segunda-feira, agosto 20

MARÍLIA EMMI AGORA EM PORTUGUÊS E INGLÊS



        A socióloga, doutora, professora e pesquisadora Marília Emmi mais uma vez é reconhecida na seara da ficção que abraçou após sua aposentadoria da UFPA.

Ainda na Academia, Marília se tornou Mestre com sua tese que deu origem ao livro hoje esgotado sobre a “Oligarquia do Tocantins e o domínio dos castanhais” e doutorou-se com a tese que originou a obra “Italianos na Amazônia: pioneirismo econômico e identidade”. Ela escreveu depois, um livro em que ampliou o espectro da imigração na Amazônia, “Um Século de Imigrações Internacionais na Amazônia Brasileira”.



As origens italianas tanto de Marília quanto do marido, Giovanni Emmi, falaram mais alto e hoje ela se dedica à ficção em textos com a temática da imigração italiana na Amazônia. Seu primeiro conto, “Letizia”, foi premiado no 1º Concurso Literário Brasil-Itália publicado na Antologia Vozes Ítalo-brasileiras I / Voci Italobrasiliane I (2016).

Selecionado, um novo conto de Marília faz parte agora da coletânea bilíngue Faz de Conto III / Make Believe III, organizado por Jannini Rosa e apresentado por Betty Silberstein, escritora, revisora e tradutora e é editada pela Helvetia, de Cabo Frio/RJ.

São 35 contos de diversos autores editados num livro que não tem capa e contracapa. Em qualquer sentido que o leitor apanhe o livro, a leitura é possível. De um lado em Português e de outro em Inglês. Essa concepção gráfica lembra a obra do consagrado autor paraense Daniel da Rocha Leite em parceria com o também paraense Paulo Vieira, “Peso-Ver-O”, que não é bilíngue, mas aborda sob dois enfoques a temática da feira do Ver-O-Peso de Belém.

Compartilho com o prezado leitor, o texto em Português do conto de Marília Os três amigos / The Three Friends, sugerindo a leitura da coletânea completa que pode ser solicitada pelo site www.helvetia-edicoes.com.br

Os três amigos

Como se não bastasse o som da vitrola no último volume, o coro das vozes dos três amigos, ao entoar uma velha canção do folclore italiano, rasgava o silêncio da noite naquela cidadezinha do interior da Amazônia. Quando não era a vitrola, o som vinha do acordeon de Vittorio sempre acompanhado pelos amigos que aumentavam a voz no refrão:
Merica, Merica, Merica / Cosa saràlo ‘sta Merica? / Merica, Merica, Merica / Un bel mazzolino di fior
A cena se repetia todas as vezes que Gennaro, Vittorio e Giuseppe se encontravam.
_ A italianada já começou a cantoria, vou me recolher! Reclamava dona Maricota, vizinha de Giuseppe.
_Vamos para casa da vovó! Os filhos de Giuseppe já sabiam que era hora de sair para dar aos amigos a liberdade de mergulharem numa Itália distante, que só existia em suas recordações. Eram tantas evocações: pessoas, lugares, acontecimentos que só no universo deles fazia sentido.
O calabrês Gennaro era da província de Cosenza. Após breve passagem pelo Rio de Janeiro, morou por algum tempo em Belém, de onde seguiu ao encontro de parentes que haviam se radicado em Óbidos, próspera cidade do baixo Amazonas. Solteiro, deixou Maria, sua noiva na Itália, mas em Óbidos casou-se com Manuela, filha de um comerciante espanhol, seu patrão. Gennaro, que era ferreiro de profissão, depois de muita luta conseguiu montar um pequeno comércio de gêneros alimentícios, ao lado de sua oficina. O lucano Vittorio, veio da província de Potenza e fixou residência em Belém. Dois anos após a chegada, mandou buscar a mulher e os filhos. Foi jornaleiro e engraxate mas conseguiu se firmar´ como sapateiro. Trabalhou durante muitos anos na sapataria Bella Itália, no centro de Belém. Prosperou, conseguindo tornar-se sócio desse estabelecimento. O siciliano Giuseppe desde muito jovem trabalhou na agricultura. Convocado, esteve nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Desse período, além da memória dos combates, da fome e das agruras da guerra, alucinações fantasmagóricas povoavam seu imaginário. Enfrentou muitas dificuldades para se fixar em Belém. Aceitava o trabalho que aparecia. Foi leiteiro, jornaleiro, engraxate e sapateiro. Resolveu tentar a sorte na cidade de João Coelho, situada às margens da estrada de ferro de Bragança. Nessa cidade fixou residência e conseguiu montar um pequeno restaurante onde servia a verdadeira massa italiana que tinha prazer em preparar.
O compromisso era imprescindível: todo final de mês Vittorio e Genaro cumpriam o mesmo ritual, tomar o trem em Belém para o encontro na casa de Giuseppe. Haveria algo no passado que unia esses três imigrantes com diferentes trajetórias e histórias de vida? O fato de terem vindo de regiões empobrecidas do sul da Itália e em circunstâncias adversas, além do sonho de juntar recursos para o retorno à terra natal talvez explicasse tamanha cumplicidade, ou haveria algo mais?
As crianças gritavam alvoroçadas: Lá vem o trem! Lá vem o trem! O barulho do trem trazia um pouco de vida àquelas paragens. Os vendedores ficavam à beira da estrada com tabuleiros na cabeça anunciando seus produtos:
- Olha a broa, olha o pastel! Vai uma pupunha cozida?
Ofereciam também frutas da região. Um cheiro gostoso se espalhava no ar: cupuaçu, bacuri, araçá, jambo. Tudo era convertido em alguns trocados.
O encontro dos amigos era um acontecimento singular! Giuseppe vestia sua melhor roupa, sapatos engraxados, cujo brilho a grossa camada de poeira escondia. O inseparável boné xadrez sobre seus ralos cabelos.
Não importava se o tempo estava chuvoso ou ensolarado. A cena sempre se repetia. Vittorio e Gennaro desciam do trem bastante cansados, cabelos em desalinho, roupas acinzentadas pela fumaça e por vezes queimadas pelas brasas que se desprendiam do trem, mas nem se importavam com os percalços da viagem. Sempre com um embrulho debaixo do braço, Gennaro trazia guloseimas para os filhos do amigo. As crianças ficavam à espreita e logo que recebiam os doces sumiam pela vizinhança. Vittorio trazia vinho, jornais e revistas que ganhava de patrícios assíduos em sua sapataria.
O encontro começava tão logo a locomotiva sumisse na estrada e entrava pela noite. Geralmente durava dois ou três dias. Só terminava com a partida do trem que levava de volta os visitantes.
Nem parece que já haviam se passado mais de trinta anos quando a bordo do navio Europa os três desembarcaram no Rio de Janeiro. A decisão de buscar o Brasil como destino do percurso migratório estava nos planos do calabrês e do lucano, ambos tinham parentes e promessas de trabalho. Diferente era a situação do siciliano. Insatisfeito com seu ofício de ajudante de cozinha no navio, sempre que aportava, tinha desejo de ficar. Considerava o sonho impossível, não fosse a motivação e a ousadia dos novos amigos que fizera, sobretudo por conseguir burlar a vigilância e partilhar alimentos que minorassem a fome e o desconforto a que eram submetidos como passageiros de terceira classe. Gennaro e Vittorio juraram que iriam conseguir realizar o sonho do novo amigo. Sim, ele também tinha o direito de “fazer a América”!
O plano de fuga foi posto em prática na ocasião do desembarque no Rio. Giuseppe ofereceu ajuda para carregar as malas e assim que se viu em terra firme desapareceu na multidão. O que aconteceu depois? As histórias só foram conhecidas quando na década de 1950, por obra do acaso, houve o reencontro dos três numa estação da ferrovia Belém-Bragança.
_ Senhor, que horas parte o próximo trem para Bragança? Moro em Óbidos, mas preciso entregar uma encomenda...
A frase é interrompida por gritos de direções opostas: 
_ Gennaro!Gennaro!
_ Vittorio! Giuseppe!
Quanto tempo choraram abraçados! Queriam saber dos diversos caminhos percorridos, compartilhar experiências, conhecer a história de cada um. Estavam felizes no Brasil, mas a nostalgia da terra-mãe seria o elo da corrente que iria acompanhá-los nos encontros mensais, pelo resto de suas vidas.
Marilia Ferreira Emmi
Belém-Pará 14/01/18




segunda-feira, maio 28

A INCONTINÊNCIA DIGITAL E A FILOSOFIA DE RIOBALDO



Octavio Pessoa

          Tal como a incontinência urinária, a incontinência intestinal e outras afins, espalha-se agora outra incontinência tão perniciosa quanto as suas semelhantes,  a Incontinência Digital.
          O portador da Incontinência Digital não resiste à coceira incontrolável na ponta dos dedos e, junto com as numerosas mensagens de autoajuda, replica as notas bombásticas que invadem as mídias eletrônicas, especialmente quando o conteúdo da nota “bate” com o ponto de vista que ele sustenta, a maioria das vezes absorvido por osmose de falsos formadores de opinião.
O Incontinente Digital é um assíduo frequentador dos grupos do wathsapp. Ele não percebe que a maior guerra dos dias atuais é a provocada e estimulada pelos fabricantes de opiniões a serviço deste ou daquele interesse, que encontram nos Incontinentes Digitais os seus maiores aliados no processo de viralização das fake News. Parece que o Incontinente Digital sente verdadeiro orgasmo ao ingenuamente prestar valorosa colaboração no espalhamento das falsas notícias. O relacionamento do produtor de falsas informações e o Incontinente Digital é como o da tampa e do penico.
A Incontinência Digital tem cura? Há controvérsias. Há sim paliativos como, por exemplo, contar até mil antes de dar vazão à incontrolável urticária dos dedos diante das notícias e informações extravagantes, especialmente quando elas contêm opiniões com a qual o portador dessa Incontinência se identifique.
Os Incontinentes Digitais parecem sofrer de outros males como aversão às leituras substanciosas e à reflexão consciente sobre o que leem e veem.
Riobaldo, personagem do clássico “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa, escrito em meados de século passado, parece referir-se aos Incontinentes Digitais com essa tirada filosófica: “O senhor deve de ficar prevenido: esse povo diverte por demais com a baboseira, do traque de um jumento formam tufão de ventania. Por gosto de rebuliço. Querem porque querem inventar maravilhas glorionhas, depois eles mesmo acabam crendo e temendo. Parece que todo mundo carece disso”.
Antes de dar vazão à sua Incontinência Digital lembre-se das palavras do personagem de Guimarães Rosa. E não faça “Do traque dum jumento um tufão de ventania”. 



segunda-feira, outubro 23

RELIGIOSIDADE E VALORES


              


Feliz de quem tem senso de religiosidade. De qualquer crença, pois o importante é o sentimento de que nós não estamos sós. Há uma força superior que tudo orienta.
Se Cristão, penso eu, é melhor porque Cristo resgatou a Humanidade do pecado e retornou ao Pai, cabendo-nos seguir seus ensinamentos.
          Melhor ainda se cristão Católico, pois temos uma intercessora entre o Altíssimo e nós. Ela nos protege e pede ao Senhor graças e bem aventuranças a todos que a procuram. Ela pode ser invocada por suas mais diversas denominações. A mãezinha dos paraenses é a Senhora de Nazaré, que homenageamos especialmente no segundo domingo de outubro.
A compreensão da religiosidade para a felicidade humana se acentua e se sedimenta quando alcançamos o Outono da Vida. É quando temos maturidade de olhar para trás e refletir em função dos valores contidos nos Evangelhos e no livro fundamental das grandes religiões. O que fizemos na Primavera, quando florescíamos e no Verão, quando produzíamos intensamente solidificando a nossa existência? Fomos éticos no dia a dia não fazendo ao outro o que não desejamos para nós? Ou fomos utilitaristas retirando de cada situação apenas o que nos interessa? Abrimo-nos para novo, para o que nos é diferente ou nos aferramos a ideias preconcebidas? Permitimo-nos ampliar nossos vínculos ou nos trancamos em redomas com os nossos imediatamente iguais?  
No Outono da Vida, feliz é quem construiu muitos vínculos. É uma pessoa rica, talvez até milionária. Não no sentido material do dinheiro ou do poder porque esses valores passam. É um milionário do maior bem que uma pessoa pode ter- as amizades.
Acredito que a rede de relacionamentos é o maior ativo, o maior bem que uma pessoa pode ter e sei que muitos outros assim também pensam. O ser humano não foi criado para viver só. Os vínculos criados ao longo de uma existência, as amizades, são o alimento da alma e o bálsamo no Inverno da Vida.


terça-feira, janeiro 3

Fólio/2016: Uma Realidade Prenhe de Utopia


(Matéria publicada na edição de 24/25 de dezembro de 2016 do Diário do Pará, Caderno “Você”, página 10 – Coluna do jornalista Elias Ribeiro Pinto).


Ana Celeste e eu no Folio/2016

“...há entre os utopianos uma quantidade de coisas que eu aspiro ver estabelecidas em nossas cidades. 

Aspiro mais do que espero”.  Thomas More

                                                

         
             O FOLIO- Festival Literário Internacional de Óbidos, na sua segunda edição, de 22 de setembro e 2 de outubro deste ano, afirmou-se como uma realidade do mundo literário mundial, tendo a utopia como tema. Ainda em junho, na inauguração da exposição de Júlio Pomar sobre Dom Quixote, no Museu Municipal de Óbidos, a vereadora cultural Celeste Afonso considerou aquele momento como a arrancada do FOLIO e afirmou “Na sua segunda edição, o Fólio afirma-se como a concretização de um sonho maior, transnacional, tornado realidade: a cultura como um bem essencial acessível a todos”.

          O maior Festival Literário de Portugal tem um glamour especial porque se realiza numa cidade dentro de um castelo medieval, com suas ruas estreitas e irregulares, cheias de gente de todo lugar ávida por Cultura nas suas mais diversas manifestações como a literatura, a música, as artes plásticas e a gastronomia. E pelo FOLIO Digital o visitante pôde acompanhar todos os eventos da programação e gerir sua agenda com os escolhidos.  

          No FOLIO 2016 foi introduzido o Comboio Literário, trens populares que transitavam entre a estação do Rossio em Lisboa e Óbidos para levar e trazer participantes que, ao longo do trajeto, iam “se aquecendo” com os livros disponibilizados e assistindo à leitura de poemas e performances e mais, tinham 50% de desconto nas mesas de autores e nos concertos, com a apresentação do bilhete do trem. Novidade também o “The Cooked Book”, uma experiência visual para honrar todos os Chefs do mundo que diariamente escrevem com comestíveis palavras a história da Gastronomia. Nesse programa “cada prato é uma história, cada Chef um escritor, cada livro cozinhado é uma peça de cultura cr-EAT-ive”, comida criativa.

         Autores de renome mundial fizeram-se presentes no FOLIO/2016, dentre eles V.S. Naipaul, Prêmio Nobel de Literatura e Salman Rushdie, autor de “Os Filhos da Meia-Noite” e vencedor do Booker Prize. 
          A Amazônia se fez presente pelo cantor/compositor amapaense, militante da preservação ecológica Osmar Junior, no bate-papo “O Amazonismo na música e Literariedade de Osmar Júnior”, pela historiadora Anete Costa Ferreira com a palestra sobre “O Amapá para quem não conhece” e  por Josiane Ferreira e Carlos Lima na Contação de Histórias “Lendas e Mitos do Amapá/Amazônia”.

         Como programado, a Utopia correu solta na Vila Literária de Óbidos desde as exposições permanentes “Utopia Coletiva”, com cartazes feitos pela comunidade online e “Utopia, hoje”, com  dez artistas interpretando de forma livre e autoral as obras “Mensagem” de Fernando Pessoa e “A Jangada de Pedra” de Saramago. E em outros eventos como a conversa do escritor e gestor cultural português Mega Ferreira sobre Miguel de Cervantes e seu “Dom Quixote de La Mancha”, o personagem utopista mais famoso da Literatura ocidental e a de Andrea del Fuego e Afonso Cruz  sobre o lugar do fantástico na literatura lusófona atual e a criação de universos imaginários e ainda José Gil falando sobre a Utopia em Fernando Pessoa e Carlos Reis sobre a Utopia em Saramago.

        Nos debates “UTOPIA- Matemática e Literatura” discutiram-se temas como literatura e visualização com ferramentas matemáticas, fragmentos matemáticos na literatura tradicional, matemática e literatura do renascimento. No evento paralelo II Seminário Internacional Educação, Leitura e Literatura, ocorreram dentre outros  wokshops, “TEATRUPIA: utopia (in) cena (com) texto”, “Utopias digitais: da não ilha fiz ilha”, “A incrível máquina de entrelaçar utopias” e “Utopia e Literacia, de Thomas More ao Próximo Futuro”.

         Também foram tratados no FOLIO “Consciência e utopia nas literaturas africanas de língua portuguesa”  e Jornalismo e Utopia em relação à Política, à Sociedade, à Economia, ao Rádio, ao Desporto e à Cultura.
             
             Veja os melhores momentos do Folio em : http://foliofestival.com/videos/





Com essa postagem homenageio o amigo Elias Ribeiro Pinto, um dos "Últimos Moicanos" do Jornalismo Literário brasileiro, com sua página que para o ano (2017)  completará maioridade de  inserção dominical no Diário do Pará. Sim serão 21 anos de publicação ininterrupta no Diário. Somando-se a esse tempo o período em que Elias publicou sua página na extinta Província do Para, lá se vão quase 3 décadas. 

A propósito disto, um dos debates que eu assisti durante o Folio foi sobre "A Crise do Jornalismo e da Crítica Literária no Brasil e Portugal", entre dois jornalistas portugueses e um brasileiro. Eles atestaram a falência dessa modalidade de jornalismo dentre outras razões pela crítica realizada nas redes sociais quase que simultaneamente aos lançamentos de livros e outras obras. E principalmente, em face da pouca importância atribuída ao Jornalismo Literário pelos editores dos grandes jornais. A distorção da finalidade do Jornalismo provocada pela visão do lucro imediato determina o corte dos assuntos culturais. Os jornalistas culturais são "cassados" de seus postos, sendo levados  a se utilizarem cada vez de seus blogs e sites especializados e as redes sociais para exercitar o jornalismo e a crítica literária, retroalimentando  o sistema. 

Por tudo isto, o jornalista paraense Elias Ribeiro Pinto merece reconhecimento e homenagem do público leitor pela longevidade de sua página inserida no Caderno "Você" do Diário, sempre com temas da maior relevância literária e cultural. Parabenizando também  os dirigentes do Diário pela manutenção da página dominical do Elias, um dos últimos bastiões do jornalismo cultural nos grandes jornais do país.


Saiba mais sobre o Folio, sobre Óbidos e assuntos afins acessando:

http://blogdooctaviopessoa8.blogspot.com.br/2015/12/boas-perspectivas-para-intercambio.html




































sexta-feira, novembro 25

MEMÓRIAS OU FOTOGRAFIAS?


(Postado originariamente no Facebook, no dia 21 de junho de 2016)




Escolas com paredes e tetos esburacados, alunos desmotivados pela falta de condições, outros que fazem dessa ausência a motivação para prosseguirem na luta, professores abnegados que embrulham no celofane do “não faz mal” até os baixíssimos salários e nem por isso desistem da missão e com todas as dificuldades buscam se qualificar e encarar o sacerdócio para que nasceram. Registros também das raramente bem equipadas escolas e daqueles que estão no magistério por um acidente e com postura pretensamente ideológica (partidária, isto sim), vão na contramão do processo de ensino/aprendizagem, enodoam a categoria e frustram seus alunos. Esses professores, penso eu, quando expelidos do magistério vão certamente ocupar sinecuras nos ineficazes gabinetes acarpetados, conferindo os dias e as horas para a tão sonhada aposentadoria.


Esse é o mosaico apresentado por Tiese Teixeira Júnior, historiador, pesquisador e professor da rede pública de ensino, em sua singela e emblemática obra “Escolas da Amazônia – Memórias”, Editora Paka-Tatu. Para mim, mais fotografias verbais que memórias, especialmente para quem conhece a realidade do interior do Brasil.

O autor, que é Mestre em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia PDTSA/UFPA e doutorando em Ciência Sócioambiental, NAEA/UFPA, presenteou-me com um exemplar do livro que “devorei” numa viagem em que percorria uma realidade totalmente oposta àquela que eu lia na obra de Tiese, que também escreveu Estudos Amazônicos: Ensino Fundamental, Pelas Margens do Pará e Estudos Amazônicos: Ensino Médio.
As fotografias verbais que Tiese desvela , com a simplicidade dos sábios e a convicção dos experimentados na Vida, são candentes. Uma leitura necessária para quem quer conhecer o dia a dia da educação nos grotões do Brasil.


terça-feira, outubro 4

ESTAVA ESCRITO...




Nada acontece por acaso. Para Carl Gustav Yung fatos comumente atribuídos ao acaso se explicam pela lei da sincronicidade universal e pelo inconsciente coletivo. No curso das pesquisas sobre os aviões Catalina, para a futura edição de obras sobre a saga desses aviões, vivi uma situação que parece se explicar por motivos imponderáveis.

Fizera eu uma postagem na página “Amigos de Parintins”, do Facebook, pedindo a colaboração dos meus conterrâneos e amigos no sentido de me enviarem fotos, textos, informações que pudessem ter, inclusive sobre acidentes com aqueles aviões que surgiram como equipamentos de guerra, tiveram atuação expressiva durante a II Guerra Mundial, tanto na Europa quanto na costa brasileira e ao fim do grande conflito realizaram no Brasil missões militares em tempos de paz de grande importância para a integração da Amazônia, sendo assim “Asas de Guerra e de Paz”. A utilização dos Catalinas pela aviação civil no transporte de passageiros e carga, especialmente na linha aérea orientada pela calha do rio Amazonas, evidenciaram o importante papel social e econômico desses hidroaviões anfíbios para os ribeirinhos amazônicos. Eles eram assim as  “Asas de um rio”.

Diversos conterrâneos e amigos acorreram ao meu pedido, inclusive May Freitas, para mim, então, ilustre desconhecido. May foi além do que eu esperava. Deu-me elementos, enviou fotos, polemizou comigo, enfim, colaborou decisivamente para o enriquecimento do trabalho.

A conversa virtual entre nós se acentuou e derivou para outros temas. Em dado momento May sugeriu que nos conhecíamos e fez perguntas sobre pessoas da minha família, o que no início me deixou “encucado”. Quando eu soube seu nome completo, Maycílvio (assim mesmo com “y” e “c”), minhas memórias mais recônditas foram sendo resgatadas. Era eu um curuminzinho sendo alfabetizado na escola particular das irmãs Freitas, na Travessa Rio Branco, da Parintins da minha infância. Recordei minha professora, Dona Nilia Freitas, na cabeceira daquela longa mesa e nós alunos, no entorno com nossos cadernos, lápis, borracha e cartilhas, atentos às explicações ou sendo sabatinados na tabuada em que nós aprendíamos as quatro operações fundamentais.

Um turbilhão de imagens passou pela minha mente. E dentro daquele cenário, a figura daquele jovem  sempre prestativo e atencioso, ajudando as tias que o criavam, nas mais diversas tarefas da casa e da escola. Era o Maycílvio. Maycílvio Freitas que na vida adulta adotou o apelido pelo qual sempre foi tratado, Maí, grafado May. Interessante. Logo no início de nossas conversas virtuais eu lia o nome dele com a pronúncia em inglês (Mei) e pensava ser uma mulher. Sim. Meu amigo virtual era aquele jovem que circulava pela casa/escola sempre de forma simpática com todos os alunos.

Nossa origem comum nos levou à lembrança de “paradas” hilárias, outras nem tanto e a outros assuntos, especialmente da Parintins do passado e lamentamos a descaracterização histórica que nossa cidade vem sofrendo. 

       Abordamos a despersonalização do “Caracol”. O caracol era  uma estrutura junto à rampa que ligava o antigo trapiche do porto à área urbana de Parintins, com estilo de época do final do século dezenove. Era revestido por pedras pretas que abrigavam em seu interior figuras em formato de caracóis feitos por pedras brancas incrustadas nas pedras pretas. Esse verdadeiro monumento foi destruído e substituído por uma estrutura fria e sem vida.

Questionamos também o desaparecimento da balaustrada, outra estrutura de época que marcava nossa cidade. Balaustrada porque formada por balaústres, colunetas com base e capitel espaçadas entre si, sustentando uma espécie de parapeito. Hoje não tenho dúvida de que a Balaustrada, por seu significado na simbologia maçônica, era um marco da passagem de maçons à frente da municipalidade de Parintins, que deixaram obras de bom gosto para a posteridade. Intenção essa prejudicada. As últimas gerações e as futuras só terão notícia do que um dia tivemos aquele monumento histórico, localizado num ponto estratégico da cidade, à margem do rio Amazonas. Dali se contemplava o por do sol mais bonito do mundo. Na Balaustrada e no Caracol muitos namoros começaram, floresceram e certamente muitos ali terminaram. Eram lugares de “muitas emoções”, como diz o Roberto.

Comentamos também as alterações na Praça do Cristo Redentor totalmente descaracterizada, o fim do Cine Brasil e o abandono do Palácio Cordovil, sede da Prefeitura Municipal por tantos anos, que homenageia o fundador da cidade, José Pedro da Silva Cordovil. Esse Palácio deveria ser transformado num Museu Municipal para ali se preservar os ícones e valores da ilha  Tupinambarana, onde Parintins é situada,  e de sítios das redondezas.

Nossos diálogos virtuais foram além do saudosismo conservador e vulgar que se opõe ao progresso. Este é inevitável. O equívoco reside quando em nome do progresso se apagam marcos culturais de uma sociedade. Muitas vezes simplesmente destruídos e substituídos por obras de estética questionável, quase sempre construções de valor astronômico e de duração efêmera, o que coloca em xeque a idoneidade dos “realizadores”, que "engordam" seus caixas de campanha com os recursos  públicos destinados a essas obras. 

Nossas conversas na verdade, foram cheias de juventude pois ser jovem é “ter abertura para o novo na mesma medida do respeito pelo que é imutável”, o que é cultural, como diz  Artur da Távola que na crônica “Ser Jovem”. O que deveria ser imutável por registrar épocas da História de um povo é solenemente desprezado pelos ditos homens públicos.

O mesmo se dá com os nomes dos logradouros públicos que são trocados com a complacência dos ditos representantes do povo nas câmaras municipais para homenagear “figuras” do momento e sufocar o nome de personalidades e datas importantes para uma população. Tema esse muito bem explicado pelo cientista político José Murilo de Carvalho, no livro “A Formação das Almas: O Imaginário da República no Brasil”.

Evidenciadas afinidades de pensamento entre o May Freitas e eu foi inevitável o desejo recíproco de uma conversa "ao vivo e a cores" logo que possível. Coloquei-o a par da minha ideia de lançar, ainda no ano passado, o meu livro de crônicas “Causos Amazônicos”, 2ª. Edição em Manaus e em Parintins. Ele não só aquiesceu ao projeto como teve papel crucial para o lançamento do livro em Manaus, por sua amizade com o dono da Livraria Valer, onde o livro foi lançado no dia 5 de junho de 2015. Agora, por uma dessas ironias da vida, o May não pode comparecer ao lançamento em Manaus, o que era propósito dele e expectativa minha. Ele sofreu um infarto do miocárdio na madrugada daquele dia.




Recuperado do susto, graças a Deus, May entrou em contato comigo e garantiu-me que estaria em Parintins em julho seguinte, para prestigiar-me no lançamento em nossa terra natal. E cumpriu. Ele foi o primeiro convidado a chegar à ao local do evento, o que permitiu uma longa e prazerosa conversa.

Foi um “questionamento de afins”, nas palavras do mestre  Artur da Távola na crônica “Afinidade o sentimento que resiste ao tempo e ao depois”. O cronista afirma e eu concordo plenamente com a ideia de que, quando há afinidade não importa o tempo que passou. Quando os afins se encontram é como se o tempo não houvesse passado. O vínculo continua como se interrupção não tivesse ocorrido.

May e eu remexemos o baú de saudades. Fatos e pessoas de Parintins, algumas ainda vivas e outras já noutro plano de vida foram lembradas.  Ficamos tão à vontade que May me falou sobre familiares dele, muitos dos quais eu não cheguei a conhecer.

Órfão dos pais Antonio Prazeres de Freitas, conhecido como Antonio Presépio, e Iracema de Barros Freitas, May foi criado pelas tias conhecidas como as irmãs Freitas, todas ligadas ao magistério nas singelas escolas particulares da época em nossa cidade natal. Anna Gertrudes de Freitas, a famosa professora Annita Freitas, conhecida por sua rispidez mas que foi responsável pela educação de muitos cidadãos e cidadãs que dignificaram e dignificam nossa cidade. Anna Rita de Freitas (Annicota) gêmea de Annita e que cedo faleceu. Honorina Nília de Freitas, a Dona Nilia, minha professora. Luce Orion de Freitas, que além de tudo cantava no coral da então igreja matriz de Parintins, dedicada a Nossa Senhora do Carmo, hoje sede da paróquia do Sagrado coração de Jesus, em razão da construção da Catedral de Parintins, onde a Mãe do Carmo passou a ser homenageada.

May se emociona quando fala da tia Annita Freitas, em quem ele e o irmão mais velho, Yano, viam a figura da mãe que cedo partiu desta vida. A Professora Anita Freitas foi nome de Escola Pública em Parintins e depois “cassada”, tendo a Escola outro nome, se é que ainda existe. Ele lembra também com saudade do seu tio José Maria Alberto de Freitas, oficial de Marinha Mercante que morava no Rio de Janeiro. O tio Zé Maria era casado com Dora Goes, irmã do Sr. Raul que virou personagem de uma das crônicas contidas em meu livro Causos Amazônicos. Zé maria e Dora tiveram uma filha chamada Moema e criaram a irmã de May de nome Yara, que vive hoje no Rio de Janeiro.

Nossos reencontro e aprofundamento da amizade foram tão significativos que, no almoço do Círio do ano passado May esteve presente em minha casa. Evento que completará um ano no próximo domingo e certamente será lembrado.
  
À direita, May Freitas no almoço do Círio de Nazaré de 2015, em minha casa


É isso aí. Afinal, felizes são as pessoas que sabem construir vínculos. Melhor ainda é se saber "regar” amizades. O efeito disso é imponderável e vale mais do que qualquer riqueza material.


(editado em função de postagem no Facebook de 31 de outubro de 2015 sob o título MEU REENCONTRO COM MAY FREITAS). 

quinta-feira, setembro 15

O Contestado Amazonas X Pará, “Prato Cheio” para acadêmicos




          Poucos sabem que já houve uma Zona do Contestado entre o  Amazonas e Pará. Isto significa dizer que havia uma zona reclamada por ambos os Estados como parte integrante de seu território. A ignorância, no verdadeiro sentido da palavra, desconhecimento, acerca desse assunto e outros da mesma natureza se acentua especialmente entre pessoas de gerações mais recentes.

Mapa do Amazonas

Como nativo de Parintins, Amazonas, nascido em 1952, eu tenho na memória as conversas que ouvia na minha infância, entre meus familiares e amigos de meu falecido pai, Octacílio José Pessoa Ferreira, sobre assuntos “lá do contestado”.

          Essa Zona Contestada era na região do baixo rio Nhamundá que serve de limite entre Pará e Amazonas. O baixo rio Nhamundá é uma região de  muitos paranás, igarapés e muitos lagos, como o lago do Nhamundá, Aduacá, Cutipanã, Uruá, Curiá, Xixiá, Aminaru, Siriberu e tantos outros. A Zona Contestada centrava-se no lago do Aduacá, com suas particularidades de Aduacá de Cima, Aduacá do Meio e Aduacá de Baixo e ainda o lago do Cutipanã, onde meu pai começou sua vida de comerciante, antes de mudar-se com a família para Parintins, polo de influência da região.

Mapa do Pará

Tomei conhecimento de uma particularidade interessante a respeito da solução do Contestado Amazonense/Paraense. Foi num bate-papo de varar madrugada com meu primo Hermes Pessoa, médico veterinário radicado em Parintins e um estudioso de temáticas amazônicas. A disputa entre Amazonas e Pará teria se resolvido por dois irmãos da família Pessoa.
          Oriundos de Sobral, no Ceará, eram eles Sérgio e Inácio Pessoa. O primeiro muito cedo migrou para o Amazonas e se tornou um dos mais influentes políticos naquele Estado. Foi vereador, deputado, prefeito de Manaus, presidente da Junta Comercial, provedor da Santa Casa de Misericórdia e presidente do Banco do Amazonas. Hoje é nome de rua na capital amazonense.
Sobre Inácio Pessoa pouco se sabe. O que é certo é que cumprindo a saga dos nordestinos migrou para o Pará onde também fez carreira política. A informação que se tem, sem comprovação dos fatos, é que na solução do contestado as discussões foram conduzidas por Sérgio Pessoa zelando pelos interesses do Amazonas e Inácio Pessoa defendendo o estado do Pará.
 O conhecimento dessa possível realidade histórica envolvendo dois irmãos da família Pessoa de pelo menos três gerações antes da minha, não me fez orgulhoso. Só acentuou minha curiosidade acerca dos meandros das discussões e dos fatores que induziram a solução da questão.
Quando se pesquisa o assunto “Contestado” na Internet, encontram-se diversas matérias sobre o contestado mais famoso do Brasil, o que envolveu o Paraná e Santa Catarina. E uma ou outra menção a contestados do sul e sudeste. Nada existe acerca de contestados de outras regiões, como o que envolveu Amazonas e Pará.
Tomando a atuação desses meus dois parentes distantes apenas como um possível lance pitoresco da História, acho que o Contestado entre Pará e Amazonas é assunto que merece ser estudado em profundidade, constituindo-se num “prato cheio” para produção de tese acadêmica.

Fica a sugestão para pesquisadores da área de História ou Geografia da Amazônia.

(editado a partir da postagem no Facebook, de 6 de agosto de 2015, sob o título“Solução entre Pessoas)


quarta-feira, julho 6

“CAUSOS AMAZÔNICOS” CHEGA AO PERU MUITO BEM ACOMPANHADO



     

          O "Causos Amazônicos" 2a. Edição Será apresentado na Feira de Livros que ocorrerá durante o V Colóquio Internacional de Literaturas Amazónicas/CILA, em Lima/Peru, de 14 a 16 deste mês de julho.

          O CILA visa incrementar a literatura produzida na Pan-Amazônia e foi realizado pela primeira vez há cinco anos, em Lima, capital do Peru. A partir da segunda versão passou a homenagear um escritor relevante das letras amazônicas. O homenageado deste ano é Juan Rodríguez Pérez, um escritor que criou um universo próprio ambientado no alto Hualga, região de San Martin e nos setores mais degradados da cidade de Lima. É um escritor nato de estética pessoal cujo universo literário é um dos mais ricos da literatura peruana contemporânea.

          No Colóquio, o Professor da UFPA, Pós Doutor, poeta e escritor Benilton Cruz comunicará uma pesquisa sobre Mário Faustino. Mais precisamente as vozes dos romanceros no poema de Faustino, O Romance, inserido no livro o Homem e sua Hora, de 1955. Nesse poema há muitos traços da musicalidade dos romances em versos da bela tradição ibérica dos romanceros (Espanha) romanceiros (Portugal), pequenos poemas narrativos em versos, rimados e metrificados cujo conteúdo gira em torno do amor e sua natureza trágica, diz Benilton.
          

Na Feira de Livros do V CILA, o intelectual paraense apresentará seu novo livro “Espólios para uma Poética- Lusitanias Modernistas em Mário de Andrade”, recém-lançado pela Paco Editorial de São Paulo, e o “Causos Amazônicos”, 2ª. Edição, de minha autoria, editado pela Paka-Tatu, de Belém do Pará, que lá ficarão disponíveis para venda.




           Em Espólios para uma Poética- Lusitanias Modernistas em Mário de Andrade” Benilton comprova que por detrás do experimento modernista existe a legitimação do português como língua de prestígio, rememorada da época de expansão do longo século XVI, - língua essa que não vem sozinha em seu destino de desbravar a continentalidade brasileira - ela recupera e acende o veio cultural lusitano que vai se somar ao conjunto das outras tradições da multiculturalidade brasileira.

          

            



Como fez no Café Santa Cruz, de Coimbra, Portugal, em novembro do ano passado, Benilton apresentará ao público do V CILA, o Causos Amazônicos, de que ele enfatiza “essa linguagem utilizada por Octavio, ainda muito impregnada dos primeiros colonizadores portugueses que foram conquistadores, navegadores, gente de coragem na travessia ao Novo Mundo, e isso com certeza a língua portuguesa não esquece”. Refere-se Benilton a termos do homem simples da Amazônia que eu uso até por ser um deles, “ilharga” por exemplo, que na sua singeleza  remete à linguagem dos navegantes e colonizadores.



A apresentação por Benilton da obra e do autor do livro “Causos Amazônicos” naquele tradicional espaço onde se reúne a fina flor da intelectualidade portuguesa facilitou sobremaneira minha comunicação com o público após a apresentação e também, nos diálogos posteriores. 
  
Benilton e eu poderemos estar juntos na próxima edição do CILA e, como ele diz e eu concordo plenamente “agora vamos conquistar literalmente a literatura Pan-Amazônica”.


sábado, julho 2

ESSAS MULHERES MARAVILHOSAS


(Artigo publicado originalmente no Facebook , 21 de maio de 2016)

          Interessante. O recém-empossado presidente da República escolhe um ministério exclusivamente masculino e reduz o status da Cultura na esfera federal, que deixou de ser um Ministério e passou a ser uma Secretaria dentro do ressuscitado MEC- Ministério da Educação e Cultura, um péssimo exemplo para os Estados e Municípios. Enquanto isso mulheres de diferentes faixas etárias dão show, marcam gols nos mais diversos campos do conhecimento, inclusive na Cultura. Três exemplos contemporâneos, com gente da Amazônia. 

Marília Emmi
          
       A professora, socióloga especializada em imigração internacional para a Amazônia, Marília Emmi, que teve sua primeira incursão na ficção, o conto “Letizia”, selecionado para integrar a Antología de contos escritos por mulheres sobre imigração italiana, foi convidada a estar presente no lançamento da Antologia, durante a Bienal do Livro de São Paulo, de 25 de agosto a 4 de setembro e, ainda este ano estará em Roma para o lançamento italiano da Antologia.
         



Geni Begot
          A pedagoga, professora, poeta, escritora e agitadora cultural Geni Begot realiza o “Chá Cultural” da Escola Otávio Meira, da cidade de Benevides, do Estado do Pará, é homenageada pelos seus pares, pelos alunos e servidores da Escola e com sua iniciativa, realizada pela terceira vez, homenageia poetas e escritores, proporciona oportunidade aos alunos exercerem sua criatividade, na música, na poesia, na dança, na encenação de poesias e crônicas. Um espetáculo emocionante. Um marco na história da Escola Otávio Meira, da Cultura e da Educação, no Estado do Pará. Tudo é possível ser feito quando se tem Amor pelo que se faz.
          A engenheira de alimentos Luciana Centeno tem seus méritos reconhecidos por sua competência profissional e sua dedicação ao magistério e ao empreendedorismo, o que lhe rendeu o carinhoso título de Girl Power (garota poderosa) pelo programa “Empreendedorismo, curta essa ideia”/ Universitec, da Universidade Federal do Pará. Luciana, aos 26 anos tornou-se PHD em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Cornell University/EUA. Isso sem ter vínculo com a UFPA, onde formou-se Engenheira de Alimentos aos 21 anos, e sem bolsa do CNPQ. Sua pós-graduação em Universidade americana “de ponta” deveu-se ao currículo que Luciana montou ao longo de sua graduação, buscando conhecer o lado prático da profissão, durante os períodos de férias. Na Cornell fundou o Chocotec e após fundar o Clube de Empreendedorismo da UFPA, tornou-se professora do Curso de Gastronomia da UNAMA- Universidade da Amazônia e, no ano passado realizou seu grande sonho. Após a vitória de seu projeto no Prêmio Samuel Benchimol de Empreendedorismo Sustentável, convidou a colega Camila Travassos Bastos, doutora em Engenharia de Alimentos pela UFPA para criarem a NAYAH Sabores da Amazônia, Delícias da Natureza, empresa que tem como princípios a responsabilidade com o desenvolvimento sustentável e a extração consciente de matérias-primas amazônicas. E mantém intensa parceria com os produtores artesanais do chocolate feito com cacau da Amazônia.

Luciana Ferreira Centeno
          Afinal, quem está na contramão da História? Essas mulheres maravilhosas ou o presidente da República e seu governo?