o trânsito de Belém e sua região metropolitana, realizados pelos técnicos japoneses da JICA- Japan International Cooperation Agency (Agência Internacional de Cooperação Japonesa), no início dos anos 80 do século passado, foram postergados por sucessivos governos. A pequena parte realizada no último governo, as obras viárias entre o bairro do Coqueiro e avenida Júlio César, são uma pequena parte, que deveria ter sido feito há mais tempo. Há necessidade urgente de prosseguimento das obras estruturais do trânsito da região metropolitana de Belém.
O melhor presente para Belém, antes que ela seja quatrocentona (em 12 de janeiro de 2016), penso eu, seria a criação dos pressupostos para a solução, dentre outros, desses problemas estruturais, para fazer de nossa cidade, uma urbe de vida saudável. Isso passa com certeza, por amplos debates, que levem em conta e tornem público a situação econômico-financeira do município de Belém, que não é nada fácil (tema para outro post) e a eleição de homens públicos que honrem a expressão “coisa pública” e queiram efetivamente o melhor para a antiga Metrópole da Amazônia.

sexta-feira, dezembro 30

2012- UM ANO PROMISSOR

É comum nas viradas de ano, fazermos balanço do que termina e estabelecermos metas para o que se inicia. Eu também fiz e concluo que o ano novo é bastante promissor para mim. Nele será editado meu primeiro livro e o meu TCC do curso de Jornalismo, concluído há 21 anos, se tornará tema de um curta metragem, misto de documentário e ficção. Finalmente, em 2012, encerrarei um ciclo de minha vida profissional, para começar outro.

Hoje tive a grata satisfação de ler a primeira revisão de texto das minhas crônicas que serão editadas sob o título “Causos Amazônicos”, pela Editora Paka-Tatu, do amigo Armando Alves Filho. O trabalho foi feito pelo escritor Roberto Carvalho de Faro, que ainda não conheço pessoalmente, mas fiquei feliz pela escolha de seu nome para fazer o serviço. Tal como eu, ele também é caboclo do Baixo Amazonas, com obra publicada sobre a temática do imaginário amazônico. Se é verdade que o homem se completa após, plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, em 2012 me completarei. Já plantei diversas árvores, tenho um casal de filhos e, depois do Carnaval de 2012, o livro “Causos Amazônicos” será lançado. Desde já, convido a todos para o lançamento.

No dia 26 de dezembro, fui surpreendido com um e-mail do Paulo Gaya, que também, até aqui, conheço só de nome, dando conta de que ele escreveu um roteiro para um curta metragem, tendo como pano de fundo o desabamento do Edifício Raimundo Farias e que ao pesquisar na internet, ele tomou conhecimento do videodocumentário “Quem é que vai pagar por isso?”, daí querer conversar comigo sobre esse assunto. Esse documentário constitui-se, na verdade, no meu TCC do curso de Jornalismo, juntamente com as colegas Arlene Abreu e Márcia Almeida, sob a supervisão do Professor Wagner do Carmo, produzido em 1990. Nele abordamos a situação das vítimas do desabamento do Edifício Raimundo Farias, 3 anos depois (o fato se deu no dia 13 de agosto de 1987). Após intensa troca de e-mails entre o Paulo e eu, em que ele me colocou a par do pré-roteiro do filme e eu o coloquei a par do meu artigo “Quem é que vai pagar por isso? A história se repete”, publicado após a queda do Edifício Real Classic, no início deste ano e sugeri outra vertente a ser abordada no filme, concluímos quanto à validade de ser feita uma releitura do “Quem é que vai pagar por isso”, numa produção coletiva, com a minha participação efetiva no projeto. Topei a parada. Essa será mais uma realização para 2012, em que terei o prazer de estar ao lado de pessoas comprometidas com as questões sociais.

E, no dia 8 de abril de 2012, completarei 60 anos de idade e 35 anos de contribuição para a previdência social. Cumpridos os requisitos para a aposentadoria, não esperarei a “expulsória”, virarei uma página em minha vida, para escrever uma nova história. Estarei pronto para enfrentar novas demandas, com vigor juvenil. Sinto que ainda posso ser útil à cidade que eu adotei como minha, Belém do Pará, ao estado que eu defendi e defendo a sua integridade, o Pará, e ao meu país, o Brasil. Fazendo o que eu fiz em grande parte de minha vida: fiscalizar os poderes públicos a serviço da sociedade.

Que venha 2012, para mim e para você, prezado leitor. Vamos todos lutar e vencer os desafios!