quarta-feira, setembro 12

“ARRASTADO PELA CORRENTEZA” SERÁ LANÇADO NA FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO.




                Lançamento de livro imperdível, na próxima edição da Feira Pan-Amazônica do Livro. Trata-se do “Arrastado pela Correnteza”, de autoria do meu amigo Roberto Carvalho de Faro.  
            Roberto tem considerável produção literária. Escreveu os romances “Juntando os Cacos”, “Arrastado pela Correnteza”, “Depois da Tempestade” e “O Guindaste Amarelo”, os contos “A Criança e a Guerra”, “Que deus é esse?”, “Casos do Mestre Porfírio”, “Presságios & Promessas” e os livros de poesias, “Tempos Líricos” e “Dimensão do Tempo”.
            Sobre “Arrastado pela Correnteza”, Ildefonso Guimarães, pai, diz que nele, o “leitor se depara com a personagem central, transpirando mistério, surgida num cenário amazônico de tanta nitidez, que somente um hábil desenhista, como sói ser na realidade o autor do romance, poderia pintar com tal poder de minúcias. Inopino, com sua indagativa figura, Florêncio (o protagonista) é introduzido na estória e mostrado numa espécie de caleidoscópio de acontecimentos emergentes, todos de inalterado desdobramento factual, em que as portas se lhe abrem num crescendo de acontecimentos felizes, até o clímax inesperado, quando a correnteza o conduz ao surpreendente desfecho, que o leitor naturalmente encontrará lendo o texto galvânico de Roberto de Faro”.
            “Afinal, quem é Florêncio para Terezinha (Teca) e para os leitores? Na força dos seus dezenove anos, era mulher para o que desse e viesse. Não enjeitava trabalho, ainda mais ao lado do homem que amava e respeitava.  A cada dia mais crescia o amor e mais aumentava o respeito. E esses dois sentimentos entrelaçados deviam-se à personalidade incompreensível, mas cativante de Florêncio, que dava sempre a impressão de estar no limiar entre dois mundos tão opostos. Um, bem terra-terra, palpável e até primitivo. O outro, volátil, indecifrável, fora de alcance e compreensão. Talvez essa ambiguidade fosse a causa e o motivo da atração que aquele homem exercia sobre as pessoas. E isso sem intenção nem cálculo. Terezinha, sem atinar, sentia-se fisgada por esse incompreensível sentimento. E por todos os meios lutaria para continuar assim: uma ardorosa devota de uma entidade perto/distante; palpável/intangível. E Florêncio, refestelando-se com a deliciosa comida, jamais poderia imaginar que estava sendo cultuado pela jovem companheira, como se fosse um Deus”, é a descrição dos personagens, na orelha esquerda do livro.
            O lançamento, iniciativa da Academia Paraense de Letras e da Editora Paka-Tatu, será no estande da Academia Paraense de Letras, na Feira Pan-Amazônica do Livro, no dia 23 de setembro, domingo, a partir das 11 da manhã.
            Vamos prestigiar o lançamento da obra desse caboclo amazônida, que nasceu Roberto Carvalho, mas optou por inserir, em seu nome literário, sua terra de origem, Faro, no Oeste do Pará,  e hoje, é premiado escritor e imortal da APL. 

segunda-feira, setembro 10

O LOCAL E A SAMAUMEIRA. JORGE ANDRADE ENTRA EM CENA




            A Comissão Organizadora do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”, evento da Amazônia, reuniu-se extraordinariamente, na terça-feira passada, para discutir alternativas de local, para a realização do evento, ante a inviabilidade de se dar, no entorno da samaumeira, do Hangar Centro de Convenções da Amazônia, que era a ideia original. Mesmo com toda boa vontade da Coordenadora da Feira Panamazônica do Livro, Dra. Andressa Malcher, ficou patente a impossibilidade do evento acontecer naquele local, ante logística exigida, para a realização da Feira.

            Por ser o “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças” uma realização em que deve prevalecer o máximo de espontaneidade, devendo se dar em local aberto, para proporcionar o máximo de interatividade com o público, a Comissão achou adequado buscar espaços alternativos, como o Anfiteatro São Pedro Nolasco e o Anfiteatro do Gasômetro, no Parque da Residência. Requerimentos já foram encaminhados à Organização Pará 2000, entidade mantenedora da Estação das Docas, onde fica o São Pedro Nolasco  e à Secretaria de Cultura, Secult, a que está vinculada a Estação Gasômetro.

            Mas a samaumeira continuará sendo o nosso símbolo, ante o significado emblemático que ela tem para nós e para a Amazônia.

            A reunião extraordinária foi enriquecida com a presença do poeta, escritor, letrista, cronista, professor, Jorge Andrade, que por motivos profissionais não comparecera ainda, às runiões. Uma pena que o poeta e escritor Daniel Leite não tenha podido comparecer à reunião, também por motivos profissionais. Se ele estivesse presente mais interessante ainda, teria sido a reunião da Comissão Orgnizadora. Na próxima, que será na quinta-feira, dia 13, certamente Andrade e Leite estarão presentes e aí, a Comissão estará completa.

            Na parte informal, após a discussão da pauta da noite, ofertei ao Jorge, um exemplar do meu livro, “Causos Amazônicos”, como faço com todos que vem pela primeira vez à minha casa. No bate papo que se seguiu, li umas duas ou três crônicas, para os presentes. No dia seguinte, tive a grata satisfação de receber um e-mail do Jorge, com o este  comentário, que eu compartilho agora, com você:

Juraci Siqueira, Benny Franklin e Jorge Andrade
“Salva, Octavio, um nome realmente incomum, pois tem ascendância a uma grafia portuguesa, com um "c" mudo mas quem sabe lá em Lisboa ou adjacencias talvez da boca de algum patrício possa se ouvir, e tem a tônica mas não é acentuado: coisa de português mesmo!!!!. Isso é que se  pode dizer de um caso sério para os gramáticos, a simiótica, enfim, mas o nome é este, e assumir este nome com esta grafia é sua sina, podendo até vir a ser um "causo" semelhante aos da vasta região de onde ele veio.
 Suas crônicas, récem-amigo, são saborosíssimas, ressoam horas, em mim mais de uma noite, pois acordei com o berro do bebum pescador e exímio salgador, e o Mandií na cabeça, além dos outros que vieram de enxurrada, me fazendo rir. Boa, boa!! Agradecido pelo livro, vou saborear feito as conversas de beira de mesa de cozinha ou rede em varandas.

A crônica é a prima-pobre das ficcões, uns críticos nem a consideram tal coisa, mas a estes tenho dó, porém foi aqui nesta terra, mas foi nos trazida pelos viajantes portugueses, que ela floresceu e chegou a categoria tal que levou a uma dimensão Excelsior, nas mãos de um Carlos Drummond, Fernando Sabino, Rubem Braga e outros.

Somos cronistas por natureza, nosso papo ontem poderia bem ser uma aula sobre ela, só olhando pela cena nada surreal: um boto de chapéu usando celular, um caboco de parintins falando e atento ao notbook, dois incrédulos caindo de para-queda tentando se ajustar à moldura da tela, tudo isso em ilha de selva á beira do asfalto. Prato cheio pra crônica do dia seguinte.

 Abraços, amigo, e vamos que vamos nessa aventura...”

Juraci Siqueira, Octavio Pessoa e Jorge Andrade

                           Obrigado, Jorge. Só não concordo quanto aos “dois incrédulos caindo de paraquedas, tentando se ajustar à moldura da tela”. Em torno da mesa, além do Juraci e de mim, encontravam-se dois premiados expoentes da literatura paraense, Jorge Andrade e Benny Franklin, que serão cada vez mais reconhecidos e premiados, não só por sua indiscutível competência literária, mas também pelo comprometimento com a causa que todos nós abraçamos, a realização do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”, evento da Amazônia.




domingo, agosto 26

O evento da Amazônia do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudança” será o de Belém.


                 
          Já está sendo organizado o “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”, que será  o evento da Amazônia.

A iniciativa, provocada pelos poetas e ativistas americanos, Michel Rothenberg e Terri Carrion, começou no ano passado. Poetas de todo o mundo, reuniram-se em 650 eventos, realizados em 550 cidades de 95 países, no dia 24 de setembro, no “100 Thousand Poets for Change” (Cem Mil Poetas por Mudança). Este ano, os músicos foram juntados aos poetas, no enunciado do evento, que é aberto a outros tipos de manifestações culturais, como mímicos e manipuladores de marionetes, dentre outros.  

        O “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças” propõe a mudança da forma de se ver a comunidade local e a global, ante a alienação generalizada em que mal conhecemos nossos vizinhos de rua e muito menos os aliados criativos, que tem angústias semelhantes, mesmo morando em outros locais e países, que padecem dos mesmos problemas: guerras, crimes ambientais, falta de assistência médica para todos, violência institucionalizada, omissão de autoridades e discriminações de toda ordem. O que torna necessária a solidariedade local e global. Um mundo mais sustentável, a cultura da paz, a luta pela mudança política e social constituem objetivos dos eventos do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudança”,  cada grupo local podendo focar áreas específicas para a mudança, em seu evento particular.

Poetas, escritores, músicos, artistas em geral e todos que queiram se reunir, para criar e executar, educar e demonstrar, são pessoas que podem desencadear esse processo de mudanças, simultaneamente com pessoas de outras comunidades, de todo o mundo.

A data escolhida para os eventos dos “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças” deste ano, em todo o mundo, é o sábado, 29 de setembro. Mais de 700 eventos, em 100 países estão inscritos, até agora. 

O poeta paraense Benny Franklin, organizer do  evento de Belém do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças” convidou os poetas/escritores Antonio Juraci Siqueira, Carlos Correia Santos, Daniel Leite, Jorge Andrade e Octavio Pessoa para formarem a Comissão Organizadora.

Por sugestão do poeta e escritor Antonio Juraci Siqueira, a Comissão escolheu a Samaumeira do Hangar Centro de Convenções da Amazônia, para símbolo e o entorno daquela árvore, para o local de realização do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”. Articulações estão em curso com o Departamento de Eventos do Hangar, que está sensível à realização do evento, que coincidirá com o encerramento da Feira Panamazônica do Livro.

“Fazer da Paz um Verbo” foi a semântica sugerida pelo poeta/escritor Daniel Leite e acatada pela Comissão, para o evento da Amazônia, do “100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças”. Flyer e Banner, com o símbolo e a semântica já foram produzidos, com apoio do publicitário Rui Bastos. 
A Comissão se debruça agora, sobre a produção do e-mail coletivo dos organizadores, do blog e da página do Facebook e também, ao convite aos potenciais participantes, à logística para a realização evento e à futura convocação do público em geral, via mídias impressas, eletrônicas e redes sociais.
             
Benny Franklin, Octavio Pessoa, Daniel Leite e Juraci Siqueira
            

domingo, julho 15

“CAUSOS AMAZÔNICOS”. Sobre o lançamento e como comprar.



              “Planta uma árvore, tem um filho e escreve um livro, para seres um homem completo”, diz um adágio popular. Pra mim, só a morte nos completa. Mas, após ter plantado muitas árvores e ter tido um casal de filhos, foi indescritível o que senti no lançamento do meu primeiro livro, o “Causos Amazonicos”.

 Escrever um livro é comparável à gestação de um filho, acredito. Mesmo quando se trata de uma coletânea de crônicas, pois não basta apenas compilá-las. A edição é um processo cheio de tensão, angústia e transpiração. E, por maior que seja o cuidado, alguma falha sempre é possível. E raramente não acontece.



       


Ver o livro pronto é como ver o filho recém-nascido. E o lançamento é alguma coisa parecida com a festa de batizado ou, sei lá, a apresentação da criança aos parentes e amigos. Há quem veja na noite de autógrafos uma demonstração de vaidade. Eu penso diferente. Toda realização deve ser festejada. 





Por isso, no dia 21 de junho passado, quando foi lançado o “Causos Amazônicos”, eu estava realmente muito contente. Compareceram amigos que há tempos eu não via. Parentes prestigiaram o evento, como o meu primo José Maria Pessoa e sua filha, Artemiza, que vieram  de Parintins, minha terra natal, especialmente para a noite de autógrafos. Como diz o Roberto, “são tantas as emoções”. É gratificante você sentir as pessoas compartilhando de sua felicidade. E eu agradeço a todos que compareceram.




Setenta e dois exemplares foram vendidos naquela noite e, a esta altura, quase duas centenas já foram vendidos, somando-se as vendas de livrarias de Belém e os adquiridos diretamente de mim, por amigos de Belém ou de outras cidades. Há casos como o do amigo Artur Piedade, aqui de Belém e o do companheiro, Eliseu Mendes Barbosa, do Rio de Janeiro, que, após o primeiro exemplar, adquiriram mais dez exemplares, para brindar os amigos.



Até o momento, o “Causos Amazônicos” é encontrado, em Belém, na livraria da editora Paka-Tatu (Travessa 14 de Março, entre Diogo Moia e Oliveira Belo), na  livraria da Fox Vídeo da Rua Dr. Moraes (entre Avenida Conselheiro Furtado e Rua dos Mundurucus), na livraria Ná Figueiredo, do mezanino da Estação das Docas e, brevemente, nas livrarias Newstime. O preço em Belém é R$ 25,00

Cuido agora, da distribuição para outras capitais. Enquanto isso não acontece, pedidos podem ser feitos diretamente ao autor, pelo e-mail octaviopessoa8@gmail.com , informando o endereço de entrega e comprovando o depósito, na conta 175.187-5, Agência 4451-2, do Banco do Brasil, do valor de R$ 30,00. Preço válido para qualquer lugar do Brasil.



quinta-feira, maio 31

“Causos Amazônicos” será lançado no dia 21 de junho.



           Definido. O lançamento do livro de crônicas, de minha autoria, “Causos Amazônicos” será lançado na quinta-feira, dia 21 de junho. O horário e o local serão os mesmos que estavam previstos inicialmente, para o dia 26 de abril: a partir da 19 horas, na livraria da Fox Vídeo, da Dr. Moraes.
            O lançamento não se deu naquela data, em razão do acidente doméstico que sofri, no dia 16 de abril, com fratura do tornozelo direito. A mais recente radiografia revela que o osso fraturado, fíbula (antigo perônio), já está 100% consolidado, tendo meu médico ortopedista, Dr. Hilmar Tadeu, autorizado a realização de fisioterapia digamos, hard, ou seja, em pé. Antes eram exercícios feitos no meu pé, comigo deitado ou sentado na cama, pelo competente fisioterapeuta Hugo Figueiras, que “já disse a que veio”.
            Como tenho certeza de que, no decorrer do mês de junho estarei me locomovendo, retomei as estratégias de  lançamento do livro, articulando com meu editor, Armando Alves Filho, diretor da Paka-Tatu e com a Deborah Eluan, da Fox Vídeo. Ficou assegurada a data de 21 de junho, para a noite de autógrafos.
O “Causos Amazônicos”, além da recomendação da professora Amarilis Tupiassu, inserida em postagem anterior, contém também, na orelha direita, as opiniões do falecido professor Meirevaldo Paiva e do professor Oswaldo Coimbra:



“Surpreso estou eu com suas belíssimas crônicas sobre o cotidiano de Parintins ou de Belém. Gostei demais das primeiras que eu li e acredito que as outras estejam no mesmo nível de observação e de estudo das pessoas e do mundo.”
        Meirevaldo Paiva (in memoriam)

“Não sou crítico literário, mas o acúmulo de experiência em lidar com a produção de textos - meus e dos alunos das faculdades onde lecionei - me permite identificar várias qualidades nos seus textos. Eles são claros, escritos numa linguagem correta, dotados de humor - uma qualidade rara - e, sobretudo, expressam certo enternecimento com a ‘comédia humana’, o que certamente distingue quem é verdadeiramente um escritor.”

Oswaldo Coimbra

Nas ilustrações, você vê a capa do livro com a as informações do lançamento e a foto da contracapa, que contém o resumo de minha biografia.

            Aguardo por você, na Fox da Dr. Moraes, no dia 21 de junho.

            Octavio Pessoa            


sexta-feira, maio 11

O DIA DAS MÃES: Drumond, eu e Santo Agostinho.



       O “Dia das Mães” é uma data que mexe com qualquer um de nós. Os que ainda  tem  mãe viva e também os que ganharam um anjo junto ao Senhor, na figura da mãe, que passou para o outro lado da Vida. Este é o meu caso.

     Pesquisando uma poesia, para homenagear as Mães, encontrei esta de Carlos Drumond de Andrade: 


MÃE, para sempre: 

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.



          Li e reli diversas vezes e lembrei-me da mensagem que escrevi  e li aos presentes na Celebração da Esperança, no sétimo dia após a subida de minha mãe. Começo o texto, citando Drumond e encerro com um texto de Santo Agostinho, super adequado para fechar meu  texto, em que coloco exatamente o que penso da vida e da morte e ainda, deixo expresso quem foi a minha mãe, para mim e para todos seus filhos e filhas. Veja a mensagem:

Parentes e amigos,

O poeta Carlos Drummond de Andrade, num belíssimo poema sobre a lembrança daqueles a quem amava, imaginava-se num salão onde um banquete reunia todos os que já haviam partido e lhe eram próximos. Todos apenas esperavam por ele, inclusive sua filha única e muito amada, que ele descreve como “seu verso mais perfeito senão o único”

Penso ser da natureza deste mundo que nossos versos mais perfeitos também tenham que partir. Assim devemos encarar a Páscoa, a passagem da vida terrena para a Vida Eterna, ocorrida há sete dias atrás com a nossa querida mãe, YOLANDA PAULAIN FERREIRA- um grão de trigo que cumpriu a missão das Sagradas Escrituras, assim colocadas por João, capítulo 12, versículo 24 “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muitos frutos”.

Estas palavras de Jesus são mais eloquentes  que qualquer tratado. Revelam o segredo da vida. Não existe alegria de Jesus que não seja fruto de uma dor abraçada. Não há ressurreição sem morte. Jesus fala de si mesmo e explica o significado da sua existência. São palavras que dão sentido à nossa vida, ao nosso sofrimento, à morte quando chega, como chegou para a mamãe. 

A fraternidade universal pela qual desejamos viver, a paz, a unidade que queremos construir ao nosso redor é um vago sonho, uma ilusão, se não estivermos dispostos a percorrer o mesmo caminho traçado pelo Mestre.

E a mamãe teve uma vida frutuosa. Ela não foi só um grão. Morreu e se transformou numa árvore generosa que deu muitos frutos. O mais lindo de todos, a nossa família. Que sempre esteve ao lado dela, celebrando a Vida, até o fim. Ela será sempre exemplo para todos nós, seus descendentes e todos os que privaram de sua convivência. Sua ausência será sentida, mas sua memória permanecerá em todos nós que fomos tocados por aquela vida tão simples, tão linda, tão honrada, tão digna.

Caríssimos, precisamos seguir acreditando e esperando que Deus, Aquele que nos contém, nos anima e nos protege, que Ele opere o milagre do tempo, transformando nossa dor em saudade. E, como o poeta, acreditemos na existência daquele salão, onde cedo ou tarde, nos reuniremos mais uma vez com aqueles que amamos. Pois o Amor, esta força fundamental, nos permite transcender o tempo e o espaço.

Concluindo, tenhamos certeza de que, lá de onde a mamãe está, ela, sorrindo, confirma estas palavras de Santo Agostinho: 
             
“A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
Falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Orem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora de seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho....
Você que aí ficou, siga em frente,
Linda e bela, como sempre foi, A VIDA CONTINUA.”


sábado, abril 28

Todo Mundo. Sempre.


      Tive a grata satisfação de receber ontem, do meu amigo Roberto Carvalho de Faro, imortal da Academia Paraense de Letras e revisor de texto do meu livro "Causos Amazônicos", o e-mail que segue adiante, por meio de que ele me brinda com uma poesia feita quando vivia uma situação semelhante à em que eu estou agora. Valeu demais para mim. Obrigado, Roberto. Compartilho  agora, com você, leitor:


Meu caro Octavio,
Lendo o seu blog, no qual você se refere à parada forçada que teve que fazer, por conta do acidente doméstico, que o imobilizou temporariamente, lembrei-me de que anos atrás passei também por uma parada forçada, em razão de doença, precisando interromper minhas atividades profissionais e ficar em casa por vários dias.
Esses dias "parados", convalescendo, serviram-me para refletir sobre a vida. E foi assim que saiu o texto poético que vai em anexo.
Espero que lhe sirva de consolo.
Cuide-se e recupere-se logo.
abraços
Roberto.



Todo Mundo. Sempre


Sempre, não.
Exagero, parece.
Nada é tão sempre.
Mania essa de envolver todos, tudo.
“Todo mundo está de acordo”.
“É sempre assim”.
É muita gente para concordar, acho.
Eternamente? Sempre? Impossível.
Já uma discordância: não me incluo.
E tantas vezes agi diferente.
Fujo do sempre.
Então agora falo:
Observei gestos, atitudes.
Incongruentes muitos, muitas.
Plural mesmo a criatura.
Um, não se repete.
É vário cada vez.
Mas a água do rio é a mesma?
Mudando, mudando.
Só parece que é.
Então?
O antigo já viu isso, lá na Grécia.
Hoje parei, pensei.
Um pouco de doença,
 de só mal estar, atou-me em casa.
Vi o que não via.
As ruas, os compromissos, o relógio, cegaram-me.
E hoje vi.
Bastante um descanso no pátio.
Cacaueiro, cuieira, aceroleira.
Bambu, também.
Dois dias de descuido, e mudaram.
Folhas novas que não tinham.
Velhas que caíram.
O cacau mais de vez.
A cuia, casca mais dura.
Acerolas, só as verdes.
Vermelhas, no chão, caídas.
O bambu, duas hastes mais baixas, arriadas.
A natureza, no silêncio, mudando.
Onde estava que não vi?
Certo que lidando no sobreviver.
E precisava? me pergunto.
Tudo não está na ordem natural?
O passarinho planta, ajunta em celeiro?
O lírio.
Quem veste o lírio do campo?
Por que então eu, plantando, colhendo,
tecendo vestes?
E ocupado, o descuido em derredor.
Meu próprio quintal
 sem meu olho, mudando.
E eu, nem.
O que era de ver, não vi.
E dentro, debaixo da pele que não vejo?
Milhões de células desapareceram.
Máquina em desgaste.
O corpo não encorpa, fenece, dia pós dia.
Doença já não cura toda. Fica resto.
Nem que pouquinho, fica.
Remédio é lenitivo.
Efeito diminui, já não cura.
No pátio, cadeira de balanço.
Balanço do viver.
Que fiz, que não fiz?
Que devia, que não devia?
Saldo: positivo, negativo?
Quem julga?
Há juiz?
Entra a crença.
Cada um com sua fé ou sem ela.
Houve existência, bagagem de coisas.
Quem aproveita, se o dono vai?
Tudo em vão, perda de tempo?
A questão é essa.
Respostas somem.
Perguntas sobram.
Inquietação de monte.

Viver,
 invenção de quem?

Doença serve.
É exercício de questionar.
Periódicos balancetes para balanço final.
Saúde não condiz com avaliações sérias,
com inventários profundos.

Agora, sim.
Concordo.
“Todo mundo” passará por esta porta.
E “sempre”.



quinta-feira, abril 26

O VALOR DO INESPERADO

         
         Uma data que seria importante para você por um determinado fato que acabou não se realizando, pode tornar-se ainda mais especial para você?  Pode sim. Tudo depende de como encaramos o inesperado e do que fazemos com as paradas “forçadas” a que somos submetidos.

         Por exemplo, o dia de hoje, 26 de abril de 2012, quinta-feira, seria especial para mim, pois nele ocorreria o lançamento do meu primeiro livro de crônicas. Desde que ele ficou pronto, de comum acordo com o meu editor, Armando Alves Filho, “batemos o martelo” quanto à oportunidade dessa data, para o “Causos Amazônicos” vir a público. Interessante. Antes, eu havia cogitado de lançá-lo no dia 12 de abril. Particularidades do processo de edição me levaram a sugerir o dia 26. 

       Haveria mais tempo para fazer o marketing e adotar os procedimentos para o lançamento. Quem já passou pela experiência de escrever e editar um livro sabe o quanto é gratificante ver-se o fruto de sua inspiração e transpiração realizar-se. Na sexta-feira, dia 13 de abril, vi pela primeira vez o meu livro pronto e acabado. A emoção só é comparável ao nascimento de um filho. Pra mim, o “Causos Amazônicos” é o meu terceiro filho. Ali mesmo na Editora Paka-Tatu, fiz um pré-lançamento, ofertando ao meu editor e à sua esposa, Sandra, o primeiro exemplar do livro que foi retirado da caixa. 

         O fim de semana que se seguiu foi de muito contentamento. Oferta de exemplares às pessoas mais próximas, a começar pela minha esposa e também para as pessoas que nos auxiliam em nossa casa. Presenteei também, com um exemplar do livro, meu revisor de textos, o caboclo que nem eu, Roberto Carvalho de Faro (de Faro é uma homenagem à sua terra natal, Faro, no Oeste do Pará) e imortal da Academia Paraense de Letras. 

         Na segunda-feira, dia 16 de abril, eu estava “elétrico”. Começaria então, o “corpo a corpo”, a ação de marketing mais incisiva, visando o lançamento do livro. Com alguns exemplares dele e com alguns brindes remanescentes do meu aniversário de 60 anos que ocorreu no dia 8 de abril, meu plano era visitar emissoras de TV, a começar pela TV Cultura, onde já estava pautada minha participação no programa “Sem Censura Pará”, para um dos dias subsequentes. Visitaria também, os jornais diários e algumas emissoras de rádio. Atividade prazerosa para mim, que já fui locutor de rádio. 

         Eu descia, com livros e brindes numa caixa, a escada de acesso ao meu escritório doméstico, que eu subo e desço não sei quantas vezes por dia. Chegando ao final, “o chão me faltou”. Tudo indica que “baipassei” o último degrau. Fui violentamente ao chão, com estrago enorme sobre meus pés: torção no tornozelo esquerdo e fratura no direito. Resultado: até hoje e, pelo menos até a próxima segunda-feira, estou com o pé direito imobilizado, deslocando-me, somente para ir ao banheiro, com o auxílio de muletas. Segundo o médico, passada essa etapa da imobilização, virá a fase da bota ortopédica e de fisioterapia por não sei quanto tempo. 

        Passada a fase de providências médicas, vem a “queda da ficha”. Inevitável certa revolta, nos primeiros momentos – por que agora? Não haveria outra hora para isso acontecer? Logo agora, quando estou diante da realização de um sonho acalentado por tanto tempo? E os outros projetos que me exigem plenas condições de saúde para realizá-los? – Tudo isso machuca. É uma dor emocional. Depois vem a reflexão. Meu Deus! Tudo poderia ser pior. E se o impacto tivesse repercutido sobre a minha coluna? E se eu tivesse batido minha cabeça no degrau da escada? Não. Eu não posso me revoltar. Eu só tenho a agradecer pelo não ocorrido. E como já risquei de meu dicionário, há algum tempo a palavra coincidência, como yunguiano assumido, creio no inconsciente coletivo e na sincronicidade universal, convenço-me de que foi melhor que as coisas acontecessem como elas aconteceram. 

      Essas paradas forçadas servem também, para valorizarmos mais ainda, o que temos à nossa volta. Feliz é quem tem pessoas ao seu lado. Especialmente quando, qual uma criança, você depende da ajuda de alguém, para as necessidades mais simples da vida. E os amigos que te visitam? Um verdadeiro presente de Deus. É tão gratificante você receber pessoas nessas horas. E aí você reflete sobre a importância da sua presença junto aos seus, não só nos momentos difíceis, mas também e principalmente nos momentos de celebração de Vida. E também, dedicar algum tempo de sua vida a quem não tem ninguém, os que mais precisam. Começarei por uma pessoa que, por motivos diversos, optou por não mais sair de casa e vive praticamente só. Antes, minha intenção era mandar-lhe um exemplar do meu livro. Agora, decidi. Assim que puder, vou visitá-lo e entregar-lhe pessoalmente. Tenho certeza. Ele se sentirá muito bem. E eu muito melhor. 

      Realmente. Hoje seria um dia muito importante para mim, em razão do lançamento de meu livro, que não vai acontecer. Mas esse dia está sendo e ficará marcado para mim, porque nele, eu tive uma vontade irrefreável de escrever, coisa que eu tanto gosto de fazer, mas que estava temporariamente adormecida. E se assim é, nada melhor do que compartilhar com todos a minha experiência nesses dias de “parada forçada” e de profunda reflexão. O lançamento do livro? Fica pra mais adiante. Tenho certeza: será muito melhor. 

                                                                                     Octavio Pessoa

sábado, abril 14

CRÔNICA DOS SESSENTA



     Tudo pode render uma crônica. Como os momentos em que você, eu e minha família celebramos a VIDA, nesta noite.
    Comemoramos minha chegada aos 60 e a Celeste aos ... anos. Foi inevitável o contágio com a nossa felicidade e a de nossos filhos, Rodrigo Octavio e Luciana, que também compartilhou sua alegria pelo noivado com o Alex, que para nós já é da família.
     Constato, aos 60 anos, que os personagens desta crônica - os parentes e amigos – são o meu maior patrimônio. Um presente de DEUS.
     E este momento é de virada de página, literalmente. Mais uma década se tenta. Novos desafios. Quero todos ao meu lado.
    A primeira realização já se aproxima: o lançamento do meu livro “Causos Amazônicos”. Na quinta-feira, dia 26 de abril, a partir das 19 h, na Fox Vídeo, da Dr. Moraes. Espero por você!
                                                                         Octavio Pessoa.
                                                                         Belém/PA, 7/8 de abril de 2012


     
(Os presentes na comemoração dos meus 60 anos e os ... anos da Celeste, receberam de brinde uma miniatura de um carimbozeiro ou curimbozeiro, figura típica da cultura paraense. É o tocador de atabaque, um instrumento de percussão, nas rodadas de carimbó, dança típica paraense. O brinde foi confeccionado pelo artesão Jeferson.

Idealisticamente, o curimbozeiro chegou num regatão, barco que faz comércio de porto em porto, na Amazônia. A miniatura de regatão foi um presente do meu amigo Leonel Chaves, arteeducador).