segunda-feira, junho 8

“CAUSOS AMAZÔNICOS” 2ª. EDIÇÃO LANÇADO EM MANAUS.

Desembargador David Mello Junior e Professora Neiza Teixeira

                    

             O “Causos Amazônicos” 2ª. Edição foi lançado na sexta-feira, 5 de junho, na Livraria Valer, da Rua Ramos Ferreira, 1295, em Manaus, Amazonas.


 O evento foi aberto pela Professora Neiza Teixeira, que falou pela empresa e, na sequência o amigo desembargador federal do trabalho David Mello Junior saudou-me, ressaltando os vínculos que nos unem e sua admiração pelo texto dos “Causos Amazônicos”. Concluiu sua fala, ofertando-me um exemplar do livro “Manaus Amor e Memória”, do amazonense de Barreirinha, Thiago de Mello.
 Na dedicatória David registra de forma poética minhas ligações com Manaus, “sua capital por nascimento”, com Belém, “sua capital por encantamento, mas que hoje lhe saúda por seu conhecimento” e com Parintins, “Sejam seus causos um enredo, / fontes de vida e alegria, / reflexo da Ilha da Fantasia, / Parintins, sua terra amada / por mim adotada, / por suas cores e magia”.



          Agradeci à Livraria Editora e Distribuidora Valer, por acolher o lançamento de meu livro em Manaus e ao amigo David por suas gentis palavras e pelo significativo presente, antes de discorrer sobre o processo de criação dos Causos Amazônicos. Na sequência vieram os autógrafos e depois um coquetel para os presentes.
          Registro aqui meus agradecimentos especiais a dois conterrâneos que tiveram papel crucial para a realização do lançamento. O amigo May Freitas, que fez os contatos iniciais com a Livraria Valer, que por motivos de saúde não pode estar presente no lançamento e o Sérgio da Silva Reis, amigo, vizinho e colega de classe nos tempos de Curso Ginasial, no Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, hoje radicado em Manaus, que me ajudou significativamente na divulgação do lançamento.

Sérgio da Silva Reis
            Agradeço a todos os amigos e amigas que compareceram ao lançamento de Manaus, na sexta-feira seguinte ao feriado do Corpus Christie, numa demonstração inequívoca de prestígio a este caboco que a partir de agora se volta para o futuro lançamento em sua terra natal, o que se dará durante a festividade da padroeira de Parintins, Nossa Senhora do Carmo, que vai de 6 a 16 de julho. Tudo com o imprescindível apoio do prefeito municipal Carlos Alexandre Ferreira da Silva e da Academia de Letras de Parintins, que tem na presidência o advogado Narciso Prestes Picanço.   

quarta-feira, maio 27

PRESO ODILON ROCHA DE SANSÃO, O VEREADOR QUE SE VANGLORIOU DE SER CORRUPTO.



         De parabéns o Ministério Público do Estado do Pará que na sua Operação Filisteu prendeu o vereador de Parauapebas/PA Odilon Rocha de Sansão, do partido Solidariedade. Trata-se daquele parlamentar que no mês de abril questionou o valor do salário de vereador no município, e afirmou que com os vencimentos percebidos na Câmara de Parauapebas (com todas as mordomias, R$ 13.800,00) o vereador só sobreviveria se corrompendo. Falava em causa própria.
    Na ocasião percuti o assunto nas mídias sociais, externando a necessidade de políticos desse naipe serem expelidos da decadente política brasileira.
     Pra felicidade dos brasileiros que ainda não perderam a capacidade de indignação, a operação Filisteu do Ministério Público, que investigou um esquema de fraude em licitações e superfaturamento de terrenos desapropriados pela prefeitura de Parauapebas, além de emissão de notas fiscais frias e desvio de recurso público entre os membros da câmara e empresários da região, mandou Odilon para o xaxado.
       Resta agora o MP assumir até o fim a postura de Golias e pedir a cassação de Odilon que carrega em seu nome o do personagem bíblico Sansão. E o Sansão “no tucupi” também é um homem forte. É um rico empresário que tem recursos de sobra pra pagar um bom advogado o que é um direito dele, mas as provas contra ele são indiscutíveis e a sua arrogância, uma confissão de culpa. Deve também o Ministério Público pedir a cassação do mandato de Odilon Sansão e o Judiciário paraense agir coerentemente proferindo e ratificando decisão condenatória, concorrendo assim para a limpeza da política paraense.
    A operação realizada pelos promotores de justiça Hélio Rubens, Paulo Morgado Junior, Franklin Jones, Eduardo Falessi, Milton Menezes, Harrison Bezerra, Arnaldo Célio de Azevedo, Raimundo Aires, Daniel Barros e Augusto Sarmento e pelo procurador de justiça Nelson Medrado adotou um nome bem adequado. Os Filisteus eram um povo que dentre outros costumes tinha um que se destacava, o de comer porcos, o que era proibido entre os hebreus.
      FIQUEMOS DE OLHO PRA NÃO DEIXAR ISSO DE GRAÇA.

domingo, março 22

SERÁ SOPHIA UMA MENINA ÁRVORE? A obra de Daniel da Rocha Leite pela ótica de uma criança.




         A garota do vídeo é a Sophia Cuvello Lopes a quem presenteei com o livro “A Menina Árvore” do amigo Daniel da Rocha Leite. Não tive dúvida de dar o meu exemplar autografado, quando percebi o interesse dela pela leitura.

          “A Menina Árvore” é o segundo volume da Coleção Livro Lamparina que o Daniel iniciou há dois anos com o excelente primeiro volume “A História das Crianças que Plantaram Um Rio” sobre o qual falei neste blog com o livro ainda inédito.

          Dei “A Menina Árvore” para a Sophia na visita que ela e a mãe, que é minha sobrinha, me fizeram neste meu longo “exílio” de Belém, em terras cariocas. E a tia coruja Augusta Maria sugeriu à sobrinha que escrevesse um comentário sobre a obra.  Ela fez melhor. 

        Senti-me gratificado ao receber essa mensagem de voz e imagem da bela Sophia com as impressões dela acerca do texto do meu dileto amigo Daniel Leite. A sensibilidade de Sophia impressiona e encanta a gente. Ela “sacou” coisas que me “passaram batidas” nas duas vezes que eu li a obra. Coisas de criança.

       Sophia Cuvello Lopes, 9  anos, estuda a quarta série do ensino fundamental na escola do SESI, Serviço Social da Indústria, de São Caetano do Sul/SP, onde mora com os pais Maurício e Laura Cristina. 

         Melhores informações sobre a Coleção Livro Lamparina, "A História das Crianças Que Plantaram Um Rio" e o autor, em:
http://blogdooctaviopessoa8.blogspot.com.br/2013/02/bem-vinda-colecao-livro-lamparina-mais.html

P.S: Participação incidental da cadelinha Laly na gravação do vídeo

PERFORMANCE BOND, uma proposta de solução para as licitações públicas




          O acirramento da crise econômica, política e institucional que ora vivemos tem na minha avaliação, a atual sistemática de licitação de obras públicas no Brasil como uma de suas causas determinantes. Penso eu que a PERFORMANCE BOND é uma solução viável para reverter a realidade das obras inacabadas ou superfaturadas e dos escândalos de corrupção.

          PERFORMANCE BOND é um seguro que cobre 100% do valor da obra contratada. Na falência ou inidoneidade da empresa ou se ela não concluir o projeto, cabe à seguradora terminar a obra. Na licitação, o poder público aceita a empresa licitante como idônea e a apreciação da capacidade dela e de seu acervo técnico cabe à seguradora, que arca com o prejuízo parcial ou total, se o projeto “fizer água”. Essa forma de contratação reduz o relacionamento promíscuo entre o público e o privado, porque entre o governo e a empresa está a seguradora, maior interessada em que a obra seja bem feita e concluída. Assim, a empresa contratada se reporta muito mais à seguradora do que ao seu contratante. É uma prática comum nos Estados Unidos, em países europeus como a Alemanha e a Áustria e em alguns casos no Japão.

    A adoção ou não dessa sistemática explica, por exemplo, a alta qualidade das rodovias daqueles países em comparação com o caos das nossas estradas, bem como a quantidade de “esqueletos” de obras públicas de todos os portes, em todo o Brasil.

                A PERFORMANCE BOND foi tema de discussão na apreciação do projeto que deu origem à Lei 8666/93, que regula as licitações no Brasil. Foi rejeitada especialmente pelos lobistas da construção civil a pretexto de que o mercado das seguradoras ficaria com poder excessivo. 

              Pela Lei 8666/93,  a construtora é obrigada a pagar apenas 5% da obra e  tem que apresentar uma série de atestados, o que originou a indústria da venda de certificados. A maioria dos projetos é de baixa qualidade e a fiscalização deficiente, em que pese a atuação dos órgãos governamentais de controle. Ordinariamente parte-se de um projeto com muitas indefinições o que leva a alterações no curso da execução da obra e à majoração dos preços, por meio dos termos aditivos. Empresas ganham licitações por preço baixo e quase sempre não terminam as obras. A ingerência política é outro fator prejudicial nas licitações e na execução das obras públicas no Brasil.

      Os fatos envolvendo diretores da Petrobrás (que por sinal, está liberada de seguir as regras da Lei 8666/93), parlamentares, governadores, dirigentes partidários e doleiros é apenas o exemplo mais recente e escabroso que induz à necessidade de se rever a sistemática de licitações no Brasil. Sabe-se também que o desvio de recursos públicos, em outras palavras a corrupção não é “privilégio” da Petrobrás. Ela grassa nas máquinas públicas federal, estadual e municipal, na maioria das instâncias e setores da administração pública.

    A liberdade de criticar e de emitir opinião deve ser exercida e respeitada numa Democracia, não cabendo patrulhamento quanto às opiniões que desagradam os grupos no poder e os militantes dos partidos que os sustentam. Agora, além das críticas e posições divergentes, devemos oferecer propostas concretas ao aprimoramento de nossas instituições, na busca de rumos e soluções para o país.

    Com este propósito coloco-me junto aos que defendem a PERFORMANCE BOND como uma alternativa válida ao aperfeiçoamento do processo de licitação e que,  uma vez adotada, poderá trazer resultados concretos e inaugurar um nova fase na qualidade das obras públicas brasileiras.


   Se você concorda com esta proposta, fique à vontade para compartilhar.

domingo, janeiro 11

“De um limão faça uma limonada”. Minha experiência com a medicina uruguaia




          O adágio popular “de um limão faça uma limonada” é uma forma filosófica de expressar a resiliência, a capacidade de se adequar às situações conforme elas se apresentam e de se ajustar à variação dessa realidade. A resiliência, muito falada nos treinamentos comportais, deriva na verdade do princípio físico da ductibilidade. Um exemplo perfeito e acabado de resiliência nos é dado pela água, que sempre procura um caminho para prosseguir em seu trajeto.

          De passeio pelo Uruguay, vivi recentemente uma situação de fato que serviu de teste para minha capacidade de resiliência. Após a estada maravilhosa em Punta Del Este, um momento inesquecível, juntamente com minha esposa e meu filho,  fomos  para Colônia Del Sacramento, cidade no extremo Oeste do país, uma cidade histórica que mantém caracterísitcas de época, lembram um pouco Parati, no Rio de Janeiro.

          Em Colônia se deu o episódio. Num restaurante singelo junto ao porto da cidade, fui cumprimentar o cantor Freddy Donnatto que nos deliciava com bela voz e excelente repertório e lhe fazer um pedido, eis que na volta tropecei num obstáculo e fui ao chão. Resultado: fratura e deslocamento do fêmur direito. Saí do ambiente amparado pelo pessoal de uma ambulância que m elevou diretamente para o serviço médico de Colônia. Após os procedimentos emergenciais, foi sugerido meu deslocamento para Rosário, centro avançado de medicina do (Departamento) Estado de Colônia. O que fazer? Lutar contra fatos? Não. Resilir e realizar novo deslocamento de ambulância.

          A cirurgia foi feita de pronto e estou aqui me recuperando, tendo tratamento da melhor qualidade e contando o fato pra vocês. Amanhã, se Deus quiser, retorno de carro para Montevideu e de lá por via aérea pro Rio de Janeiro, Certamente o médico me recomendará um período de uso de muletas ou cadeira de rodas, Quem sabe?

          Outros compromissos que já havia programado para o Rio? Ficam adiados sine die, como diziam os colunistas sociais de antigamente

          A qualidade do atendimento que estou tendo decorre provavelmente da sistemática se saúde do Uruguay. Não há um sistema de saúde do Estado. Toda pessoa procura o profissional de que necessita, este emite nota fiscal do serviço oferecido e o Estado indeniza os serviços realizados. Estou tendo eu oportunidade de aferir a eficácia desta sistemática. Claro que é um dado a ser relevado é a pequena população do país, que é menor que a de São Paulo, capital.

          Agora, um alerta. Por menor que seja o período e a finalidade de sua viagem, não deixe de fazer o seguro viagem. Não tive dificuldade nos atendimentos porque estou coberto por um seguro dessa natureza.

P.S.: Trata-se da primeira redação deste texto. Não quis perder a factualidade do assunto.
           
         





quarta-feira, novembro 26

MIL VEZES BOA NOITE, C QUE SABE!



          Após assistirmos a um “filmaço”, no Caixa Belas Artes (Consolação próximo à Paulista), aleatoriamente escolhi um restaurante das redondezas e acertei “na mosca”. Experiência inesquecível para um casal paraense numa segunda-feira à noite na capital paulista.

          O filme foi “Mil Vezes Boa Noite” de Erike Poppe, com Juliette Binoche, uma destemida repórter fotográfica de guerra que por conta da arriscadíssima profissão recebe um ultimato do marido e de uma das filhas. Drama humano que confronta os valores de família com a realização profissional de quem “já sabe quem é”, como diz a personagem Rebecca, de Juliette, à filha. O filme evidencia nossa visão parcial acerca do mundo árabe e seus homens, mulheres e crianças bomba, evidencia a miséria absoluta dos países africanos explorados pelas potências econômicas e escancara a manipulação das informações jornalísticas pelos “donos do poder”. O bom é que, como a reforma do antigo Cine Belas Artes foi subsidiada com recursos públicos, além de só passar filmes de qualidade naquele espaço cultural, o ingresso é baratíssimo, se comparado com os cinemas comerciais. Vale a pena conferir o filme e , se possível, o espaço.

          Mas o melhor estava por vir. O GPS me guiou para a Cantina “C...Q Sabe!”, um espaço que concilia a alta qualidade da comida com a descontração do ambiente, além da simpatia dos garçons, dos cantores e principalmente do Chef Proprietário, Bruno Stippe. Fica no perímetro do bairro da Bela Vista conhecido como Bixiga, em frente ao Teatro Sérgio Cardoso e próximo ao Teatro Zaccaro.

          Mesmo numa segunda-feira a casa estava movimentada. Nos fins de semana “sai gente pelo ladrão”, pelo que eu soube, mas a espera não é tanta dada a expressiva quantidade de mesas distribuída nos diversos ambientes que tem uma decoração própria, tornando o ambiente mais acolhedor. Quando for lá, não se assuste com o ruído da queda de uma bandeja, você vai ouvir tantas outras vezes. Isso faz parte da animação de uma casa típica, com toda festividade das famílias italianas.

          Aliás, a história da “C...Q Sabe!” vem de longe. De outras casas tipicamente italianas que o avô de Bruno e a esposa dele foram abrindo em São Paulo, desde que chegaram ao Brasil, em 1931 e com elas foram ganhando prêmios e a simpatia de todos que desejavam uma boa comida italiana.

           Em 82 surgiu a “C...Q Sabe!”, já com a segunda geração dos Stippe, o velho Roberto Gordo, pai de Bruno, que foi bi-campeão dos festivais de espaguete em São Paulo. Hoje é Bruno, os filhos e outros familiares que comandam essa alegre cantina italiana, conhecida como a Casa da Tarantella.

          Além de Chef Proprietário da “C...Q Sabe!”, Bruno é sócio do Ristorante Acchiappafantasmi, no Centro Histórico de Roma, presidente  da Federação Italiana de Chefs/FIC do Brasil e América Latina, Chef Cavaliere da Casa Real do Príncipe Cernetic da Albânia e Montenegro, Chef Instrutor de Cozinha Internacional em Pós Graduação e MBA na Universidade Paulista/UNIP, Chefe Professor de Cozinha Italiana, no Centro Europeu (Curitiba/PR), além de apresentador do programa semanal de TV, “Pilotando o Fogão”.

Com toda essa bagagem, Bruno se considera simplesmente um cozinheiro. “Pra que mais?” diz ele. Num bom italiano “Semplecemnte um cuoco...niente piu!”. E vai de mesa em mesa, falando com os freqüentadores de sua casa, distribuindo a simpatia que Deus lhe deu. Celeste e eu tivemos a felicidade e a honra de encerrarmos a noite e o expediente da cantina, com Bruno em nossa mesa, “jogando conversa fora” conosco, após a degustação do melhor nhoque que já comemos, regado a um bom Cabernet Sauvignon.


Foi um “questionamento de afins”, como dizia Artur da Távola, porque Bruno se revelou grande admirador da culinária paraense e amazônica, dizendo que uma de suas maiores oportunidades de enriquecimento enquanto profissional da cozinha foram os seis meses que passou no Pará, quando “se internou” no Marajó e em Santarém, tudo isso para conhecer os temperos e a forma de fazer da comida brasileira autenticamente nativa, a amazônica, na avaliação de Bruno. Identificamos amizades em comum, como o Chef Fábio Sicília, do Restaurante Família Sicília, um dos melhors de Belém, dentre outros profissionais que também são do relacionamento pessoal de Bruno, conversamos também sobre pessoas da minha família identificadas com o ramo de alimentos e ainda, sobre imigração italiana na Amazônia. Bruno está intimado a estar conosco no Círio de Nazaré de 2015.

Serviço:
Cantina "C...Q Sabe", a Casa da Tarantella
Rua Rui Barbosa, 192, Bixiga – Bela Vista – São Paulo/SP
www.cantinacqsabe.com.br

quarta-feira, outubro 8

ACORDA É CÍRIO

Há dias vinha pesando em inserir neste blog um poema temático do Círio de Nazaré, nesta época que antecede a festa maior dos paraenses, católicos ou não. Afinal a cidade pára e queiramos ou não, tudo gira em torno do Círio de Nazaré em Belém do Pará. Além do que, há muito o Círio ultrapassou a dimensão de manifestação religiosa. Atualmente é uma festa de contágios, de gente, tanto que foi agora reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade.

Mas eu queria algo diferente. Um poema que descrevesse o Círio com simplicidade e de preferência em “paraensês”. Algo com que o leitor ou o ouvinte visualizasse a procissão do Círio, ao ler o poema ou ao ouvir sua declamação. Acho que o inconsciente coletivo e a lei da sincronicidade universal tramaram a favor.

Foi na retomada dos saraus da Sociedade dos Poetas Vivos. Uma iniciativa do poeta, escritor, pesquisador e arte-educador Antonio Juraci Siqueira, o Boto, no início dos anos 90, uma metáfora para o sucesso de bilheteria estrelado pelo recém-falecido Robin Wiliams “Sociedade dos Poetas Mortos”, em que estudantes se reuniam numa caverna para declamar poesias de poetas mortos. À época, Juraci propôs “Se no filme os estudantes reuniam-se numa caverna, por que não nos reunirmos em praça pública para declamarmos poesias de poetas vivos?”. A adesão foi maciça. Muitos saraus da Sociedade dos Poetas Vivos aconteceram.

Há anos os poetas vivos não se encontravam. Na sexta-feira, dia 3 de outubro, foi realizado o primeiro sarau deles deste milênio. Foi no anfiteatro da Praça da República, numa noite de lua cheia, com muita poesia regada a vinho.

Paulo Guedes
Pois bem, dentre os tantos poetas presentes no evento estava Paulo Guedes. Chamou muito minha atenção um poema de autoria dele declamado por ele. Era exatamente o que eu estava procurando. Conversamos bastante e demos uma “esticada” pela noite. Saldo da noitada, a autorização de Guedes pra a inserção de seu poema neste blog. É com esse poema que eu brindo o amigo leitor, desejando-lhe Feliz Círio e muita harmonia em sua confraternização ciriana, sob as bênçãos de Nossa Senhora de Nazaré: 


ACORDA É CÍRIO

Domingo, o segundo de outubro,
o galo acorda a madrugada
acorda todo mundo e descubro
que até a corda já está acordada!

O galo acorda e o povo canta
o canto acorda o badalo
o badalo acorda o sino
o sino, a corda, a Santa,
a Santa acorda o peregrino,
o romeiro, a corda, o regalo.

A Sé acorda a fé
a fé acorda Belém
Belém acorda a pé
a família devota vem.

A corda acorda a mão
a fé é a mão na corda
a pé, na corda, é devoção,
a corda com mãos engorda.

A corda não é pra qualquer um
qualquer um pega corda
ninguém vai à corda em jejum
a corda não é para açorda.

A corda acorda todo mundo
acorda rico, acorda pobre,
acorda nobre, acorda anônimo,
arrasta sono, arrasta ânimo,
arrasta sobre, arrasta e encobre,
arrasta um milhão em um segundo!

A corda arrasta o romeiro
“o pagador de promessas”
arrasta quem se sente sozinho
arrasta até os ateus nas pressas
arrasta tudo o que tem no caminho
pororoca de gente, tsunami brasileiro.

gentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegente
acordacordacordacordacordacordacordacordacordacordacordacorda
gentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegente

égua do imã de gente
vem gente, vem muita gente
de ver gente, vem divergente
do continente, vem contingente
vem indiano, vem indigente
vem hindu, vem indulgente
vem punk com pingente, vem pungente                                            
vem até o cético, sempre intransigente
égua do imã, Círio de gente
nunca vi (tanta) gente, vigente
das águas, vem o emergente
do convés, vem o convergente
que infringe, vem o infringente
que exige, vem o exigente
que interliga, vem o inteligente
que rege, vem o regente
que dirige, vem o dirigente
que reage, vem o reagente
se for polícia, vem o agente
se fede e pode deter, vem detergente
mesmo que não seja urgente
mesmo que seja adstringente,
rogo que seja abrangente,
porque nunca vi tanta gente,
isso, sim, é tangente,
Ó imagem imanente
égua do imã de gente
vem gente, vem muita gente!

A gente tem mãos
as mãos que tiram a corda do rolo
a corda que puxa o andor da Santa na berlinda
a berlinda que conduz a Virgem com o menino no colo
o menino Jesus despido com o globo terrestre em suas mãos...

Ah, essas mãos!
une a mão na mão
gruda a mão n’outra mão
cola a mão na palma da mão
é um aperto de mão
tem mão na contra mão
tem muita mão na corda
é uma corda de mão
é um carro de mão
é corrente de mão
é correnteza de mão
é corrimão
é quilômetro de mão
um século de mão
uma procissão de mão
toda a fé na mão
toda corda na mão
a mão que sangra, irmão
imploro de antemão
a mão tem que ir, irmão
a carne viva na mão
por favor, puxem o freio de mão!
Égua, é muita mão!                                                                        

gentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegente
mãonamão  naoutramão  apertodemão muitamão cordademão carrodemão        
corda corda corda corda corda corda corda corda corda corda corda corda
mãocordademão carrodemão correntedemão correntezademão corrimão
gentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegente

a gente sente calor
a gente sente sede
a gente sente dor
a gente sente fome
a gente sente gente
atrás da gente, rente
ao lado e na frente
pisando a gente sente
chorando no asfalto quente
égua, é muita gente
égua, queremos água
água para beber
água para molhar
água para viver
água para pisar
água, a gente quer
água, muita água
água mineral
água bem gelada
água natural
água batizada
água de poço
água torneiral
água de coco
égua, cadê a água?


Santa, o povo mira em ti
haja brinquedo de miriti
brinquedo leve que encanta
cata-vento, girândola, tem aqui,
só não vi nenhum de anta
eu queria um bem-te-vi
cobra pequena num adianta
bacana é cobra grande, sucuri,
tem até barco de miriti
criança não cabe em si
égua, nunca vi tanto miriti!

Tem muitas imagens em cera:
na verdade, feitas em parafina,
cabeça ou perna é grossa,
já a vela do círio é fina.                                                                      

A procissão agora existe
e pé no asfalto é gestação
e a bolha d’água no dedo insiste
e assim começa a peregrinação!

Barcas são veículos,
carros são andores,
guardas são vínculos,
anjos são pecadores,
políticos são pávulos,
Fogos? São estivadores!

Aí começa a chover papel
junto aos fogos de artifícios
parece uma festa santa no céu
que encanta os caboclos beócios
aí começa o delírio, abençoado escarcéu,
aí começa o Círio para os convertidos ímpios!

A berlinda em cedro vermelho
estilo barroco, coberta de flores
no Sol, a Santa brilha mais que espelho
sob o manto bordado e cravejado de cores

Aos pés da Virgem Santa
a cabeça alada de um anjo
expressa o símbolo iconográfico
da incomensurável Glória Celestial
brilham raios num esplendor que acalanta
advindos do Altar Mor no seu divino arranjo
e resplandece no presbitério o nicho ideográfico
Ó Mãe com seu manto canônico sob a redoma de cristal!

Ah, o seu alvo manto canônico
ornado com fios e enfeites de ouro
triângulo símbolo e sinal mnemônico
Ó manto santo, vestes um divino tesouro!

promessapromessapromessapromessapromessapromessapromessa
miritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiriti
gentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegente
mãonamão  naoutramão  apertodemão  muitamão  cordademão  carrodemão
corda cordacordacordacorda SANTA cordacordacordacordacorda
mão  cordademão  carrodemão  correntedemão  correntezademão  corrimão
gentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegentegente
miritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiritimiriti
promessapromessapromessapromessapromessapromessapromessa

Chegou à Praça Santuário!


Viva Nossa Senhora de Nazaré!




Claro que eu vou declamar “ACORDA É CÍRIO” para os amigos e familiares na confraternização  ciriana de minha casa. Tomara que eu consiga me aproximar da interpretação do autor.

P.S: O e-mail do Paulo Guedes é prcguedes@yahoo.com.br Ele está no Facebook com o nome Paulo R. C. Guedes

domingo, setembro 21

AINDA SOBRE CITAÇÕES ERRADAS NA INTERNET




            Volto ao tema porque recentemente vi no face o poema “Recomeçar” ou “Faxina da Alma” mais uma vez postado como obra de Carlos Drumond de Andrade.            O texto equivocado é postado assim:

RECOMEÇAR

Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".

Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.

Chorou muito?
Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.

Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de aprender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?

Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.

Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.

Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.

Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da Faxina Mental.

Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".

Porque sou do tamanho daquilo que vejo,
e não do tamanho da minha altura.

Carlos Drummond de Andrade

            Esse texto contém três equívocos. Primeiro, o poema original “Recomeçar” ou “Faxina da Alma” termina em  “nós somos o Amor”. Segundo, ele não é de Carlos Drummond de Andrade. Terceiro, “Porque sou do tamanho daquilo que vejo/ e não do tamanho da minha altura” é parte de um poema de Fernando Pessoa, acrescido indevidamente por mais um desavisado (ou não) internauta que fez o “favor” de assinar o poema acrescido como obra de Drummond.

            O falso poema de Drummond volta e meia ressurge na rede colocado por mais um incauto, empolgado com o conteúdo dele. Há mais de 5 anos, mais precisamente em 13 de fevereiro de 2009, o jornalista Maurício Stycer, repórter especial do IG, em extensa pesquisa “matou a pau” esse verdadeiro Festival de Besteira Que Assola O País, como diria o saudoso Stanislaw Ponte Preta.

            O verdadeiro autor de Faxina da Alma é Paulo Roberto Gaeke, programador que o publicou no site dele “Meu Anjo”, que bem humorado, esclarece que “Drummond deve revirar na tumba ao ver o meu texto com o nome dele”. Gaeke é autor de dois livros de poemas, publicados por conta própria no site que mantém desde abril de 2000. Até 2002,  Gaeke assinava  suas mensagens apenas com um bordão – “eu acredito em você” – e o seu primeiro nome, Paulo. “Daí virou uma festa”, ele conta. “Cada um repassava acrescentando um ponto e diversas mensagens minhas (mais de 2 mil) estão por ai sem a devida paternidade… como ‘Revolução da Alma’, que atribuem a Aristóteles (sic), ‘Paciência’, atribuída ao Jabor, e a clássica ‘Recomeçar’ (que também é conhecida por ‘Faxina na Alma’)”.

Acrescenta que em algum momento no ano de 2003, alguém acrescentou ao texto dele os versos “Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura” e assinou “Carlos Drummond de Andrade”. Tal citação foi entendida como se o texto inteiro fosse de Drummond, e se espalhou como praga pela Internet. Mas, lembra o verdadeiro autor do texto, esses versos não são do poeta mineiro, mas de Fernando Pessoa e estão em “O Guardador de Rebanhos”. “Quando eu pesquisei no Google a primeira vez, tomei um susto”, diz Gaefke, “esse texto estava em mais de 50 mil sites com autoria de Drummond. E para provar que era meu foi uma briga…”.

Realmente. Em pesquisa na Internet verificam-se diversas mensagens de Gaefke, em blogs e sites que publicaram o texto dele como de Drummond, chamando atenção para o equívoco quanto à autoria do Faxina da Alma.

            Segue adiante o poema completo de Fernando Pessoa, por meio de um de seus  heterônimos, Alberto Caeiro, que foi parcialmente acrescido ao texto de Gaefke e assinado como de Carlos Drummond de Andrade, com a parte acrescida em destaque.
“VII – Da Minha Aldeia
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe 
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos 
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”