sexta-feira, abril 5

SEXO, CHAMPANHE E TCHAU

Com o livro texto da peça, ao lado de Ana Cecília Mamede, Celeste e Mônica Montone, da esquerda para a direita

         

          Na minha recente estada no Rio de Janeiro, fui a algumas a peças de teatro. Uma delas, “Sexo, Champanhe e Tchau”, de Mônica Montone, despertou minha atenção, particularmente pela forma inovadora e inteligente de se tratar um assunto recorrente em peças teatrais, as crises das mulheres em busca da emancipação pessoal e profissional. 
          Sem cair no questionamento piegas dos relacionamentos afetivos, Mônica, que é psicóloga, desenvolve seu texto numa linguagem poética e bem humorada. Na singeleza do cenário, utilizando-se competentemente da comunicação verbal e gestual, são evidenciadas as obsessões causadas pelos vínculos que não se resolvem, as dificuldades subjetivas da mulher em busca da afirmação, a luta pela adaptação às responsabilidades da vida adulta, o medo do fracasso ante os desafios impostos pela sociedade.  
          É sutil o nome da personagem encarnada por Mônica na peça, Ela, que contracena com Jezebel, uma escritora emocionalmente imatura, que dá conselhos ao público no programa de que participa e nunca consegue concluir o livro que pretende escrever. A personagem Jezebel é desenvolvida com muita propriedade por Ana Cecília Mamede. A personagem Ela seria, na verdade, o inconsciente de Jezebel? O fato é que Jezebel é provocada, por Ela, a “cair na real”. E, no final da peça, uma virada interessantíssima na personagem Ela. Ela seria ela mesma?
          “Sexo, Champanhe e Tchau” é uma produção de poucos recursos cênicos. No palco, apenas bolotas de papel espalhadas pelo chão e duas cadeiras que assumem diversas funções, ao longo da peça. A trilha sonora é precisa e magistral a direção de Juliana Betti.  
          Assim, “Sexo, Champanhe e Tchau” não é uma história de amor, como enfatiza Mônica Montone, dizendo que, se fosse, “não teria virado peça e os personagens estariam juntos... ou não”.
Mônica é a autora do texto “Ser ou não ser de ninguém, eis a questão da geração tribalista”, em que criticou o hábito de sua geração de beijar qualquer pessoa, em baladas, e que circulou na Internet, como se fosse do Arnaldo Jabor.
Nascida em Campinas/SP, mas radicada no Rio de Janeiro, Mônica participou e ainda frequenta diversos recitais de poesia na capital carioca. No seu poema “Tenho Pena”, afirmou “ter pena das mulheres que não gozam” e chocou algumas pessoas ao declarar não querer ter filho, na sua crônica “Filho É Para Quem Pode”, publicada na Revista do Globo, o que a levou a falar sobre o tema, nos programas Sem Censura, Fantástico e Happy Hour.
          “Mulher de Minutos”, Ibis Libris, 2003, primeiro livro de Mônica, foi elogiado por Ivan Junqueira, então presidente da Academia Brasileira de Letras, por Affonso Romano de Sant’Anna e Marco Luchesi, dentre outros. Seus poemas fazem parte de diversas antologias poéticas e seu blog, Fina Flor, dedicado exclusivamente à literatura, é um dos mais visitados da Internet.
          Com “Sexo, Champanhe e Tchau”, Mônica estréia como dramaturga. Antes mesmo da montagem, o texto da peça já participava de ciclos de leituras dramatizadas, como os realizados nas unidades do SESC do Rio e do Festival Satyrianas de São Paulo. A obra sempre gerou entusiasmo das plateias, formada em grande parte por jovens, levando a Editora Oito e Meio a publicar livro com o texto da peça. No fim de março passado, encerrou-se a temporada vitoriosa, no SESC Casa da Gávea, do Rio. Por ora, o elenco “dá um tempo”, merecido diga-se, ante o sucesso de público e de crítica, preparando-se para percorrer outros palcos, pelo Brasil a fora.






domingo, março 24

CULTURA PARAENSE FORA DO EIXO


Viviane Menna Barreto explica o projeto e o programa


Lançado, no sábado passado, o projeto Barco Fora do Eixo, com a presença de artistas e intelectuais de Belém. O Barco Fora do Eixo é um veículo catalizador que, percorrendo as águas da Amazônia, visa o intercâmbio de informações e busca fomentar as ações que já se realizam em cada localidade. Esse projeto faz parte do Programa “Ligando os Pontos”, que objetiva fazer das comunidades ribeirinhas, pontos ativos de conexão, troca e intercâmbio de saberes, enfim, proporcionar condições para que as comunidades sejam efetivamente, protagonistas do local em que se situam, cada localidade integrando uma grande rede de cultura e formação.  

Zezinho Viana, do Grupo Sancari
O “Ligando os Pontos” é uma realização da Casa Fora do Eixo Amazônia, em parceria com o Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP e com o Serviço Federal de Processamento de Dados- Serpro.



O Circuito Fora do Eixo:

         A Casa Fora do Eixo Amazônia, coordenada por Michelle Andrews, é o ponto de articulação, formação e sustentabilidade, na Região Norte, do Circuito Fora do Eixo, que é uma rede de trabalhos, concebida fora do eixo Rio/São Paulo, fruto da  criatividade de produtores culturais das regiões centro-oeste (Cuiabá-MT e Uberlândia-MG), norte (Rio Branco-AC) e sul (Londrina-PR), no final de 2005, quando estabeleceram parceria objetivando a circulação de bandas, o intercâmbio de tecnologia de produção e o escoamento de produtos, originando o que foi chamado de Circuito Fora do Eixo.

          No curto prazo, o Circuito Fora do Eixo cresceu vertiginosamente. A rápida ampliação do circuito foi facilitada pelo avanço tecnológico, que proporciona a todas as pessoas, possibilidade de acesso à informação, estimula relações de mercado favoráveis às pequenas iniciativas do setor musical, aos miniempreendimentos, especialmente os mais cooperativos e, por consequência, impõe desafios à indústria fonográfica. Festivais proliferaram em toda a rede, evidenciando a validade da produção em escala autossustentável, com base no contato direto entre produtores de diferentes Estados, por meio de uma rede de informações, que estimula a união de pequenos em prol de grandes ações. 

           Todos os Estados das regiões norte, centro-oeste, sudeste e sul já estão ligados ao Circuito Fora do Eixo, que já existe em 25 dos 27 Estados brasileiros, espraiando-se para outros países da América Latina. Por exemplo, no Grito Rock América do Sul, realizado em 2010, além das 70 cidades brasileiras presentes, participaram também, 4 cidades da Argentina, da Bolívia e do Uruguai.

           Passo definitivo, na afirmação do circuito, foi o II Congresso Fora do Eixo, realizado em Rio Branco, Acre, em setembro de 2009. Na ocasião foi discutida e aprovada a Carta de Princípios do Circuito Fora do Eixo, que o definiu como uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho, constituída por coletivos de cultura espalhados por todo o Brasil, pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo. E também, da divulgação, da formação e intercâmbio entre redes sociais, do respeito à diversidade, à pluralidade e as identidades culturais. Além disso, o fortalecimento dos sujeitos, a busca da autonomia quanto às formas de gestão e participação em processos socioculturais e o estímulo à autoralidade, à criatividade, à inovação e à renovação. E ainda, a democratização quanto ao uso e compartilhamento de tecnologias livres, aplicadas às expressões culturais e à sustentabilidade pautada no uso de tecnologias sociais.

         Outro fato definitivo, para a afirmação do circuito, foi a implantação do Portal Fora do Eixo, por meio do que o circuito passou a ocupar espaços melhor estruturados na web, facilitando o acesso do público ao grande banco com informações de todo o país.

         A organização política do Circuito Fora do Eixo comporta entidades de três categorias. Na categoria 1, situam-se os Pontos Fora do Eixo, que são organizações sem fins lucrativos com laboratórios integrados oficialmente à rede. As Casas Fora do Eixo são residências culturais que possuem todos os aplicativos avançados instalados em sua plataforma. Também na categoria 1, situam-se os Parceiros, pessoas e organizações, sem e com fins lucrativos, que tem relações de parceria com os coletivos da rede. Na categoria 2 estão os Colegiados Regionais, que são os Conselhos Gestores de Redes locais, estaduais e regionais. Nesse nível também se situam, as Frentes e Simulacros, constituídas pelas redes temáticas artísticas e socioculturais e também, as Casas Regionais -  residências culturais que possuem todos os aplicativos avançados instalados em sua plataforma e são responsáveis pela gestão das regionais. Finalmente, na Categoria 3, situa-se o PAN - Ponto de Articulação Nacional,  formado por moradores de casas, membros de colegiados regionais e gestores de frentes e simulacros e a Agência de Cooperação Internacional, Conselho responsável pela gestão das relações internacionais.



         O Circuito Fora do Eixo está presente em Belém, há mais de cinco anos e, desde cinco meses atrás, o ponto fora do eixo de Belém tornou-se a Casa Fora do Eixo Amazônia. Situada na Rua Aristides Lobo, 292 (entre Padre Prudêncio e 1º. de Março), no bairro da Campina, funciona 24 horas por dia, como sede, moradia e hospedaria. Já realizou diversos outros projetos, destacando-se o Circuito Amazônico de Festivais Independentes, o Grito Rock, A Semana do Audiovisual – SEDA, e o evento Cenários Possíveis à MIVA (Mostra Internacional de Videodança na Amazônia)


Casa Fora do Eixo Amazônia, em reunião.

         Saiba mais sobre o Circuito Fora do Eixo, acessando http://foradoeixo.org.br/

O Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP:

      
            Dirigido pela professora Viviane Menna Barreto, o Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP é o agente provocador do programa “Ligando os Pontos”. Com o programa, a Instituição de Ensino coloca em prática seu compromisso de formar cidadãos conscientes e profissionais qualificados às competências exigidas pelo atual mercado de trabalho e cumpre sua responsabilidade social, por meio da integração das comunidades em que atua com seus alunos e corpo docente, buscando estimular a produção de conhecimento, a geração e troca de ideias e promover o senso de cidadania e autonomia da comunidade.       


        Viviane, que é casada com um paraense que morava em São Paulo, viaja pelos rios paraenses, desde 1999. Inicialmente, ela buscava, como artista visual, encontrar cores e visualidades amazônicas, para sua pintura, o que a levou a acompanhar por 12 anos, o projeto  IFNOPAP, da UFPA, que pode ser compreendido como projeto campus flutuante. Por ele,  anualmente, pessoas das mais variadas formações embarcam em um navio que se desloca ao longo da bacia amazônica por cerca de uma semana. Durante a viagem sucedem-se eventos científicos e culturais, que se desdobram em determinados pontos de desembarque, nos quais há interação com as populações ribeirinhas.

            Formada em Comunicação, Viviane tornou-se, em 2005, mestra em Comunicação e Semiótica, pela PUC/SP, com a dissertação “Mapa Pictográfico da Cultura Ribeirinha da Amazônia Paraense: Tradições e Mídias”, que tem como carta de itinerário o ciclo de festas populares dos caboclos ribeirinhos da Amazônia paraense e propõe a criação de um novo conjunto de imagens sobre a Amazônia e, através da divulgação nos meios de comunicação, a inserção dessas paisagens, no imaginário do resto do Brasil. O diferencial da dissertação são as duas vias que confluem para o mesmo ponto, saindo da artista e pesquisadora e seguindo infinitamente, enquanto representação plástica, construída através de uma grande viagem, pelas comunidades caboclas.

            A partir do universo conceitual de Jerusa Pires Ferreira, orientadora de sua tese de mestrado, Viviane, fundamentada em autores do porte de Ana Maria de Morais Beluzzo, Darcy Ribeiro, João de Jesus Paes Loureiro, Bakhtin e Marlyse Meyer, ampliou o universo do festeiro, retirando-o do localismo e redimensionando-o na universalidade. Sem pensar teoricamente com aparelhos estáticos, mas sim, de tal forma, que a teoria propicie a deslocação do olhar através da própria obra pictórica de Viviane, encarada como veículo de comunicação entre esses dois mundos. Assim, em sua tese, a pesquisadora discutiu a possibilidade de criação e difusão de redes imagéticas, através de projetos artísticos midiatizados que mostrem o imaginário das minorias. A partir da análise da mudança dos papéis sociais dos festeiros, Viviane exemplifica processos de atualização de uma tradição, por meio do carnaval de Juaba, em Cametá, e do Boi de Máscara, de São Caetano de Odivelas. As conclusões mostram como a comunidade festeira cria um território encantado e como o artista-viajante, midiatizando sua voz, amplia seu alcance.

            Após a defesa de sua dissertação de mestrado, Viviane paraensou de vez. Passou a morar em Belém, continuou suas expedições fluviais e decidiu também, aproximar as três filhas, dos costumes da região do marido, Nelson Vilhena, experiente em montagem de bienais e outras mostras, que acompanha a família, pesquisando e montando as exposições da esposa. "Meu sogro também se envolveu e está patrocinando meu projeto. Comprou um barco, no qual estou montando um ateliê.", diz ela.

           Em 2008, entrou para a FAP Estácio, onde leciona várias disciplinas, como cultura e teorias da comunicação. Já foi coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda e hoje coordena o Núcleo de Criação e Relações Externas, o que lhe possibilita oportunidade para criar vários projetos. Nessa atividade, tem trabalhado com universitários, temas relativos a diversidade cultural, estimulando-os a conhecer e amar a Amazonia e a criar narrativas fotográficas, textuais e visuais sobre a cultura amazônica.

        Para Viviane, o programa “Ligando os Pontos” se propõe a fazer conexões entre realidades e costumes das localidades, em função de um mapeamento fluvial, das atividades que acontecem nas comunidades, desse “verdadeiro emaranhado de caminhos e vias que cortam as florestas, formando um grande mosaico de estradas fluviais que fazem da Amazônia uma grande plataforma de experiências e ressignificações pois, na beira das “estradas d’água”, existem diversas cidades e comunidades repletas de ações que revelam a riqueza do Brasil profundo”.

            Exemplo disso é o projeto de aproximação com as comunidades remanescentes dos quilombos Santa Maria, de Itacoã-Miri, e Guajará-Miri, no município do Acará, situadas no estuário do rio Pará, no vale do rio Guamá. Nesse ponto, ressalta a pesquisadora, os quilombos não devem ser definidos por fatores biológicos ou raciais, uma vez que eles não eram formados  apenas por negros descendentes de escravos, mas também, por índios, mestiços e brancos, que constituíam coletividades com história baseada numa cultura própria, transmitida e adaptada a cada geração. Os membros dessas comunidades se identificam entre si, como pertencentes a um mesmo grupo que compartilha elementos e ações culturais, num território comum a todos.

            Outro exemplo é a etapa Cametá-Juaba do projeto de conexões e cartografias amazônicas, que tem toda uma programação a ser cumprida, neste ano e em 2014. No próximo mês de julho, está previsto o Festival Juabense de Cultura, com exposição itinerante de máscaras do Cordão Última Hora – Carnaval das águas, lançamento do documentário “Águas Amazônicas”, exposição fotográfica e pictórica, oficinas “Gestão de Coletivos Culturais”, “Técnicas Musicais para Instrumentos de Sopro”, “Iniciação ao Teatro”, “Coreografia”, “Cobertura Colaborativa e Mídias Livres” e “Inclusão Digital”. 

 O SERPRO e seu Programa de Inclusão Digital:

        A operacionalização do suporte de informática, do Programa “Ligando Os Pontos”, é feito pelo Serpro, por meio do seu Programa de Inclusão Digital- PSID, que é coordenado no Pará, por José Ricardo Macedo de Carvalho. 

           Por meio desse Programa, o SERPRO busca promover a inclusão digital e social das comunidades excluídas do universo das Tecnologias da Informação e Comunicação- TIC.

            O Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO, maior empresa de TIC da América Latina, utiliza sua expertise tecnológica e seu compromisso social nesse projeto de uso intensivo da tecnologia da informação, para ampliar a cidadania e combater a pobreza, visando garantir a inserção do indivíduo na sociedade da informação e o fortalecimento do desenvolvimento local.
Implantado em 2003, o PSID é uma das ações amparadas pela política de responsabilidade social e cidadania da empresa, em sintonia com o Programa Brasileiro de Inclusão Digital, do Governo Federal, que se concentra em dois eixos principais. Primeiro, a utilização efetiva do software livre, viabilizando seu uso e apropriação das novas tecnologias pela sociedade. Segundo, o atendimento das necessidades das comunidades na formulação de políticas públicas, na criação de conhecimentos, na elaboração de conteúdos apropriados e no fortalecimento das capacidades das pessoas e das redes comunitárias.

           Dentre as ações desenvolvidas pela coordenadoria de inclusão digital do SERPRO, destaca-se a montagem de telecentros comunitários, o que proporciona à várias localidades do Brasil, o acesso ao universo tecnológico e ao mundo da informação.

         É no exercício dessas ações que se situa o papel do SERPRO, na realização do Programa “Ligando os Pontos”, em parceria com a Casa Fora do Eixo Amazônia e o Núcleo de Criação e Cartografias Culturais da Faculdade Estácio – FAP, de que o Barco Fora do eixo é um dos projetos. 








            

sexta-feira, fevereiro 22

URBANOSEMCAUSA. Urbano sem causa? Não. Urbanos em causa!




                Nesta prolongada estada carioca, tenho convivido com pessoas interessantíssimas. Poetas, escritores, autores teatrais, cantores, enfim, amantes da palavra escrita, falada ou cantada. Gente como Flávia Côrtes, Márcia Mendes, Marisa Vieira, Maria do Carmo Bonfim,Vânia Moraes, Eduardo Tornaghi, Manoel Herculano, Márcio Rufino, Naldo Velho, Mozart Carvalho, Sérgio Gerônimo e tantos outros. Também tenho participado de saraus, tenho ido ao teatro, ao cinema e, acima de tudo tenho andado pela maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e a olhado, com visão mais contemplativa. Vivências gratificantes e necessárias, para quem em breve, vai “virar uma página da vida”, aposentando-se do serviço público, e que pretende dedicar-se exclusivamente à comunicação- minha origem (na juventude, fui locutor de rádio), e à literatura.
                

No sábado passado, pela primeira vez entrei no Museu de Arte Contemporânea, de Niterói/RJ. Há tempos, eu queria entrar nele. Só o conhecia por fora e ficava encantado com a sinuosidade das linhas de Niemayer, deliberadamente compondo com as suaves curvas dos morros do Rio de Janeiro.
                




Lucília Dowslley

      
 E, nada melhor do que unir o útil ao agradável. Minha presença no MAC foi para prestigiar e participar do programa “Um Brinde à Poesia”, idealizado pela poeta maior, Lucília Dowslley, que o conduz com simplicidade e competência. É um sarau realizado de 15 em 15 dias, aos sábados, no MAC. Programa que também é realizado, noutros dias, em outros espaços do Rio de Janeiro.
               



    

                 A programação foi extensa e diversificada. Li a crônica “Uma Procissão ‘Duca’”, do meu livro “Causos Amazônicos” e, penso, a leitura agradou ao público, que gargalhou em diversos momentos, tendo entrado portanto, no clima hilário da maioria de minhas crônicas. No final, a poeta paraense Vânia Moraes, radicada do Rio de Janeiro, me cumprimentou e disse que retornou a Belém, ao ouvir a expressão “Égua, parente!”, na entonação precisa, dita pelo "papudinho profissional",  HG, personagem da crônica.



                Diversos poetas, homens e mulheres das mais diversas idades, sucederam-se ao microfone. Todos, sem exceção, “disseram a que vieram”, ou, mais precisamente, disseram o que foram fazer, naquele evento de Poesia, que também é permeado por música de qualidade. Ausência sentida foi a da poeta paraense, Wanda Monteiro que, por motivos familiares, não pode comparecer, naquele sábado, ao Brinde à Poesia. Mas já falei com ela, por telefone e, antes do meu retorno a Belém, vamos nos encontrar, para tomar um drink poético.

Naldo Velho
     Uma apresentação em particular, prendeu minha atenção, por seu caráter questionador da nossa realidade e por “mexer” com o nosso comodismo. Trata-se do “URBANOSEMCAUSAa”, que pode ser lido “Urbano sem Causa”, mas me coloco ao lado dos que leem “Urbanos em Causa”.
     Nessaa obra de Mozart Carvalho e Sérgio Gerônimo, o dia a dia do homem e da mulher, nos centros urbanos, é questionado. Nas palavras de Naldo Velho, prefaciador do livro, o leitor encontra, em URBANOSEMCAUSA, “momentos de extrema crueldade, miscigenados e contrastados a um lirismo implícito envolto numa certa nostalgia de quem pede socorro e anseia por mais ar para respirar, por mais harmonia para viver, por mais suavidade para poder semear e colher no tempo certo uma realidade melhor, com condições mais dignas para aqueles que hoje vivem anestesiados pela velocidade inconsequente dos nossos tempos”. Para Naldo, escritor, músico e artista plástico, muito mais do que qualquer modismo ou regra estabelecida pelo bom comportamento literário, deve-se esperar de um livro de poemas, a coragem de se entregar aos desafios estéticos, pois o poeta nada mais é do que um artesão das palavras e, nos dias de hoje, mais do que nunca, necessita do mergulho sem preconceitos, em conteúdos que sejam inovadores. É a busca quase que obsessiva por novas abordagens e, principalmente, da honestidade de quem não se aprisiona a tribos de pensamentos ideológicos, religiosos, ou mesmo filosóficos, pois só assim, ele, Naldo, entende a arte: "um mergulho na imensidão em busca de sementes que possam frutificar em nós, palavras ‘fazendeiras’ de crescimento e compreensão”. Opinião que assino embaixo.

        E é o que fazem, em URBANOSEMCAUSA, Mozart Carvalho e Sérgio Gerônimo. Sem falsos pudores, explodem conceitos, mazelas, hipocrisias e incoerências. Tudo isso como se nos dissessem da necessidade de "se parar com tolas discussões aprisionadas a ideologias falidas ou a conservadorismos mofados, posto que, já provaram não ser solução para coisa alguma, e que já é hora de começarmos a discutir o caos de cada dia, com o coração desarmado e sem idéias preconcebidas", observa Naldo.

        
                Mozart Carvalho, poeta carioca, ensaísta, ilustrador, tradutor, atual vice-presidente da Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro – APPERJ, membro do PEN Club do Brasil, da União Brasileira dos Escritores- UBE/RJ e da ACLAL (Portugal), membro do Conselho Editorial da Oficina Editores, é professor de Língua Portuguesa, Produção Textual/Literatura/Inglês/Literaturas Americana e Inglesa,  especialista em Língua Latina, membro do Grupo de Estudos de Línguas Clássicase Orientais (LECO), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ. Publicou dois livros infantis, “O Cervo e o Lago” e “A Raposa e a Cegonha”, que foi roteirizado para teatro. 
                



   Sérgio Gerônimo, psicólogo pós-graduado em Psicossomática Contemporânea, poeta carioca, cronista e ensaísta, editor-chefe da Oficina Editores, é fundador e atual presidente da APPERJ, membro do PEN Clube do Brasil, da UBE/RJ, da Academia Brasileira de Poesia, do SEERJ e da ACLAL. Publicou em poesia, “Profanas &  Afins”, “Outras Profanas”, “PANínsula”, “BelaBun”, “Código de Barras”, “Conversa Proibida”, “Coxas de Cetim” e “Enfim Afins”, os dois últimos em e-book.  Tem poemas publicados e vertidos em inglês, espanhol, francês, italiano e russo. Coordena o evento poético no Rio de Janeiro, “Te encontro na APPERJ” e o Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro. Participante ativo do circuito de poesia contemporânea.


     Lógico que comprei um exemplar do "URBANOSEMCAUSA" e, na rápida conversa que tivemos, após o evento, falei a Mozart e Sérgio sobre o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", evento da Amazônia, que juntamente com Benny Franklin, Daniel Leite, Jorge Andrade, Juraci Siqueira e Roberto Carvalho de Faro, realizamos em Belém e o faremos novamente, este ano, no dia 28 de setembro. Convidei-os, como tenho convidado outros poetas a irem conhecer a Amazônia e disse da satisfação de recebê-los em Belém. De repente, fruto também dessas conversas, eles realizam o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", evento do Rio de Janeiro. [mais informações sobre o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", em postagens anteriores, neste Blog] 


           Transcrevo a seguir, um poemas que bem exemplifica o conteúdo do URBANOSEMCAUSA:

CORRE!

O carro passa - ônibus lotado
as vias liquefazem os asfaltos
um rio na lombardi segue
fluxo urbano
os andaimes nas esquinas
remodelam a paisagem
viadutos, túneis, pontes
constantes sons de poeira
violentam os poros
o mar de óleo desce as encostas
as florestas olham, pasmam,
perfuram as águas e sofrem
das pedras o trilho
do aço as plataformas
concretas, desumanas
o metrô corre, o carro corre
o metrô corre, a fome corre
o metrô corre, a solidão corre...
o metrô corre e o BRT para...
a ambulância geme enrubece
tudo fora do ponto
desatentas e confusas
as criaturas escapam no tempo,
nas ruas, nas avenidas envelhecidas
no cruzamento temporário
apenas um grito
Só - CORRO!
e ninguém escuta.

                 



 Com Maria do Carmo Bonfim, Mozart, Sérgio e Flávia Côrtes.

  


                 

sábado, fevereiro 16

Bem Vinda a Coleção Livro Lamparina. Mais Daniel Leite para crianças.




Daniel da Rocha Leite


Para quem “Escrever para criança é sonhar junto com ela um primeiro sonho” e literatura de criança é sonho e não cartilha, porque “mais tarde este sonho, se bem sonhado, ajuda a afirmar outros sonhos”, conversar à luz de uma lamparina, com um menino marajoara, que disse gostar de ler e que vive intensamente as histórias que lê, foi o necessário para trazer à luz, livros que contam histórias de rios, gentes e esperanças. O que se deu com o escritor e poeta paraense, Daniel da Rocha Leite, numa noite de “apagão”, em Soure, no Marajó.

Os nativos acenderam suas lamparinas e Daniel ficou acordado, “vendo o rio passar à minha frente, ele, o rio e as suas costas prateadas”. A experiência foi tão intensa, que o escritor trouxe um daqueles rudimentares instrumentos de iluminação, pra guardar para sempre as imagens daquela noite. E a conversa com o caboclinho despertou ideias para a Coleção Livro Lamparina.  “Seja diante das chamas tremeluzentes do fogo da luz de uma lamparina, numa casa de rio, ou sob a luz branca de um apartamento, desde o início, até o para sempre, viver é contar histórias”, diz Daniel.


No primeiro volume da Coleção Livro Lamparina, A História das Crianças que Plantaram Um Rio, Daniel desenvolve seu lirismo “quase sacro”, identificado pela autora de ensaios sobre teoria literária, Lilia Silvestre Chaves, no prefácio do livro “Peso Vero”, também de autoria de Daniel Leite, em parceria com o poeta Paulo Vieira.

Prosa e poesia misturam-se e completam-se no texto de Daniel, com profundo sentimento, sem cair no sentimentalismo piegas. A História das Crianças que Plantaram Um Rio é uma leitura acessível e apaixonante, que provoca encantamento do início ao fim. É uma história de Vida, numa época em que a morte da natureza é recorrente nos noticiários. Nela o autor sublinha o que mãos de criança, de qualquer idade, podem fazer em prol da humanidade.

Com a Coleção Livro Lamparina, que tem ilustrações de Maciste Costa, Daniel realiza o sonho de dedicar-se mais à literatura infantil. Com o livro infanto-juvenil “Procura-se um Inventor”, desenvolvido a partir da pergunta de uma criança, “quem inventou as palavras?”, Daniel recebeu o prêmio “Rafael Costa”, da Academia Paraense de Letras. E com sua extensa obra em poesia, contos, crônicas e romances, o autor recebeu diversos prêmios, a exemplo do “Girândolas”, ganhador do Prêmio Samuel Wallace Mac-Dowell, da APL, em 2008.

O primeiro livro lamparina será lançado no dia 04 de outubro deste ano, a sete dias do Dia das Crianças e uma semana antes do encontro do povo paraense com sua padroeira, Nossa Senhora de Nazaré, diz o autor. O local ainda não está definido, mas tanto o Banco da Amazônia, quanto a Secretaria de Cultura do Estado do Pará, já sondaram Daniel, quanto ao futuro lançamento.  

No que depender de Daniel, o livro será lançado também, em Soure. Afinal, diz ele, foi lá que tudo começou. O que é certo, é que haverá doações para escolas públicas, concretizando o sonho do autor, de “dividir o Pão da Palavra”. 

A Coleção Livro Lamparina foi um dos projetos culturais selecionados pelo Edital de Patrocínios, do Banco da Amazônia, de 2012, para projetos a se realizarem em 2013. Entre os mais de quatrocentos apresentados, foram selecionados por aquele Edital, 41 projetos de natureza cultural, 24 de cunho social, 17 da área ambiental, 55 voltados para exposições e 5 de caráter esportivo. Todos de pessoas e entidades dos diversos Estados da Amazônia Legal.

O Edital de Patrocínio é uma modalidade de seleção pública, disciplinada pela Instrução Normativa nº 01/09 da Secretaria de Comunicação Social – SECOM, da Presidência da Repúbica, que conceitua o patrocínio como “apoio financeiro concedido a projetos de iniciativas de terceiros, com o objetivo de divulgar atuação, fortalecer conceito, agregar valor à marca, incrementar vendas, gerar reconhecimento ou ampliar relacionamento do patrocinador com seus públicos de interesse”. Nos editais de patrocínio, do Banco da Amazônia, evidencia-se o prestígio a projetos que valorizem o que é legitimamente amazônico e favoreçam a cidadania das comunidades carentes.

terça-feira, fevereiro 5

Somos gado humano? A tragédia da Boate Kiss




                O roteiro anunciado do incêndio da boate Kiss, de Santa Maria/RS e do tratamento de suas consequências segue o curso ordinário da apuração de todo episódio catastrófico, em nosso país.
No primeiro momento, as trágicas imagens, o espanto, a tristeza e a indignação generalizada. Depois, a revelação das causas da tragédia- a  ideologia do lucro, com empresários que não cumprem  as normas de segurança e tratam seus clientes como gado humano. É escancarada a falta de condições das instituições fiscalizadoras (entenda-se, o investimento governamental reduzido nessas entidades) e o jogo de empurra-empurra da responsabilidade, entre os órgãos competentes.
                As fiscalizações, que deveriam ser sistemáticas e permanentes, são feitas no “calor da hora” e sob pressão da opinião pública. De forma pontual, portanto. Os casos de corrupção, submersos pela própria natureza, vem à baila. Veja-se o caso do oficial do corpo de bombeiros de Belém que vendia laudos falsificados de “Habite-se”, colocando em risco a vida de seres humanos.
                As autoridades prometem a instauração de “rigoroso inquérito, com punição exemplar dos responsáveis”. Lembram as palavras do então governador do Pará, diante das câmeras de televisão, há mais de 20 anos, por ocasião do desabamento do edifício Raimundo Farias? Pois é. Punido foi quem morreu.  E há dois anos, outro prédio desabou em Belém. E os donos do Bateau Mouche, o navio que levou dezenas de pessoas pro fundo da baía de Gaunabara, num reveillon, no início da década de noventa? Todos muito bem, obrigado.
                Pela “regra do jogo”, o roteiro para nesse ponto, o das promessas. A burocracia emperrada das instituições e a processualística judiciária brasileira, rica em recursos e mais recursos, se encarregam de jogar para as “calendas gregas”, uma decisão que, nos países que respeitam a cidadania, ocorrem no curto prazo.
E nós, como gado humano, silenciamos, esquecemos. Afinal, somos o “país do futebol” e do carnaval, que por sinal, está às portas. Esses necessários momentos de lazer para o ser humano, são manipulados como panem et circenses, para alimentar o status quo, a situação vigente. Afinal, é cômodo e gasta menos neurônios, discutir-se se o juiz roubou, se o atacante estava impedido, se a bola entrou ou não entrou em baixo da trave, se a Escola campeã realmente foi a melhor, e coisas do gênero. Os manipuladores sabem disso e, com esses instrumentos, alimentam o “esquecimento” das massas. E nós aceitamos passivamente o “jogo”.  Até quando vamos permitir que o roteiro pare no estágio das promessas? Que a tristeza e a indignação vazias de ação sejam dominantes, diante das tragédias provocadas pelo homem?
A tragédia da boate Kiss ceifou a vida de mais de duas centenas de jovens, universitários em sua grande maioria. Futuros profissionais de que o país tanto precisa. E condenou à morte muitos dos que não morreram no incêndio, mas tiveram sua saúde comprometida para o resto da vida. Ou sobrevida?
A atitude cidadã de homens e mulheres conscientes é a de estarmos atentos ao desempenho das instituições públicas, não só na apuração de tragédias como essa, mas sempre. Exercer o direito de denúncia, essa palavra que assumiu uma conotação pejorativa na cultura do medo, mas que é sim, um direito do cidadão, inscrito inclusive, na Constituição. Todos devemos ser fiscais, inclusive das instituições pagas pelo cidadão, enquanto contribuinte, para serem fiscalizadoras. “Botar a boca no trombone” é necessário. Inclusive pelas redes sociais, que tem sido e continuarão sendo os instrumentos de mudança, em escala mundial, na realidade atual e na futura. Sendo válido inclusive o boicote dos empreendimentos que, em nome do lucro, nos tratam como gado humano.
Só sendo cidadãos ativos, saindo do comodismo, podemos sonhar com a realização da última etapa do roteiro de apuração das tragédias: a punição dos responsáveis. E assim, participar da  construção de um mundo melhor e mais justo.
Octavio Pessoa – jornalista e advogado.
               
               
                 


sábado, fevereiro 2

“O GUINDASTE AMARELO”. Novo romance de Roberto Carvalho de Faro.


Roberto e eu com o meu exemplar do Guindaste Amarelo



            Um encontro casual de dois amigos que há anos não se viam, na Estação das Docas, desencadeia o mais novo romance de Roberto Carvalho de Faro, “O Guindaste Amarelo”. Foram seis horas de reminiscências que os velhos companheiros navegaram.

            Daniel da Rocha Leite optou por chamar de Preamar a abertura d“O Guindaste Amarelo”. Confessa que, “ao terminar de ler as líquidas páginas e marés deste livro, os seus lugares de gentes, vidas, máquinas e sonhos, naufrágios iminentes, águas idas e vindas, olhos e correntezas, eternos retornos, buscas de um sentido para as nossas vidas, fiquei  com a submarina sensação de que nós - assim como o personagem Jonas Trindade - somos todos rios. Rios desse mar insondável de existir, águas do cotidiano das nossas lutas, vazantes, lançantes, perau dos destinos que escrevemos em nossas histórias”.

        Alerta Daniel que “O Guindaste Amarelo” não é um livro comum, é um livro feito de guindastes e sonhos, beira de rios e gentes, águas grandes e estios, percalços e chão, esperanças e perseveranças, trabalhos de terra e infinitas fainas a cumprir: o sempre sonhar, ir buscar, atravessar rios e cidades, lutar por viver e amar. Não sendo, então, um livro comum, mas, sim, um livro de rios, gentes e suas máquinas de se (co)mover, no início de suas primeiras marés, partiremos daqui, da Preamar, deste belo romance de Roberto Carvalho de Faro”.

            O autor, na contracapa, diz que já pensava em aposentar o teclado (a caneta, antigamente), para textos ficcionais, acreditando que o já escrito “ainda que não relevante” seria o suficiente, para deixar registrado. Modesto esse Roberto Carvalho, que incluiu em seu nome, o da sua cidade de origem, Faro,no Oeste do Pará.

       Prossegue ele, afirmando que uma particularidade da vida de seu interlocutor – as experiências na exploração do comércio de frete na calha do rio Amazonas, com empurrador e uma balsa – o fez “parir” o livro que retrata as vivências do protagonista nas águas do caudaloso Amazonas. “Quanta aventura!” conclui Roberto.  
       
           A empresa SC Transportes e Construções, de Manaus/AM, que atua inclusive, no ramo de transporte fluvial, apoiou Roberto na edição do livro.

           Quem se orgulha de carregar no peito a força das águas do Rio Mar, vai se deliciar, lendo a obra desse caboclo que, com suas amazônicas obras, tornou-se imortal da Academia Paraense de Letras.

           No sábado passado, estive com Roberto, na sua “Cabana do Bosque”, da Rua João Canuto, 510, em Ananindeua. Foram horas e horas a absorver conhecimentos e vivências. O que nada  neste mundo paga. No final, trouxe meu exemplar autografado e outros exemplares para presentear os amigos. A obra pode ser solicitada diretamente ao autor, pelo telefone 32553612 e também na Academia Paraense de Letras. Rua João Diogo, 235 (em frente aos Bombeiros).

Sob a cuieira que Roberto trouxe de Faro, sua cidade natal


sexta-feira, janeiro 11

SÃO PAULO TEM AGORA COMIDA BOA E BARATA


Nas minhas andanças de fim/início de ano, quando garimpo  novidades e procuro me atualizar, este ano, aqui na Pauliceia Desvairada, onde me encontro, além de rever parentes e amigos, e de curtir as boas coisas da maior cidade da América Latina, encontrei algo excepcional, que eu compartilho com você, amigo leitor.

      Sensacional sacada do Badauí, da  Banda CPM22, do chef do Restaurante do Sal, em Higienópolis, Henrique Fogaça e do promoter Kichi, o bar e restaurante "Cão Véio", com que  homenageiam o melhor amigo do homem, que é tema e motivo da decoração dos ambientes.  

         Do meio-dia às 3 da tarde, é um excelente restaurante. A partir daí, vira um bar. No "Cão Véio" rola muito jazz, blues e hardcore, até meia-noite, quando um sino anuncia aos presentes que é hora de fazer o último pedido. 

         O que há de melhor é a comida. O cardápio não é extenso, mas os pratos são gostosos,   fartos e “not expensive”, o mais interessante. Aliás, essa é a proposta dos donos desse agradável bar e restaurante: romper com a tradição da comida cara dos restaurantes de São Paulo. Por tudo isso, passarei a ter uma fidelidade canina ao “Cão Véio”. Vale a pena. 

  O "Cão Véio" fica na Rua João Moura, 871, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Recomendo. 


Com Badauí, Edu Passarelli (carta de bebidas) e Henrique Fogaça, eu e minha família.



terça-feira, janeiro 8

LITERATURA, REALIZAÇÕES E PROJETOS.



Natal, Ano Novo e as mil atividades que ocorreram no final do ano passado, mantiveram-me afastado deste espaço, por um tempo maior do que eu gostaria. Mas, aqui estou de volta e ainda é tempo de desejar a todos, um 2013 de muitas realizações.

         2012, para mim, foi muito bom. O acidente doméstico que eu sofri, em abril, e que me deixou dois meses “de molho”, só serviu para aumentar minha motivação. No dia 21 de junho, ainda fazendo fisioterapia, estava eu lançando meu primeiro livro de crônicas, o “Causos Amazônicos”. A primeira edição, de mil exemplares, está praticamente esgotada. Há projeto de uma segunda edição, revista, ampliada e ilustrada. Ou quem sabe mesmo, um “Causos Amazônicos”.1.

Dia 21 de junho de 2012, na Livraria da Fox da Dr. Moraes
            Literariamente falando, o projeto que mais me motiva atualmente, é o romance que deverá ser chamado “Era uma vez na Amazônia”. A temática está “azucrinando” minha cabeça. Estou realizando pesquisas e, em fevereiro, pretendo iniciar a redação.

 Há também o projeto de um ensaio. Mas isso é pra mais adiante. Até porque pretendo voltar aos textos opinativos, neste blog. O que exige tempo e dedicação.


Dizendo NÃO E NÃO à divisão do Pará

Não há dúvida de que, o sucesso de minha estreia na literatura e minha identificação com o mundo das letras, me prenderam às lides literárias. Mas estou com saudade dos  artigos, como quando me inseri entre os defensores do NÃO E NÃO  à divisão do Estado do Pará e escrevi uma série de artigos sobre a incoerência da proposta, tendo em conta a forma como a discussão (ou a falta dela) se deu. 

Para isso, o fator tempo é condicionante e imperativo. Tanto é assim que era minha intenção aposentar-me do Tribunal de Contas da União, nesta virada de ano, uma vez que em 2012 satisfiz os dois requisitos para  aposentadoria. Mas não o fiz porque meu afastamento prejudicaria um colega que necessita ser removido de Belém e, em face das normas anacrônicas e restritivas do processo de remoção, a saída de um servidor da Secretaria de Controle Externo do Pará, inviabilizaria a pretensão do colega. Não tendo eu vocação para algoz de ninguém,  optei por permanecer por mais um tempo no TCU. Estando os requisitos de aposentadoria cumpridos, posso afastar-me a qualquer tempo. 

     Diante disso, continuarei conciliando minha responsabilidade profissional com as atividades literárias e outras afins. O preço disso é a minha ausência às vezes prolongada, deste espaço que eu tanto prezo. 


Outra atividade de 2012 que me deu muita satisfação, foi minha participação na realização do evento “100 Mil Poetas e Músicos por Mudanças”. O leitor pode observar que, de agosto para cá, os posts deste blog, em significativa maioria, trataram desse tema. 

         Em função dessa atividade, juntei-me a poetas e escritores do quilate de Benny Franklin, Daniel Leite, Juraci Siqueira, Jorge Andrade e Roberto Carvalho de Faro, de reconhecida produção literária, sendo Roberto, imortal da Academia Paraense de Letras.

O coroamento desse processo  foi a confraternização do dia 12 de dezembro passado, no Restaurante Soler Grill, entre poetas, escritores, músicos, o público presente e o próprio pessoal “da casa”. Na ocasião, exibimos o documentário do “100 Mil Poetas & Músicos por Mudanças”, que aconteceu no dia 29 de setembro de 2012. A essa altura, já estávamos inseridos no Movimento Literário do Extremo Norte, fundado e conduzido por muito tempo, pelo poeta Rui do Carmo e hoje presidido pelo poeta Renato Gusmão. O Extremo Norte realiza, duas vezes por mês, às quartas-feiras, Saraus, no Soler Grill, onde os amantes da poesia, tem oportunidade de ouvir e serem ouvidos. E nós, os responsáveis pela realização do "100 Mil Poetas & Músicos por Mudanças", evento da Amazônia, firmamos compromisso de articular os movimentos literários e os produtores independentes de cultura, buscando apoiá-los em suas iniciativas.