domingo, junho 22

AJUDANDO A ESCREVER O FUTURO

         
Professoras Rita,, Francy Léa, Ierecê, Conceição  e Selma 
        Na quarta-feira, dia 18 de junho, estive na Escola Salesiana do Trabalho, “batendo papo” com adolescentes e jovens, durante oficina promovida pelas professoras de Língua Portuguesa, Conceição Santos Lima,  Ierecê Damasceno Pereira de Sousa, Rita Barbosa, e Selma Nazaré Jesus de Sousa, sob a coordenação da professora Francy Léa Resende.


            A oficina é uma atividade da etapa escolar do regulamento da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro/2014, que é voltada para a formação de professores objetivando a melhoria do ensino, da leitura e da escrita nas escolas públicas brasileiras. A Olimpíada originou-se do Programa Escrevendo o Futuro da Fundação Itaú Social e do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), que o realizavam desde 2002. Nos anos pares, o Programa realizava concurso entre os alunos das quartas e quintas séries do ensino fundamental com o tema “O lugar onde vivo”, trabalhado nos gêneros Reportagem, Texto de Opinião e Poesia e nos ímpares oferecia aos professores, ações de formação presencial e à distância.



          A partir de 2008, firmada parceria, o Ministério da Educação incluiu o Programa no seu Plano de Desenvolvimento da Educação como uma ação denominada Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, ampliando o universo dos alunos participantes do certame. De lá para cá o Programa foi se aperfeiçoando a cada ano, oferecendo meios e instrumentos para professores e alunos, como os Cadernos Virtuais lançados este ano, adaptação da Coleção da Olimpíada ao suporte digital, com linguagem hipertextual e diversos recursos multimídia, como áudios, textos para projeção, vídeos e jogos.


     Pelo regulamento, os alunos devem escrever um texto, em Língua Portuguesa, original e de autoria exclusiva, sobre o tema “O lugar onde vivo”, nas modalidades Poema para os alunos dos quinto e sexto ano, Memórias Literárias para os de sétimo e oitavo anos do ensino fundamental. Os alunos do nono ano do ensino fundamental e primeiro ano do ensino médio devem escrever uma Crônica e os dos segundo e terceiro anos, um Artigo de Opinião. Em se tratando de uma Olimpíada, os trabalhos apresentados pelos alunos e professores podem ser premiados em nível municipal, estadual e nacional.

          Uma estratégia frequentemente utilizada pelos organizadores das oficinas é convidar um profissional da comunidade habilitado a conversar com os alunos, para que eles tenham mais elementos para sua redação. Foi com esse objetivo que meu nome foi indicado pelo amigo e professor Edward Martins de Aquino. 



A partir das crônicas do meu livro “Causos Amazônicos” e comentários sobre meus projetos literários, conversei com mais de 600 adolescentes e jovens do oitavo ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio, dos turnos da manhã e da tarde. Com muita interatividade buscamos juntos caracterizar os gêneros literários que vão desenvolver e os elementos necessários para bem se escrever, ficando evidenciada a importância da leitura.



No final, convidaram-me a comparecer à Mostra Cultural do dia 21 de novembro, quando os alunos da Escola Salesiana do Trabalho realizarão atividades em reconhecimento à atividade por mim desenvolvida com eles. Estarei presente sim, pois foi muito gratificante o enriquecimento da convivência com jovens e adolescentes e também, com professoras comprometidas com resultados.

          A Escola Salesiana do Trabalho fica na Avenida Pedro Miranda com a Travessa Alferes Costa, no bairro da Pedreira, em Belém. É uma instituição de ensino fundada pelo Padre Lourenço Bertolusso em 1962, voltada para o público carente de formação profissional. Desenvolve vários programas educativos, desde o ensino fundamental e médio, até a iniciação profissional para adolescentes.




quinta-feira, junho 19

ENCONTRO DE GENTE




          Copa do Mundo. Encontro de povos, de gente de diversas culturas. Rara oportunidade de convivência entre diferentes e de se exercitar a visão não etnocêntrica, essa tendência humana de se considerar as normas e valores da própria sociedade ou cultura como critério de avaliação das demais. E de se compreender que não existe cultura boa ou ruim, mas que há culturas com costumes e valores diferentes. Um momento pra se refletir sobre o nosso jeito de ser.

Foi o que se deu depois do jogo de estreia da seleção japonesa. Os nipônicos limpando todo o estádio ao final do jogo, não foi nenhuma lição de “caso pensado”, sim o exercício de uma prática natural entre pessoas daquele povo que habita uma ilha onde um terço apenas do território é arável, portanto habitável e que é frequentemente sacudida por terremotos, tsunamis e outros abalos sísmicos e ainda, sofreu os efeitos de duas bombas atômicas na II Guerra Mundial e teve sua economia fortemente abalada nas últimas décadas do século passado. Situações adversas que levaram o povo a relevar o bem-estar coletivo em detrimento do individual. Especialmente após a segunda grande guerra, quando precisaram reconstruir o país, sendo esses valores transmitidos de geração à geração, o que leva cada japonês a guardar no bolso o lixo eventualmente produzido fora de casa e a colocá-lo no recipiente próprio quando chega em sua residência.

          O exemplo nos coloca de encontro à nossa triste realidade. Vivemos num país de dimensões continentais, potencialmente rico, pouco atingido por intempéries de grandes proporções, o que talvez explique nosso “estar à vontade” nosso individualismo, nossa deseducação em que, por exemplo, cidadãos ditos “de bem”, madames, “patricinhas” e “mauricinhos” levam sem nenhum constrangimento seus cachorros para fazer cocô na via pública, pra ficar apenas num exemplo comum e sintomático.

          De repente me alonguei no que pretendia ser apenas um parágrafo introdutório. O que quero compartilhar com você, caro leitor, é um encontro singular de pessoas, de gente, todavia tendo o mesmo mote da introdução: Copa do Mundo e encontro de gente. O fato se deu na fila do caixa de um supermercado, quando providenciava minha colaboração para os “comes e bebes” durante o jogo de estreia da seleção brasileira na casa de um amigo.

          Encontrava-me no “rabo” de uma das filas de caixa, quando chegou um senhor de idade e pediu-me para “guardar o seu lugar”, informando a quem chegasse depois, enquanto ele estivesse ausente. Falou-me ainda que a esposa dele estava fazendo as compras, por sinal também pra levar pra casa de um amigo, onde iriam assistir ao jogo. Acrescentou que ele estava “cuíra” pra tomar um café e por isso iria ausentar-se por alguns instantes. Perguntou-me se eu também gostaria de tomar um cafezinho. Agradeci a gentileza e assumi o compromisso de guardar o lugar dele.

          Na sua volta, quando a fila já crescera exponencialmente, prosseguimos aquele gostoso diálogo. Logo percebemos sermos meio xarás. Ele Luiz Octavio e eu Octavio José. A partir dessa identificação, o “papo” fluiu como dois velhos conhecidos. Tanto quanto eu, ele é aposentado, no caso dele, da UFPA, onde foi professor do Departamento de Engenharia Mecânica. Mas o que mais me chamou atenção foi a afirmação dele de que nunca ao longo de sua vida profissional fez tantas coisas como faz agora e se sente tão útil. Isso acentuou nossa identificação, porque é assim que eu me sinto, depois de 35 anos de serviço público.

          A conversa fluía tão intensamente que parecia não estarmos ali no meio daquele tumulto. Daí a pouco chegou a esposa dele com uma quantidade significativa de produtos nas duas mãos. Não usava um carrinho. Não tive dúvida de sugerir o compartilhamento do carrinho que eu ocupava, pra que ela também acomodasse suas compras. Notei a forma como ele me olhou diante do meu gesto espontâneo. Havia um misto de surpresa, agradecimento e emoção.

          Conversamos até o momento de eu passar minhas compras. Pra mim e com certeza pra ele foi como se o tempo não houvesse passado. Na verdade foi curto para tanto aprendizado recíproco. Ao nos despedirmos ele disse algo que me deixou com a alma mais leve. Falou que por tudo o que ele ouvira, certamente muita coisa importante eu já fiz na vida, mas que de todos os títulos que eu possa ter, há um que talvez nunca ninguém me tenha outorgado, mas que é o mais importante de todos. Você é GENTE, sentenciou ele.

          Pra mim foi um encontro de GENTE. Um encontro de afins, segundo Artur da Távola na crônica “Afinidade o sentimento que resiste ao tempo e ao depois”. Não trocamos cartões nem telefones, mas tenho certeza de que o dia que nos reencontrarmos, o “papo” vai prosseguir normalmente como se nenhuma interrupção tivesse ocorrido e como se o tempo não houvesse passado.

          Ah meu meio xará! Quem dera se as pessoas se olhassem mais com o espírito desarmado e sem qualquer preconceito se acolhessem mutuamente, mesmo nas condições adversas, se houvesse mais cooperação e menos competitividade. Certamente todos viveriam mais felizes e o mundo seria muito melhor.                   


          

terça-feira, junho 10

BELÉM, PORTO-POEMA DA AMAZÔNIA






       
      
Muito proveitosa a reunião de ontem à noite dos organizadores do Evento da Amazônia do 100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças que apreciou o Projeto apresentado pelo empreendedor sócio-cultural Octavio Pessoa, para a realização do evento de 2014. O produtor musical Paulo Assunção enriqueceu a proposta, especialmente com a inclusão de prestadores de serviços estratégicos para o sucesso do evento e sugestões voltadas para o aprimoramento da estrutura de palco.    
          

 O evento terá como semântica, por inspiração do escritor Daniel Leite, “Belém, porto-poema da Amazônia”, em face da  indiscutível efervescência cultural que vive a capital paraense especialmente no campo da Poesia e confirmando a tese do reconhecimento de Belém como a Capital Amazônica da Poesia.
  Por isso a logomarca deste ano terá o ícone permanente do Evento da Amazônia, a Samaumeira  do Hangar, mixada à foto do porto de Belém da perspectiva da Estação das Docas com destaque para os guindastes, um ícone de Belém. Resultado da fusão das imagens da Samaumeira em foto de Ylen Brito e do porto de Balém, de autoria do publicitário Nailson Guimarãoes. 
     A programação deste ano será no sábado, dia 27 de setembro, de 18 às 22 h, no Anfiteatro São Pedro Nolasco, da Estação das Docas, data em que mais de 1.000 eventos similares serão realizados em mais de 100 países do mundo. É a versão amazônica “100 Thousand Poets & Musicians for Change”, idealizado pelos poetas e ativistas Michael Rothenberg e Terry Carrion e trazido para Belém pelo poeta Benny Franklin.

  Os poetas americanos propõem a reunião de poetas, escritores e músicos com o público da sua comunidade, nos mais diversos lugares do planeta, para apresentarem sua obra e desenvolverem temas como a busca da paz mundial, da sustentabilidade do planeta e outros afins, mesclados a assuntos de interesse da própria comunidade, sendo assim um evento glocal- que harmoniza interesses globais e locais. A Stanford University/USA chancela e registra todos os atos dos 100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças pelo mundo afora, por identificar na proposta um movimento histórico de repercussão mundial.
Desde 2012, um grupo de poetas, escritores e músicos identificados com a proposta vem realizando em Belém, o Evento da Amazônia assim chamado por ser o pioneiro na região norte do Brasil. Naquele ano, adotaram a semântica “Fazer da Paz Um Verbo”, em 2013 “Por Um Rio de Paz na Cidade das Águas”, sempre inspiração de Daniel Leite. Nas duas vezes, mais de duas dezenas de poetas que raramente teriam oportunidade nos espaços culturais da cidade, se sucederam no palco do Anfiteatro São Pedro Nolasco, em blocos intercalados por números musicais. E artistas de reconhecida produção também apresentaram ao grande público obras de relevante importância social, como se deu no ano passado com o poeta, escritor, compositor e produtor cultural Carlos Correia Santos.
Essa característica do Evento da Amazônia de abertura de espaço para poetas, escritores e músicos com potencial produtivo ou mesmo com produção concretizada mas de pouco conhecimento público e também a  oferta de oportunidade para  artistas renomados apresentarem obras de relevante importância social ao grande público motivou os presentes na reunião a ratificarem a proposta de incremento da profissionalização do Evento da Amazônia. 
   Eles se colocam agora em campo, para captar recursos junto a instituições, empresas e pessoas que queiram associar sua marca ou seu nome a um evento de indiscutível valor sócio-cultural que, ampliarão sua visibilidade junto ao público, pois a marca ou o nome será exibido durante toda a programação do evento no painel de fundo do palco e também no contexto e na contracapa do DVD que será editado para ser doado a universidades, escolas e entidades sociais.O apoiador/patrocinador será também mencionado em todas as mídias onde o evento for divulgado.
Como nos anos anteriores, após a abertura do Evento da Amazônia, será recitado um poema em que a Semântica “Belém, porto-poema da Amazônia” será explicada. Sucedendo-se depois no palco, blocos de poetas apresentando sua obra, intercalados por números musicais.

No final, o violonista paraense de renome internacional, Salomão Habib, será homenageado por sua extensa pesquisa de mais de 25 anos sobre a vida e a obra do músico paraense Tó Teixeira. Após a apresentação musical de Habib, com a participação de Márcia Waina Kambeba, autêntica representante da etnia Omágua/Kambeba, ele será agraciado com uma placa em que ficará consignado o reconhecimento dos 100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças e do público paraense, pelo trabalho, pela vitoriosa carreira e por sua arte, “o único bem que imortaliza o ser humano”, segundo o próprio Salomão Habib.


Salomão Habib, o grande homenageado deste ano.



domingo, abril 20

A SEGUNDA VINDA William Butler Yeats / Tradução de Pedro Calouste


Catedral do Rio de Janeiro
GIRANDO e girando na espiral que se amplia
O falcão não consegue ouvir o falcoeiro;
As coisas dissolvem-se; o centro não segura;
A mera anarquia é dissipada para o mundo,
A maré escura de sangue é perdida, e em qualquer lugar
A cerimónia da inocência se afunda;
Aos melhores lhes falta toda a convicção, enquanto os piores
Estão plenos de intensidade apaixonada.

Certamente alguma revelação estará à mão;
Certamente A Segunda Vinda estará à mão.
A Segunda Vinda! Mal saem estas palavras
e uma larga imagem vinda do Spiritus Mundi

Perturba a minha visão: algures nas areias do deserto
Uma forma com corpo leonino e cabeça de homem,
Um olhar fixo em branco e impiedoso como o sol,
Faz mover-lhe as coxas lentas, enquanto sobre ela
Oscilam sombras de pássaros indignados do deserto.
A escuridão cai de novo; mas agora sei
Que vinte séculos de um sono pedregroso
Se precipitaram no pesadelo por um berço que embala.
E qual besta em fúria, a sua hora vem por fim,
Arrastar-se-á até Belém para nascer?


Nem sempre concordo com o que o Arnaldo Jabour fala na coluna dele no Jornal da Globo. Mas na última sexta-feira chamou-me atenção o poema acima, que ele declamou após a matéria acerca das medidas adotadas pela Arquidiocese do Rio de Janeiro no sentido de cancelar, por medida de segurança dos fiéis, todas as cerimônias religiosas da Semana Santa que se realizariam na Catedral do Rio de Janeio, que está sitiada por manifestantes, depois de terem sido retirados da Câmara dos Vereadores do Rio.

Fiquei tão intrigado que pesquisei imediatamente na internet e o encontrei no excelente site da poeta lusitana Sylvia Beirute. Após agradecer ao tradutor para o português, a poeta comenta que “A Segunda Vinda (The Second Coming) é um dos mais importantes poemas da poesia moderna, usando de um vocabulário cristão que remete para o Apocalipse, sendo que esta segunda vinda é uma alegoria para descrever a atmosfera do pós-guerra europeu. Por aquilo que se vive actualmente, com incidência na economia mundial e prementemente na irlandesa, creio que a leitura deste poema faz hoje todo o sentido.”.

Ratifico as palavras de Sylvia Beirute, constatando a adequação do poema aos tristes dias que vivemos hoje em nosso país. 

Compartilho com vocês agora, o poema em sua língua de origem:

THE SECOND COMING

TURNING and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

Surely some revelation is at hand;
Surely the Second Coming is at hand.
The Second Coming! Hardly are those words out
When a vast image out of Spiritus Mundi

Troubles my sight: somewhere in sands of the desert
A shape with lion body and the head of a man,
A gaze blank and pitiless as the sun,
Is moving its slow thighs, while all about it
Reel shadows of the indignant desert birds.
The darkness drops again; but now I know
That twenty centuries of stony sleep
Were vexed to nightmare by a rocking cradle,
And what rough beast, its hour come round at last,
Slouches towards Bethlehem to be born?

quinta-feira, abril 17

100 MIL POETAS E MÚSICOS HOMENAGEIAM SALOMÃO HABIB


Salomão Habib (e), o grande homenageado.


O violonista paraense de renome internacional Salomão Habib será o grande homenageado na versão deste ano do  “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”,  evento da Amazônia que será realizado mais uma vez no Anfiteatro São Pedro Nolasco, da Estação das Docas, no sábado dia 27 de setembro, de 18 às 22 horas.  

É o reconhecimento dos poetas e músicos da Amazônia pela brilhante carreira internacional de Habib e especialmente pela profunda pesquisa por ele realizada, em mais de 20 anos, acerca da vida e da obra de Tó Teixeira, um homem do povo de Belém que marcou a vida cultural da Metrópole da Amazônia, no início do século passado. Naquela época, sequer o rádio existia no Brasil, as músicas eram executadas, em função das partituras, nos saraus em casas de família, que sempre tinham um piano, e nos mais de vinte teatros que havia em Belém, à época.



O trabalho de Salomão contempla a biografia e o registro completo da extensa produção de Tó Teixeira, em dois livros, um sobre a vida de Tó e outro com as partituras de suas músicas, além de 3 CDs com as músicas e um videodocumentário em DVD conduzido por  Habib com a  participação de diversos músicos e intelectuais paraenses, conversando sobre a história das músicas e da vida de Tó. No documentário são narradas também, passagens da verdadeira saga que foi a pesquisa. Tem agora o público paraense, meios para conhecer melhor a vida e a produção musical de Tó Teixeira, o Poeta do Violão.

          A semântica deste ano do  “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças” será “Belém – Porto Poema da Amazônia”, mais uma inspiração do poeta e escritor paraense Daniel da Rocha Leite, sintonizado com a proposta de Belém ser reconhecida como a Capital Amazônica da Poesia. O poema de abertura do evento será de autoria do poeta, escritor e professor Alfredo Garcia Bragança,

          O coordenador técnico Rosenaldo Sanches já articulou a estrutura de palco,   uma necessária antecipação de providência, em razão da proximidade do evento e as eleições deste ano, época em que essas estruturas ficam comprometidas com as campanhas políticas, como foi percebido em 2012.  Também estão em curso medidas para a transmissão em tempo real, via Internet, do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”, evento da Amazônia. 
  
Obras da fotoartista e poeta Ylen brito,  uma foto da Samaumeira do Hangar, ícone do evento, e outra da  orla de Belém, mixadas, ilustrarão a semântica “Belém, Porto Poema da Amazônia” no material de divulgação do evento.

O “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças” foi trazido pra Belém pelo poeta Benny Franklin, amigo dos idealizadores os  poetas e ativistas americanos Michel Rothenberg e Terry Carrion. A proposta é a  reunião de poetas, músicos e criativos em geral,  em ambiente aberto ao público, nos mais diversos lugares do planeta, num mesmo dia do ano, para mostrarem sua produção, privilegiando a  glocalidade – visão global e realidade local, destacando problemas específicos da realidade do lugar, conjugados a temas como  a busca da paz mundial, a sustentabilidade do planeta, o não às guerras e à violência e temas afins.



A data escolhida para este ano foi o sábado 27 de setembro. Até o momento, mais de 300 eventos já estão inscritos em mais de 100 países.

terça-feira, março 4

EXPLOSÃO POÉTICA EM BELÉM NO DIA 14 DE MARÇO


          14 de Março é o Dia Nacional da Poesia, em razão do aniversário de nascimento do poeta baiano Antonio Frederico Castro Alves. Este ano cai numa sexta-feira e, em Belém, os amantes da Poesia terão opções de  programação poética para prestigiarem.

          A partir das 19 horas, no Sesc Boulevard (em frente à Estação das Docas),  acontece a II Festa Paraense da Poesia. Na abertura, dentro do Projeto Rota Intercâmbio, apresentação da Poeta Rita Melém, com participação especial do grupo Arsenal de Rima. 



           Na sequência, o grupo VersiVox apresenta “O Samba Veio no Navio Negreiro”, baseado na obra de Castro Alves, o poeta dos escravos. Com Carlos Correia Santos, Ane Barbosa, Karina Lima, Renato Rosas, Alexandre da Silva, uma produção de Hudson Andrade.



          Na Praça do Artista, do CENTUR (Av. Gentil Bittencourt com a Rui Barbosa), também a partir das 7 da noite, ocorrerá o lançamento da Antologia do Instituto Cultural do Extremo Norte/ICEN, denominada  Eco Poético.  



          A “Eco Poético”  é uma coletânea com significativa parcela da produção poética paraense e amazônica e texto de Apresentação deste mais cronista do que poeta. Na programação do lançamento, a presença de poetas do Extremo Norte, dos cantores/compositores Alcyr Guimarães e Tommil Paixão, do grupo Ayvu Rapyta Contadores de História e dos dançarinos Nonato e Jéssica. 

          A efervescência cultural e particularmente da Poesia em Belém do Pará nos últimos tempos,  é indiscutível. A ação de poetas e grupos independentes, somada ao trabalho de escritores, agitadores e produtores culturais, fazem de Belém uma verdadeira  “Capital Amazônica da Poesia”.

          Aliás, acho que não é má ideia lutarmos pelo reconhecimento de Belém como “Capital Amazônica da Poesia”. Assim como  pessoas e grupos do Rio se movem pro Rio de Janeiro ser reconhecido como “Capital Nacional da Poesia”.

Penso que devemos valorizar também o 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, instituído pela XXX Conferência Geral da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, para promover a leitura, a escrita, a publicação e o ensino da Poesia pelo mundo.


          Ficam as sugestões.

sábado, março 1

EM TEMPOS DE CARNAVAL, UMA CURIOSIDADE HISTÓRICA E UMA SUGESTÃO DE LEITURA



“A Jardineira”, marchinha tão tocada e cantada nos bailes de momo, pode ser considerada o primeiro hino da Força Aérea Brasileira.

É verdade. Os membros do 1º. Grupo de Aviação e Caça, embrião da então nascente FAB, após passarem por treinamentos em Orlando e no Panamá, foram receber  na base aérea de Suffolk, estado de New York, os treinamentos finais nos lendários aviões Republic P-47D Thunderbolds, para atuarem no teatro da 2ª. Guerra Mundial.   

Eles chegaram a New York em 1943, no Dia da Independência norte-americana, 4 de julho, e se depararam com um desafio que a capacidade de improviso do brasileiro “tirou de letra” . Na cerimônia de formatura e desfile de boas-vindas, a tropa americana cantou o hino de sua Força Aérea. Momentos antes do desfile brasileiro, como ainda não havia um hino da embrionária FAB, o chefe do destacamento, capitão Marcílio Gibson, ordenou que a tropa cantasse “A Jardineira”, conhecida por todos na voz de Orlando Silva. Assim, a velha marchinha carnavalesca, composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto, sucesso no carnaval de 1938, foi entoada com toda força, pelos aviadores e serviu como hino informal daquele batalhão. Ao fim da cerimônia os bravos soldados brasileiros foram cumprimentados pela excelência de seu hino.

Fico imaginando um pelotão militar cantando, num "dó de peito",  em uníssono:

Oh jardineira, por que estás tão triste? 
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu
Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu
Vem jardineira, vem, meu amor! 
Não fique triste que este mundo é todo seu. 
Você é muito mais bonita que a camélia que morreu

Esse fato pitoresco é registrado pelo músico e escritor João Barone, em seu excelente livro, “1942 – O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida”. Nele  registra não só aspectos pitorescos que nem esse, mas resgata com competência e profundidade a histórica participação da Força Expedicionária Brasileira, os Pracinhas brasileiros, convocados para a 2ª. Guerra Mundial. Contextualiza muito bem o período histórico mundial e brasileiro, as circunstâncias em que se deu a adesão do Brasil às forças aliadas, a vacilação de Vargas ante as forças germanófilas presentes nas forças armadas e no quadro político  e econômico brasileiro e a identificação do presidente  com as ditaduras nazifascistas.

Barone, filho de Pracinha que esteve no cenário de guerra, descreve como eles foram arregimentados, as condições adversas em que lutaram,  seus atos heroicos, e  a frustração de quem foi à guerra lutar pela liberdade e pela democracia, e no retorno é recebido por um regime que permanecia ditatorial, cujo primeiro ato oficial em relação à tropa, foi decretar a extinção da Força Expedicionária Brasileira, quando ela ainda se encontrava em solo europeu.

A obra é rica em detalhes, como os equipamentos utilizados  pelos Pracinhas na guerra, os combates, os nomes brasileiros que atuaram em campos opostos, assim como as cenas de afundamento de navios mercantes brasileiros, que foi o estopim para a entrada do Brasil na guerra, chegando ao requinte de relacionar todos os navios afundados, sua tripulação e outros dados interessantíssimos.

Ao final, uma advertência para nossa histórica ignorância acerca da  nossa História. Ressalta que em matéria de lembrar e valorizar a Força Expedicionária Brasileira, os italianos dão uma verdadeira lição em nós brasileiros que mal sabemos o que aconteceu durante o conflito, de como os verdadeiros heróis deveriam ser cultuados. Quase setenta anos depois do final da guerra, em discursos de autoridades italianas, ouvidos por Barone e um grupo de interessados pela da História da 2a. Guerra Mundial, a expressão mais usada foi “non dimenticare”, que significa “não esquecer”.


Vale a pena ler essa obra de João Barone editada pela Nova Fronteira no ano passado, pra entendermos o descaso  com que os heróis expedicionários foram tratados pelas autoridades brasileiras e serve de ponto de reflexão para entendermos outros fatos da nossa História, inclusive os que ocorrem nos dias atuais. O livro é também encontrado em e-book, na Amazon.com.



quinta-feira, fevereiro 27

EMPREENDEDORISMO: CURTA ESSA IDEIA é marcado pela interação.


        Boas iniciativas merecem ser evidenciadas e publicadas em todas as mídias. Cumpro esse papel, registrando neste blog o “Empreendedorismo: Curta essa ideia!”, promovido pela Agência de Inovação Tecnológica da UFPA, UNIVERSITEC, dentro da programação da Semana do Calouro, que se encerra amanhã, sexta-feira, 28 de fevereiro, com a palestra “Empreendedorismo: Curta essa ideia!”, de 9 às 11h no Centro de Convenções Benedito Nunes, da Universidade Federal do Pará

Desde o início, o evento voltado para o Empreendedorismo, com apoio do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN), do Instituto de Tecnologia da UFPA (ITEC) e do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT-Gumá), foi marcado pela interação entre alunos e professores nas dinâmicas de grupo realizadas.

Para Leila Furtado, idealizadora e facilitadora do “Empreendedorismo: Curta essa ideia!”, os participantes,  bastante motivados, satisfazem sua curiosidade acerca do Empreendedorismo. Como a Universidade tem a missão de contribuir para a construção de uma sociedade sustentável a partir do conhecimento produzido na Instituição, diz Leila, um evento dessa natureza é importante para estimular nos alunos o   empreendedorismo, seja na vida pessoal, nas organizações em que venham a prestar sua colaboração, ou mesmo como  geradores de empregos, nos empreendimentos que venham a criar e desenvolver, concorrendo para que a UFPA cumpra seu papel de fomentadora do desenvolvimento da Amazônia.

A Universitec enfatiza os frutos que podem ser gerados em decorrência do evento. A geração de novos empreendimentos para a incubadora de empresas da Agência, a transferência de tecnologia à sociedade por outros meios, além do apoio à criação e desenvolvimento de empresas pela incubadora, o que permite a expectativa de que o “Empreendedorismo: Curta essa ideia!” não só desperte o interesse pelo empreendedorismo mas também, que os empreendimentos gerados pelos alunos sejam melhor planejados e estruturados.

Luciana Ferreira Centeno, engenheira de alimentos e pesquisadora de sua área em nível de pós-doutoramento, também  organizadora e facilitadora, considera o evento uma iniciativa brilhante, que tem tudo para gerar interesse dos calouros e estimular neles o espírito empreendedor que nos próximos anos de universidade, poderá ser aprimorado por meio de outras iniciativas e capacitações, proporcionando a formação de novos empreendedores que certamente contribuirão com negócios mais sustentáveis para a sociedade.
        
    Para Layana Duarte, Caloura de Farmácia, as atividades trouxeram clareza sobre o tema.  “Estou achando esta atividade interessante porque, de maneira divertida, está trazendo conhecimentos que eu precisava na área de empreendedorismo.”


quarta-feira, fevereiro 26

DES/ENCONTRO NO ELEVADOR. The end.


         Na última crônica contei um episódio patético que presenciei, junto com outras pessoas, na porta de entrada e depois, no elevador de um hospital da cidade, quando fui fazer teste ergométrico.

       Um “coroa” abriu gentilmente a porta e segurou-a, facilitando a entrada de todos. Entre as  pessoas que passaram, uma “gatinha” olhou pro gentil homem e chamou-lhe com doçura pelo nome. Ele não deu ouvidos. Prosseguiu na cortesia pras demais pessoas.

              No elevador em que todos entraram, ela meio sem graça e com a cândida voz, chamou-lhe duas vezes pelo nome e ele permaneceu impávido, recostado numa das paredes do elevador, com o olhar perdido no horizonte. Encabulada, ela disfarçou o constrangimento, aparentemente conferindo mensagens no celular e desceu num dos primeiros pavimentos, enquanto ele prosseguiu subindo.

              A cena inusitada chamou a atenção de todos e despertou o espírito do cronista.  Estaria ela enganada? Falando com um estranho, julgando ser o seu conhecido? A meiguice da voz e a ternura do olhar chegavam a ser desconcertantes. Na esteira do teste ergométrico, construí minhas hipóteses sobre a cena presenciada.

    Primeira, o “coroa” sofre de surdez e naquele dia, esqueceu o discreto aparelho auricular que usa pra reduzir a deficiência auditiva, razão por que a provocação "passou batida”.

    Na segunda hipótese, achei que a mocinha estava enganada e o “indigitado” é gay. Ele nem piscou e desejou que a  “saliente e apresentada” fosse pro inferno.

      Ante a sacanagem com o desconhecido, dei-lhe uma forra. Eles se conheceram mesmo num furtivo encontro em que as afinidades explodiram, “rolando” um recíproco  desejo de aprofundamento do vínculo, que é dificultado pelos compromissos afetivo de ambos e agravado pela expressiva diferença de idade entre eles. Agora o toque nelsonrodrigueano: no dia do des/encontro, ele estava impactado pelo diagnóstico médico e só pensava nos  exames que tinha que fazer, que poderiam confirmar sua sentença de morte. Pergunto agora: será que aquele incomum festival de salamaleques pro público, seria uma purgação antecipada?

      Alertei o leitor de que a crônica não estava terminada. Diante do quadro descrito, eu aceitaria outras explicações ou até mesmo um desfecho pro episódio.

     Num sugestivo e-mail uma leitora disse que se o "coroa" não ouviu, se ele é gay ou se foi vítima da sentença de morte antecipada, ela não sabe. Mas percebe que eu fiquei tão impressionado com a beleza e a voz da moça que ela mereceu até uma crônica. 

Pelo Facebook,  minha colega Daely Cunha, jornalista profissional hoje radicada em Vitória, Espírito Santo, assim se manifestou:

“Vai ver que discutiram por ciúmes... e ele fez ‘ouvido mouco’ aos apelos de ‘bandeira branca, amor!’ que ela tentou, chamando por ele...E ela saltou antes para pegar outro elevador ou descer pelas escadas, de volta ao térreo... Quem sabe saiu porta afora e vida adentro, valorizando o que lhe restou depois da possível discussão: a beleza, a juventude e a oportunidade de recomeçar...”


Obrigado, Daely. Sua alternativa também faz sentido e gostei demais da expressão "saiu porta afora e vida adentro" Com o seu texto dou-me por satisfeito e encerro o assunto.

sábado, fevereiro 1

DES/ENCONTRO NO ELEVADOR. Uma crônica inconclusa.




-                                    -  Vítor…

A “gatinha” falou com voz meiga, ao entrar no hospital. O “coroa” permaneceu firme, segurando a porta pra outras pessoas também entrarem.

Todos entraram no elevador, inclusive os dois. De novo a “gatinha” olhou meio sem graça na direção do “coroa” e, - Vítor... Vítor, disse com voz suave e um pouco encabulada, ante a presença das outras pessoas. O “coroa”, encostado numa das paredes do elevador, permaneceu impávido, com o olhar perdido, numa concentração budista. Ela então, disfarçou o constrangimento,  conferindo aparentemente mensagens no celular. Desceu num dos pavimentos. Ele prosseguiu a viagem ascendente do elevador.

Ora, não é comum um homem resistir aos encantos de uma jovem e linda mulher. Mais ainda, quando ela o chama com docilidade pelo nome. Eu, tanto  quanto outros espectadores com certeza, fiquei “encucado” com a cena patética. O espírito de cronista foi provocado.

A mocinha estava enganada? Estaria ela falando com um estranho, julgando ser o seu conhecido? Mas a meiguice de sua voz e a ternura do seu  olhar, chegavam a ser desconcertantes.

Na esteira do teste ergométrico, comecei a constuir hipóteses para o que terminara de presenciar.

Primeira, o “coroa” usa um discreto aparelho auricular no dia a dia, pra reduzir  sua surdez. Justo naquele dia, ele esqueceu o equipamento e  por isso não  ouviu a “provocação”.

Segunda, ela estava enganada de pessoa mesmo, e o cara é gay. Assim, diante da investida, ele fez aquele ar de paisagem amazônica, pensando:- ainda mais essa. Sai pra lá, espinha de bacalhau.

Terceira, eles se conhecem mesmo. E se conheceram num rápido e fugaz encontro profissional, em que afinidades “explodiram”. “Rolou” um clima recíproco de desejo de aprofundamento do vínculo, que é  prejudicado pelos compromissos afetivos de cada um e agravado pela diferença abissal de idade entre eles. E pro azar, no dia do acidental des/encontro, ele estava sob o impacto do diagnóstico médico para seu estado de saúde e só tinha pensamento para o resultado os exames que fora fazer. E assim, nem percebeu que no meio daquelas pessoas, estava aquela jovem mulher que mexeu com a cabeça e o coração dele.


Amigo leitor, esta crônica está inconclusa. O quadro, sem tirar nem por, foi esse que descrevi. Se você tiver outra explicação para o triste des/encontro, aceitam-se sugestões. Ou, se preferir, você pode concluí-la, dando um desfecho para o episódio.